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Não sei se posso me considerar um cara mega ansioso como muitas pessoas se definem. É bem relativo pra eu. Tipo no trabalho anseio pelo retorno positivo do Luiz. Ok. Num geral também anseio pela atenção das pessoas com relação ao que acham de minha aparência, por mais que eu lute com isso por me amar cada dia mais. Minha vaidade está ligada um pouco com a ansiedade. Agora quanto aos encontros amorosos, não adiciono ansiedade excessiva. Por mim a coisa deve fluir porque adoro surpresas.
Meus amigos que passaram a tarde comigo falaram besteira, criaram expectativas pra mim sobre o Anderson, deram conselhos que dava ou não pra aproveitar. Cidinho me disse:
— Não queira ser dono desse boy. É a melhor maneira de curtir.
Mas deixa-me dar detalhes das coisas, por favor! Minha preparação para um encontro que pode acabar em sexo precisa de uma chuca impecável (detalhe essencial) daquela que a água expelida torna-se potável outra vez, porque né... (aqui sem detalhe).
Adoro creme, óleo de banho, amooo (o autor idem), perfume e até um cremezinho com glitter que é pra ser notado mesmo e comentado: "chêro, puta merda, passou brilho até... ôrra, pra quê?" (mozão lá comentando indignado). Segue, please. Cueca, eu escolhi modelo sunga, nem boxer e nem cavada, essa última me brocha total. Jeans, suéter, roupa básica de outono no sul, dezessete graus no final de tarde quando Anderson veio me buscar e ficou esperando um beijo antes de dar partida.
— Como que você tá?
— Bem... — respondo — Cara, como tu é cheiroso. Perfume feminino?
— Aham. Se eu gosto de uma fragrância, não me ligo se é feminino ou masculino. Gosta?
— Delícia.
— Vou cozinhar pra nós hoje. Tá gostoso pra ficar em casa.
— Por mim, acho ótimo. — deu um nervosinho, juro. Ai. Respirei com calma. Cuidei para não espantar o clima pendendo pro romance, com comentários engraçados sobre vômitos de felicidade coloridos.
— Sente alguma dor no seu corte?
— Dor não. Mas é esquisito mexer ali. Já fez algum tipo de cirurgia? — ele nega — Fica sensível. Ficaram uns carocinhos dos pontos e a cicatriz não é bonita. Acho que não dá pra andar sem camisa nunca mais. Foi necessário...
— Tu andava sem camisa antes? Eu sou um que não saio por aí sem camisa.
— Eu também.
— Então não tem problema. Faz parte de ti agora. Eu só acho que não é um troço que parece uma deformidade.
— Verdade... Tu vai cozinhar o que?
— Sou tão legal que tem duas opções pra você escolher, filé a parmegiana ou um risoto de carne seca. Eu vou avisando já, gosto de comida assim. Meu irmão ia desmaiar se num jantar romântico eu contasse que cozinho isso para alguém...
— Hum — acho graça quando Anderson comenta sobre o Marcel por quem já nutro um misto de amor e ódio — Como assim "cozinho isso para alguém"? Quantos foram esses "alguéns"?
— És do tipo que tem ciúme do passado de alguém?
Opa. Pisei errado. Ah! Preciso consertar.
— Deleta, deleta!
— Acho bom mesmo. O papi aqui não gosta dessas imaturidades.
Tô morta com esse papi. Tesão que dá essa sinceridade!
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Sol e Marte
RomanceFinalizado! Romance LGBT. Se você estiver lendo esta história em qualquer outra plataforma que não seja o Wattpad, provavelmente está correndo o risco de sofrer um ataque virtual (malware e vírus). Se você deseja ler esta história em seu formulário...
