§XVI

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Súplica em favor dos inimigos da Eucaristia.

Diviníssimo Sacramento, real e verdadeiro corpo de Cristo, Deus encoberto debaixo de substância de carne, homem encoberto debaixo de acidentes de pão, o filósofo, o devoto, o político, corno cristãos e católicos, e com o filósofo toda a nossa ciência, e todas as ciências; com o devoto toda a nossa piedade e todos os nossos afetos; com o político toda a nossa conveniência e todos os nossos interesses, e todos os que estamos presentes com tudo o que sabemos, o que amamos e o que esperamos, obedientes à fé e guiados pela razão, às escuras, e com luz, com os olhos fechados, mas abertos, profundamente prostrados ante a majestade tremenda de vosso divino e humano acatamento, cremos, confessamos e adoramos a verdade infalível de vossa real presença debaixo da cortina sem substância desses acidentes visíveis. E com confiança, Senhor, da clemência com que nos sofre vosso amor, e da benignidade com que aceita a tibieza de nossos obséquios, nos oferecemos, nos dedicamos, nos entregamos todos a ele em perpétua obrigação de o servir como escravos, posto que indigníssimos, desse soberano Sacramento. Aumentai, Senhor, pela grandeza de vossa misericórdia, esta família vossa, e pois que o judeu obstinado, o herege cego, e o gentio ignorante não sabem, nem querem orar por si, nós oramos, e pedimos por eles a vós, soberano pastor, que de todos haveis de fazer um rebanho. Ensinai, Senhor, a ignorância do gentio, alumiai a cegueira do herege, abrandai a obstinação do judeu. E para que a maldade e astúcia do demônio tentador os não engane, chegue já a execução de vossa justiça e acabe o mundo de ver atada sua rebeldia naquelas cadeias e fechada naquele cárcere que há tantos anos lhe está ameaçado e prometido para que desta maneira, unidas todas as seitas do mundo na concórdia de uma só fé e religião36, se forme de todas essas seis vozes uma total consonância e perpétua harmonia, cantando todas em todas as quatro partes do mundo, até o fim dele, e confessando alternadamente a muitas vozes, e juntas em uma só voz, a sagrada e consagrada verdade daquele Vere: Vere est cibus, vere est potus.

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