Capítulo 4

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POV REBECA

- Você pode me explicar o que foi aquilo? - eu pergunto baixo, pois tinha gente no outro corredor lendo.

- Será que você não percebeu que estava rolando o maior clima entre os dois lá? - ele se curva um pouco na minha direção, ele é muito alto e eu muito baixa.

- Estava? - eu sou muito lerda para perceber essas coisas.

- Lógico que estava. Olha ali. - ele aponta para os dois sorrindo e conversando.

- É que eu sou um pouco lerda para esse tipo de coisa-  ele ri.

- Percebi. - ele revira os olhos. 

Ficamos um tempo em um silêncio muito constrangedor, estava ficando desconfortável. Então ele decide quebrar. 

- Você também anda de skate?

- Não, mas queria aprender. Quando vejo as pessoas andando de skate, parece algo libertador, um dia também quero sentir a mesma coisa. - aquilo que eu falei foi tão profundo, eu hein.

- Verdade, se quiser eu te ensino - acho que não seria uma boa ideia.

- Primeiro, eu nem sei subir em cima de um, segundo, se eu cair, do jeito que eu sou dramática, eu ia me quebrar toda. E terceiro, eu não tenho skate - e mais uma vez ele arregala os olhos, porque eu falei rápido, que nem eu consegui entender o que eu estava falando.

- Primeiro, eu te ensinarei a subir em cima de um. Segundo, você não irá cair, pois eu estarei lá para te segurar. Terceiro, eu tenho o meu antigo, posso te emprestar até você comprar um. - a cada palavra que ele falava, eu ia ficando chocada, nunca pensei que ele teria esse lado amigável.

***

POV MELISSA

- Vamos atrás deles? - perguntamos em uníssono e começamos a rir com situação.

- Vamos. - o Caio fala por fim e nossos olhares se cruzam novamente.

Consigo sentir uma onda de intensidade que o olhar dele transmite, sinto meu coração pulsar com mais força. Levantamos juntos e não desviamos o olhar por um segundo sequer, eu tento, mas todo o meu esforço é em vão. Quando percebo estamos muito próximos, até mais do que eu poderia querer.

Começo a observá-lo. Percebo que seu cabelo está molhado e pouco embaraçado, mas lindo. Ele está usando uma bermuda jeans clara desfiada e uma camiseta branca, ele está simplesmente perfeito. Eu tinha o achado bonito assim que eu bati o olho pela primeira vez, mas, parando para prestar mais atenção ele é muito bonito e atraente, do que pareceu na primeira vez.

Olho nos olhos dele novamente e sinto uma energia, misturada com calor percorrer meu corpo, cada parte. Meu rosto está a milímetros de distância do dele, se eu ou ele nos aproximarmos mais nossos lábios se encostaram, ao perceber isso fico nervosa.

- É melhor irmos logo atrás deles, já está ficando tarde. - tento não encostar nossos lábios.

- Nem deve estar tão tarde assim, mas provavelmente a biblioteca irá fechar em breve. - quando ele fala consigo sentir seu hálito, que por sinal é bem refrescante ao entrar pelas minhas narinas, tem um leve cheiro de menta misturado com algodão doce, essa mistura é extremamente deliciosa. A ponta do meu nariz encosta no dele, nossos lábios estão quase se tocando quando uma senhora baixinha, de cabelos grisalhos aparece.

- Desculpa interromper, mas, é que a biblioteca fecha daqui a meia hora. - a senhora fala com um sorriso amigável e doce.

- Nós já vamos. A senhora poderia me informar que horas são? - a olho corada, muito corada. O Caio percebe e pega na minha mão. A mão dele é quente e macia, fazendo eu me acalmar de alguma forma.

- São vinte horas e trinta minutos. - ela me responde com o mesmo sorriso doce de antes. Meu Deus, eu e o Caio conversamos durante quase uma hora.

- Obrigada. - respondo e ela sai em direção ao balcão perto da entrada. - Vamos procurá-los. - olho para o Caio.

- Vamos. - involuntariamente olho para nossas mãos e ele faz o mesmo. - Desculpa, é que... Eu vi sua mão tremendo um pouco. - ele tenta se explicar. - Não foi minha intenção. - ele me olha um pouco preocupado.

- Sem problemas. - soltamos nossas mãos.

Eu vou à direção na qual a Rebeca e o Pablo haviam ido e o Caio vem logo atrás. Logo encontro os dois na sessão de livros de terror.

***

POV REBECA

- Ok, então... - sou interrompida.

- Desculpa atrapalhar ai, mas será que nós já podemos ir tomar sorvete? - a Melissa nos pergunta.

- Claro. - respondo.

Saímos da biblioteca e eu pego minha bicicleta. Fomos em direção à sorveteria que fica ali em frente mesmo. Uma senhora de cabelos brancos, que usava um avental todo colorido e tinha um belo sorriso nos atende.

- Boa noite, dona Tereza. - o Pablo fala se apoiando no freezer.

- Boa noite, garotos. Vejo que desta vez trouxeram suas namoradas. - nessa mesma hora, eu e a Melissa nos encaramos, e nossas bochechas coraram. 

- Não, - o Caio ri - elas são só nossas amigas mesmo.

- Então, garotos e garotas, o que irão querer? - ela abre a portinha do freezer. Eu ia pedir o que eu sempre peço.

- Vou querer um de uva. - o Pablo se manifesta.

- Vou querer o mesmo. - a Melissa fala.

- Me dê um de... Maracujá. - o Caio aponta para o sorvete.

- Eu vou quer de pitaya. - todos eles me olham - O que foi gente?

- Você gosta desse sabor? - sério mesmo que o Pablo está me fazendo essa pergunta?

- O que você acha? - pergunto em um tom debochado.

A senhora nos entrega nossos sorvetes e nós seguimos para nos sentar em um banquinho ali perto.

O sorvete estava tão bom, que ninguém falava nada, só toma seu sorvete.

- Já acabei. - o Pablo fala se levantando e indo em direção a lixeira.

- Misericórdia, Pablo. - falo de um jeito esquisito, mas engraçado, fazendo todos rir.

- Eu não posso fazer nada se o sorvete estava uma delícia.

- Nessa parte você tem razão e olha, também já acabei o meu. - o Caio fala indo em direção a lixeira.

- Eu ainda não estou nem na metade do meu. - a Melissa fala.

- Nem eu.

- Não seja por isso. - o Pablo pega uma colher do meu sorvete sem nem pedir permissão, logo em seguida ele faz uma careta. - Meu Deus! Rebeca, que sorvete azedo, parece até de limão.

- Ei! - dou um tapa nele. - Olha como você fala do meu sorvete.

- Deixe-me experimentar um pouco. - a Melissa pega um pouco e também faz careta.

- Uai gente, ninguém vai gostar do meu sorvete?

- Desculpa amiga, mas esse seu sorvete é muito azedo.

- Eu não vou nem experimentar, só de ver a cara desses dois, dá para ver que o negócio é azedo mesmo.

Ficamos ali durante mais alguns minutos conversando. Quando eu olho no relógio já são dez para as dez da noite. Minha mãe vai me matar.

- Gente, já está tarde. Será que podemos ir, Melissa? - levanto.

- Claro... Tchau, meninos.

- Uai, vocês moram juntas? - o Caio faz uma cara de confuso, fazendo eu e ela rirmos.


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