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Pov's Lívia

- por que você não vai pra casa?- eu perguntei, estávamos sentados no corredor do hospital- ja passa das dez da noite

- ta tudo bem, eu pego um ônibus depois- o menino estava com a os olhos inchados de tanto chorar- se você não se importar eu queria falar com ela quando ela acordar

- tudo bem- eu sorri

A Cailly passou por mais uma lavagem estomacal, ela tomou muitos compridos. Os médicos tiveram que costurar alguns cortes em seus braços, ver tudo isso se repitir me faz me sentir a pior mãe do mundo. Eu perguntei ao Bernardo se ele sabia o motivo, e então ele me disse... A família do Augusto vai levar um processo, façam o que quiser comigo, mas não mecham com a coisa mais preciosa pra mim

- ela acordou- uma enfermeira disse saindo do quarto

- vamos- eu disse, Bernardo logo se levantou e entrou no quarto

- o que você tá fazendo aqui?- Cailly perguntou, ela estava tão branca quanto papel

- nunca mais faça isso- ele disse e sua voz falhava, ele vai começar a chorar, denovo?

- Cailly- eu falei- o Bernardo quem te encontrou no banheiro

- eu... Eu sinto muito- pude ver uma lágrima escorrendo por sua bochecha- eu não consegui controlar...

- eu sei- eu disse- mas você sabe das regras... Eu vou preparar a sua passagem pra Santa Catarina- com muita dor no  coração eu tomei essa decisão, eu não consigo trabalhar e cuidar da Cailly, ainda mais nessas situações, eu quase não paro em casa, em Santa Catarina pelo menos vai ter pessoas 24 horas com ela

- Santa Catarina?- Bernardo se pronunciou- o que ela vai fazer lá?

- a Cailly morava em um colégio cristão lá, talvez se ela voltar pra lá seja melhor- eu disse

- ou pior- ele me encarou- manter ela distante de você ou dos amigos pode piorar as coisas

- tá tudo bem- Cailly fala- eu estou acostumada

- mas eu não- ele olhou para ela e logo voltou seu olhar para mim- eu vou ajudar

- eu disse que tá tudo bem- Cailly repete

- mas pra mim não está tudo bem- ele se irrita- eu vou ajudar, me dê dois meses... Se ela não melhorar eu não vou impedir ela de ir... Por favor

- não é bem assim que funciona- eu falei- ninguém consegue ajudar a ela, você não tem que se meter nisso querido

- o foi? Quer que eu ajoelhe? Implore por isso?- ele realmente estava desesperado por aquilo- eu vou fazer ela melhorar

- o que você acha?- perguntei olhando para Cailly

- eu não sei...- ela abaixou a cabeça- eu não quero te decepcionar

- a decisão é dela, se ela quiser tentar, tudo bem, mas você tem apenas dois meses- estava me sentindo negociando minha filha, assim como meu pai fez- eu vou deixar vocês conversarem.

filha do tráfico - segundo livroOnde histórias criam vida. Descubra agora