Prólogo

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Manhattan, 2010

—Ah, eu não vou conseguir.— Dulce Blossom estava desesperada na cama daquele hospital, nunca sentiu uma dor tão forte e horrível como aquela. Nunca havia acreditado que o parto doía tanto, ainda mais quando se está grávida de gêmeos. — Eu preciso do meu marido! Cadê meu marido?!— Gritou sentindo todas suas forças irem embora.

— Eu já liguei pra ele, irmã. Está a caminho! — Anahí Blossom, irmã mais velha de Dulce. Ela cuidou da irmã como se fosse sua filha, quando seus pais morreram em um acidente de avião, ela tinha apenas quinze ano e Dulce dez. Foram morar com a avó na capital da cidade do México e lá Dulce conheceu Christopher, os dois se apaixonaram e se casaram. A mãe de Christopher não aceitou muito bem o relacionamento de ambos por achar que seu filho merecia algo melhor. Já que a família de Dulce não tinha condições financeiras.

Alexandra observou o filho correr apressadamente para o carro e revirou os olhos. Aquela hora Dulce já estava parindo. Mas ela iria dar um jeito nisso ah se ela ia!

— Christopher, aonde vai ?— Perguntou como quem não quer nada. Já havia sido avisada pelo enfermeiro a qual ela subornou para fazer seu plano dar certo.

— Meus filhos, mamãe! Estão nascendo.— Não falou mais nada e correu para o carro.

Ele correu tanto com o carro que percebeu todas as buzinas que eram direcionadas a ele. Mas não se importava, ele só queria estar presente quando seus bebês nascessem, ele precisava segurar a mão de Dulce e dizer que tudo ficaria bem.

— Nasceu! — A médica falava para o enfermeiro, que olhava tudo com cautela.— A mãe desmaiou!

— Deixa comigo, eu cuido da criança.— A médica o olhou receosa. — Dona Alexandra já depositou seu dinheiro.

Alexandra também havia pago a médica e obstetra de Dulce, antes do parto, Anahí fora praticamente expulsa da sala de parto por não estar com roupas "apropriadas"

— Se dissermos que todos estão mortos ele vai desconfiar. Só o bebê vai ficar com ele!— A médica falou e o enfermeiro concordou e pegou o menino no colo o levando para fora da sala.

Christopher estava desesperado, seu pneu havia furado a algumas quadras do hospital. Tinha que acontecer justo agora ?

— Doutora! Como está minha irmã? E meus sobrinhos ?— Anahí falou.

— S-sinto muito em lhe informar.— A médica sussurrou.— Um dos bebês não sobreviveu.

— O quê ? — Anahí sentiu seus olhos se encherem de lágrimas.

A médica explicou que o bebê sufocou enquanto estava saindo.

— Luca...— Anahí dizia enquanto chorava. Pegou o celular e ligou para Christopher.

Alexandra observou o celular tocar, Christopher havia esquecido. Ela olhou o visor e sorriu, seu plano estava dando certo. Ela havia mandado Christopher para outro hospital.

— Alô ? Chris?— Anahí perguntou.

Alexandra fingiu uma voz de choro e respondeu.

— Não...— Fungou.— Não é Chris.

— Alexandra? Onde ele está?

— Chris sofreu um acidente.— Chorou mais ainda.— Ele faleceu Anahí, eu perdi meu filho.— Fez um drama todo.

— Ah, meu Deus.— Anahí parecia não acreditar, Dulce não iria suportar, a morte do marido e nem a do filho.

Enquanto isso Christopher ainda estava ajeitando o carro com pneu furado, não pôde se comunicar com ninguém pois havia esquecido a droga do celular.

Alexandra chegou na porta do hospital rapidamente e viu o enfermeiro com um pequeno embrulho azul.

— Até que enfim.— Ela pegou o bebê nos braços.— Bom trabalho.— Entrou no carro e deu partida.

Christopher voltou para o hotel decidido a ligar para o hospital, ou pelo menos pegar um táxi mas quando chegou lá ele tomou um grande susto ao ver a mãe chorando e segurando um bebê nos braços. Ele estava nervoso, suas malas já estavam prontas pois ele e Dulce iriam voltar para a cidade do México onde moravam só que a bolsa dela estourou enquanto ele estava em uma reunião. Ela havia ido com ele e sua mãe a uma viagem de negócios.

— Mãe... Quem é esse bebê?— Perguntou preocupado.

—Christopher...— Ela estendeu o bebê para ele pegar. O mesmo ficou estático.— É Luca.

— Luca ? Então eles nasceram ? Meu Deus, mãe! Cadê a Dulce e minha filha?— Perguntou enquanto pegava o bebê no colo.

— Eu sinto muito, filho. As duas não resistiram.

— O quê?

Christopher sentiu seu mundo desabar.

Dulce acordou atordoada, queria ver os filhos e Christopher.

— Annie ?— Observou a irmã que a olhava distante.— Cadê meus bebês? E Christopher?

— Dul... Luna está no berçário, parabéns ela é linda.

— E o Luca ? E Christopher ?

— Eu... Eu sinto muito, o bebê não resistiu, o médico me disse que ele sufocou.

— Não, meu filho não...— Sussurrava.— Cadê o Christopher? Eu preciso dele.

— Se acalma, por favor. Alexandra me ligou, sei que ela nunca gostou de você mas... Ela me disse que Christopher faleceu em um acidente de carro enquanto vinha para o hospital. Dulce, eu... Sinto muito.

Dulce sentiu como se alguém tivesse dado um tiro em seu peito, a vida tirou dela as pessoas mais importantes. A vida era cruel e horrível. Tanto que um conto de fadas acabou se transformando em um terrível pesadelo.

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