Música do capítulo = You Say.
Uma semana se passou desde aquela segunda movimentada entre as duas mulheres.
Se viram todos os dias, pois eram fiéis aos seus almoços na sala reserva do Bicalho's, e a cada dia que passava se sentiam mais próximas. Mesmo sendo muito reservada, Gizelly havia se aberto um pouco mais para a atriz, soltava detalhes de sua vida aos poucos, mas já eram suficientes para deixar a mais nova radiante. Cada nova informação era uma gota de confiança a mais que a chefe depositava nela e isso era muito importante para Rafaella.
As palavras da capixaba após a primeira sessão de cinema martelaram durante dias em sua cabeça, a fazendo pensar nos prós e contras de escutá-la, porém nunca chegando a uma conclusão. Queria matar essa ansiedade e descobrir de uma vez o motivo das ligações insistentes de sua mãe, mas ao mesmo tempo sentia medo. Não sabia exatamente do que tinha medo, se era de ouvir que alguém estava doente, de acabar sendo apenas uma fofoca e ela ter sofrido por antecipação ou se de estar certa e acabar recebendo uma notícia para a qual não estava preparada.
Todas as noites ficava encarando o celular, presa no dilema de ligar ou não ligar. Mas algo estava diferente na noite daquela terça-feira, um sentimento esquisito tomava conta de seu peito e implorava para que ela ligasse, e foi isso que finalmente venceu a resistência da mineira.
O aparelho em suas mãos tremia assim como suas pernas, que lutavam para cumprir sua função de mantê-la em pé. A cada segundo que passava ouvindo o silêncio do outro lado da linha, sua preocupação aumentava, e estava quase entrando em desespero quando sua mãe finalmente atendeu.
- Rafa? Minha filha, é você mesmo? - Por mais que a voz de Genilda a acalmasse um pouco, o aperto no peito ainda estava lá e isso despertava todos os tipos de medo na mineira.
- Sim, mãe, sou eu. Liguei para saber como a senhora está - Mal terminou a frase e ouviu o choro da mais velha.
- Mãe, por que a senhora tá chorando? Aconteceu alguma coisa? - Queria cobrar uma resposta mais rápida, mas sabia que isso só faria a mulher ficar ainda mais nervosa, então esperou.
- Aconteceu sim, minha filha - Percebeu que Genilda fungava, tentando se acalmar.
- O que houve? Onde a senhora tá? Tem alguém aí com você? - Bombardeou a mãe com perguntas, já planejando as ligações que teria que fazer para ajudá-la.
- Eu estou no hospital, querida! - Sentiu seu corpo gelar com a palavra "hospital". Mil possíveis acidentes que poderiam ter acontecido na fazenda em que sua família vivia...
- No hospital? A senhora se machucou? Tem alguém aí com a senhora? Quer que eu ligue pro Tato? - Ouviu a risada de Gegê pelo celular e se sentiu confusa como nunca antes sentira - A senhora está rindo?
- Desculpa, minha filha, mas você entendeu tudo errado! Eu estou bem, e não estou sozinha. Tato está aqui comigo, esperando o médico liberar a Dani - Então o problema era com sua cunhada, mas o que havia acontecido? Seria apenas uma virose, ou algo mais sério? Rafaella continuava bastante preocupada, apesar da situação tensa que se instalava toda vez que visitava seus pais, sua relação com Dani sempre havia sido ótima. A loira não tinha culpa de sua infelicidade ou do jeito indiscreto e exagerado com que o resto de sua família resolvera lidar com ela. Sempre a havia respeitado e a atriz retribuía da mesma maneira.
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No Words - Girafa
FanfictionEm um universo onde cada pessoa tem as primeiras palavras que ouvirá da boca de sua alma gêmea desde o seu nascimento, a felicidade é algo facilmente avistada por cada um. Mas nem todos têm um primeiro encontro romântico e agradável com a sua pessoa...
