Capítulo Extra - Laurent

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As ruas lotadas de Tókio não iriam me fazer saudades, isso porquê a última coisa que eu queria era pisar naquela cidade novamente. Perdi tudo ali, desde meu emprego até qualquer honra que podia carregar comigo. Abro as cortinas do quarto, sentindo a luz queimar meus olhos por causa da claridade, por isso alcanço um cigarro, acendendo e tragando toda a química possível.

Sem qualquer pressa, visto meu terno slin com corte italiano, pretendendo ficar arrumado, mas não o suficiente para decidirem arrancar todo o meu dinheiro naquela reunião. Jogo uma água no rosto, para afastar a imagem de ressaca, assim como o tomo o comprimido para dor de cabeça, que desce rasgando por minha garganta.

— Você está pronto, Laurent? — Meu advogado alguns anos mais velho do que eu, mas com uma careca brilhante, abre a porta do meu quarto, arrancando-me sem pensar duas vezes em direção a sala de reunião do hotel. — Você fica quieto durante a reunião, estamos entendido?

— Não fale comigo como se eu fosse uma criança. — Solto meu braço de sua mão, e assim que entramos no local, dou de cara com a pessoa responsável pela minha desgraça, por eu ter perdido Isla e meu emprego. No auge de sua vida, com apenas 22 anos, Sayuri me encantou a primeira vista com sua pele tão branca quanto leite, cabelos pretos e rosto delicado, assim como um pequeno corpo, no trabalho, ela parecia uma verdadeira boneca.

— Laurent... — Sua voz fina soou dos lábios, mas logo foi interrompida por meu advogado. — Não se dirija ao cliente, estamos entendidos? Só viemos assinar o acordo.

Uma pasta foi jogada no centro da mesa de mogno, e a advogada de Sayuri leu o texto, arregalando os olhos de incredulidade, empurrando o conteúdo de volta para o local de início.

— 100 dólares americanos? Isso não é nada para seu cliente, o relógio no pulso dele vale pelo menos dez vezes mais do que isso.

— Sabe qual é o problema? Infelizmente, meu cliente não tem nada no nome dele que justifique um valor mais alto... Ele está desempregado, sem imóveis próprios... — Robert, meu advogado, sorriu de maneira irônica, apenas dando de ombros, mas meu olhar estava fixo em Sayuri, que não tinha mais aquele brilho no olhar de quando me via pela manhã. — Vocês podem ir na justiça, recorrer, talvez tenham a sorte de ganhar a demanda, mas sabe quando vocês vão receber algum dinheiro? Nunca.

— Ele é seu também, Laurent. — Sayuri rompeu o silêncio, levantando e colocando ambas as mãos na mesa.

— Eu nunca quis. — Minhas palavras foram secas o suficiente para lágrimas escorrerem dos olhos de Sayuri, que voltou a se encolher na cadeira, como se cada pedaço fosse quebrado. Tão nova, tão estúpida. 

— Vou acabar com você, Laurent... Em qualquer lugar que você vá, eu vou conseguir as provas. — A japonesa, minha antiga assistente, simplesmente levantou, derrubando a cadeira antes de pegar o acordo e jogar em minha direção, acertando a lateral de meu rosto, perto do olho direito. Meu advogado gritava que ia processá-la por lesão corporal, mas eu apenas levantei a mão para que ele calasse a boca, afinal, que prova ela teria? Quem se viraria contra mim?

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