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   - Abre a boca e bebe isso aqui, Lix. - Eu tô desmaiado de novo? Meu deus, eu só faço isso da vida agora?

   - Ele não deveria ter acordado? - Essa voz... eu reconheço essa voz.

   - Já.... - Escuto um bufar familiar. Faço força para abrir os olhos mesmo com a luz quase me cegando.

   - Ave, finalmente. - Abro totalmente os olhos e vejo um nanico aparentemente bravo mas aliviado. Tento me sentar, mas meu corpo todo dói.

   - Aqui, toma isso. Vai fazer você se sentir bem melhor. - Olho para minha esquerda e vejo Minho sorrindo segurando uma tigela com um líquido suspeito. - Relaxa, o gosto é menos pior do que parece.

   Eu pego a tigela e a encaro antes de tomar um gole. Que gosto estranho, não dá pra saber o que é, não é bom, mas também não é ruim. Eu franzo a testa e bebo o restante daquele líquido estranho. Quase que imediatamente eu me sinto mil vezes melhor e quase sem dor nenhuma.

   - Uau, o que tinha nisso aqui? - Minho solta um risinho satisfeito.

   - Como eu disse, essa é minha especialidade.

   - Muito obrigada, Minho - Ele sorri fofo no momento em que o Han chega no quarto.

   - Tá sorrindo assim ora ele por que? - Ele pergunta com um falso ciúmes. Minho levanta num pulo e abraça o mesmo lhe dando um selinho.

   - Tá com ciúmes é? - Han sorri e o beija novamente. Quando Minho se vira para mim, eu percebo que estava encarando os dois e rapidamente desvio o olhar. - Com a poção que eu fiz, em menos de uma hora você já poderá sair daqui. Até Lix, Tchau Binnie.

   Só com ele falando eu lembro que o Changbin ainda está no quarto. Eu olho para o mesmo enquanto ele acena para os dois que estão deixando o quarto. Ele se vira para mim e por um momento nossos olhos se encontram. Ui, arrepiei.

   - Como está se sentindo? - Ele diz frio, mas sei que lá no fundo ele está preocupado.

   - Bem. Muito bem na verdade. Eu... - Então eu finalmente me lembro do que aconteceu. A surra, o tumulto...

   - Felix? - Eu percebo que tinha me interrompido com meus pensamentos. Eu começo a respirar rapidamente entrando em pânico.

   - Meu pai. Onde está meu pai? Ele vai ir atrás de vocês. Vai vir atrás de mim. As meninas elas... as meninas... - Eu sinto um calor envolvendo minhas mãos e olho para as mesmas arfando. Changbin envolveu elas com as próprias mãos e as apertou de leve.

   - Felix. - Seu tom faz com que eu o encare. - Primeiro, respira fundo. - Ele faz isso uma vez sozinho e nas outras três eu respiro com ele. - Mais calmo? - Faço que sim com a cabeça mesmo não tenho tanta certeza disso. - Muito bem. Bom, as meninas estão bem, estão na casa com a Wendy. O seu pai... bem, ele foi preso depois que uma das garotas confirmou que ele arredia vocês. Ele vai passar 5 anos lá.

   O medo de ele vir atrás de mim quando sair da prisão me invade, mas o mesmo é sufocado quando Changbin sorri para mim. De alguma forma eu me sinto confortável e seguro. Ele então olha para nossas mãos juntas e eu faço o mesmo.

   - Suas mãos... - Eu olho para ele confuso enquanto o mesmo segura minhas mãos separadamente enquanto examina elas. - Elas são incrivelmente pequenas. - Eu sinto meu rosto queimar e recolho elas rapidamente olhando para o outro lado.

   - Você é todo incrivelmente pequeno. - Ele suspira e se levanta.

   - Você parece estar bem melhor, não é? - Eu dou de ombros e ele revira os olhos. - Eu vou chamar o médico. - Dito isso ele sai me deixando sozinho. Por que ele me deixa tão nervoso e sem jeito?

   Depois de um tempinho o médico chega e me examina rapidamente, surpreso por eu ter me recuperado tão rápido. Vou até a recepção, preencho a papelada e Changbin me acompanha no caminho até minha casa. Mais ou menos na metade do caminho eu decido quebrar o silêncio estranho entre a gente.

   - Por que você ficou? - Ele continuou andando sem expressar nada. - Digo, o Minho estava lá para me dar a poção, mas e você?

   - Eu gostava mais de você quando não falava. - Eu reviro os olhos e ele começa a olhar para o chão. - Eu só não tinha mais nada pra fazer. - Por algum motivo, eu senti uma leve pontada no peito. Ele então para de olhar para baixo e olha para mim. - E você é meu amigo, eu me preocupo com você. - Ele se vira novamente e essa preocupação dele me faz sorrir de leve.

   Chegamos até minha casa, mas quando olho para ela, eu paraliso. As meninas devem estar atrasadas com o pai preso e eu duvido que a Wendy queira me ver nesse momento. Changbin parece perceber minha hesitação e coloca a mão em meu ombro.

   - Quer dormir na minha casa hoje?

Demi • Changlix Onde histórias criam vida. Descubra agora