Música do capítulo: ainda bem que chegou.
- Ok, eu acho que morri e fui para o paraíso, só isso explica uma vista dessas - Mesmo morando no Rio de Janeiro há três anos, Rafaella conhecia muito pouco da beleza do local. Devido à sua rotina intensa de gravações, acabava sempre optando pelos locais mais próximos de casa em seus horários de lazer, e hoje percebia que isso tinha sido um grande erro. Mal haviam chegado na pousada e já estava completamente apaixonada pelo local.
Na subida até o chalé, bromélias trilhavam seu caminho até o começo da pequena escada que o ligava à natureza. O ar era o mais puro que já sentira, e o vento leve que acariciava seu corpo fazia com que ela quisesse livrar-se de seus sapatos para que pudesse enterrar seus pés na grama. Gizelly, que não havia tirado os olhos da mineira desde que chegaram, não pôde deixar de sorrir ao ver a expressão realizada em seu rosto, claramente havia feito certo em convidá-la para ser sua companhia. Porém, a companhia agradável não fazia o peso da mala em suas mãos diminuir, e por isso a mais velha teve que acabar com o momento da atriz.
- Sinto muito interromper seu namoro com a paisagem, mas eu sou uma pequena chefe de cozinha com braços curtos e fracos que parecem que vão cair do meu corpo se não chegarmos logo até aquele chalé - O drama de Gizelly tirou gargalhadas de Rafaella, que logo percebeu a reclamação por trás do comentário e tratou de adicionar as malas da menor à sua, a qual levava tranquilamente com uma única mão. Pelo menos naquele momento, a chefe estava sendo mais dramática que a atriz.
- Sem problemas, eu levo para você - A capixaba só percebeu o que a mais jovem planejava quando tudo que conseguia ver dela eram suas costas definidas subindo em direção à escada.
- Ei! Para com isso, eu posso levar minha própria mala, você não precisa fazer isso - Rafa notou um certo tom de birra na voz da Bicalho, mas ignorou.
- Não faz sentido você fazer isso enquanto eu consigo carregar as duas tranquilamente. Subir esse restinho carregando peso vai tirar energia que poderia ser gasta naquela água cristalina ali - Indicou o pedaço do rio que passava a sua frente, e a expressão no rosto da menor deixou claro que ela havia ganho aquela discussão.
Quando finalmente chegaram ao chalé, ambas ficaram encantadas com o lugar, tudo nele era rústico, porém aconchegante. A banheira azul com vista direta para a imensa janela permitiria momentos de paz relaxamento para elas, a pequena mesa de madeira era perfeita para duas pessoas, e a cama tamanho queen parecia extremamente confortável mesmo de longe. Ambas acharam que a outra surtaria ao perceber que havia uma única cama no local, mas os acontecimentos recentes as tinham deixado tão felizes que nenhuma delas sequer se preocupou com aquilo.
- Nossa, se eu não conhecesse Bianca, diria até que ela queria me agradar - A chefe estava levemente chocada com o quão sua cara era o presente que recebera da empresária. Gizelly sempre fora bastante conectada à natureza, e jamais perdia uma chance de mergulhar em águas que permitiam enxergar seu próprio pé, e Bia sabia disso, esteve ao seu lado em muitas dessas vezes até, mas a caçula não imaginava que ela ainda lembrava disso. Até cogitou que Mariana tivesse tido alguma influência na escolha, mas então lembrou-se que não havia como a baiana saber disso, uma vez que nunca chegaram a ter a oportunidade de fazer passeios como esse. Não, isso era definitivamente coisa de Bianca Andrade, a chefe só não entendia o porquê.
- Ah, não! Você não vai citar a sua irmã desagradável, que ficou de cara feia durante sua festa inteira, durante esse fim de semana. Eu te proíbo! - Demorou alguns segundos para que a mais velha percebesse que a indignação da atriz não era falsa, isso deu brecha para que ela continuasse a lançá-la em sua direção - Eu sei que foi ela quem te deu esse presente maravilhoso, mas falar dela sempre faz você ficar com aquela carinha triste que corta meu coração, e esse fim de semana vai ser livre de qualquer tristeza - A mais alta continuava seu monólogo com convicção, enquanto uma Gizelly surpresa com o seu pensamento atencioso lhe encarava, petrificada - Então, eu decreto que Bianca Andrade Bicalho é um assunto proibido a partir desse minuto!
Mesmo que Rafaella ficasse fofa falando com tanta certeza, não foi isso que fez com que a capixaba saísse de seu estupor e se dirigisse até ela para capturar seus lábios. O responsável por isso foi o olhar atento da mineira, que procurava qualquer sinal de desconforto nos gestos da menor, e que fixava em sua boca alguns segundos a mais, provavelmente pensando na mesma coisa que ela. A postura corporal da mais nova, ereta e imponente, também ajudava nessa missão, uma vez que mesmo com o ar dominante que lhe cercava naquele momento, Rafa não deixou de ser carinhosa um minuto sequer. Ela conseguia ser dois opostos em uma única mulher, e isso era exatamente o que Gizelly queria que seu alguém fosse.
- Você tem razão, Rafa. Um fim de semana sem pensar nela me fará bem - Deu um último selinho antes de ir em direção à mala, que Rafaella havia deixado na entrada do chalé, começou sua procura por uma peça de roupa específica. Enquanto isso, a atriz se encontrava congelada no meio do cômodo, ainda perdida no gosto da mulher que amava.
*
- Rafa, pelo amor de Deus, você não viajou até aqui para não entrar na água porque está gelada - Disse Gizelly, que nadava de um lado para o outro nas águas cristalinas do rio que passava pela pousada. Enquanto isso, Rafaella se negava a acompanhá-la em seu mergulho, alegando que a água estava gelada demais e ambas ficariam com frio depois.
- Eu só não quero ficar doente, Titchela. Essa água está um gelo! - O jeito como a mineira encarava o rio como se ele fosse mordê-la, era extremamente engraçado para Gizelly, que ria do exagero da mais nova.
- Não vai ficar doente, Rafa. A água fica melhor depois que você entra, confie em mim - O bico que a capixaba fez acabou com a convicção da mais alta, que mesmo com resmungos e muita hesitação, jogou-se na água. Assim que emergiu de seu primeiro mergulho, Rafaella voltou com sua onda de reclamações, e abraçou seu próprio corpo em uma tentativa de se aquecer.
- Você mentiu! Essa água está congelando, Gizelly! Eu vou sair daqui - Antes que a atriz pudesse cumprir sua ameaça, a chefe puxou-a pelo braço e agarrou sua cintura, puxando-a de modo que seus corpos estivessem colados.
Isso fez com que a mais alta esquecesse momentaneamente do frio que sentia, pois o calor do corpo da menor era tudo em que conseguia pensar. Desde que a vira com o biquíni vermelho vivo, tentava ignorar o calor que seu corpo causava nela, tentava controlar seus olhos para que ele não percorresse cada curva do monumento que era Gizelly Bicalho, e até o momento estava conseguindo controlar-se. Mas ao sentir a pele quente na sua, e a respiração em seu pescoço, seu cérebro pareceu parar de funcionar, e a chefe tomou conta de seus pensamentos.
- Viu? Assim fica mais quentinho... - A mineira sabia que o beijo estalado que a outra dera em seu pescoço havia sido em um sinal de carinho e não com segundas intenções, mas não pôde deixar de arrepiar-se com a sensação gostosa que aquele gesto causava em seu corpo. Cada toque mínimo da capixaba fazia seu corpo reviver, e isso fazia com que ela reavaliasse sua tranquilidade em dormir na mesma cama que ela.
- É, fica mesmo. Agora você terá que ficar agarrada em mim o tempo todo, quero nem saber... - A menor riu baixinho do argumento da mineira, que parecia muito satisfeita consigo mesma.
- Ótimo, então significa que meu plano está dando certo - Rafa virou seu rosto para trás, tentando ver o rosto da chefe, mas a posição das duas impedia que isso acontecesse. Teve que dar seu sermão falso de costas para ela mesmo.
- E que plano seria esse, Chefe Bicalho? De me fazer congelar até a morte? Isso não é uma morte glamorosa, sabia? - Ainda rindo do drama da maior, Gizelly apoiou seu queixo em seu ombro, encarando a bela vista à sua frente.
- Fazer você entrar na água para que eu pudesse ficar agarrada em você e receber meu beijo de bom dia, já que você não me deu nenhum ainda - A confissão da amada fez Rafaella travar completamente em seus braços, ainda não havia se acostumado com a ideia de que podia beijá-la sem medo, nem com a informação de que Gi desejava isso tanto quanto ela. Mas se tinha uma coisa que Rafaella Kalimann não era, era boba, então aproveitando a brecha dada pela chefe, a mais alta virou-se em seus braços, ficando de frente para ela.
- Ah, que falha a minha! - A atriz puxou a menor, e manteve suas mãos em um afago carinhoso porém firme em seu pescoço enquanto aproximava suas bocas - Permita que eu me redima pelo meu erro - Dessa vez não esperou resposta, apenas fez. Colou sua boca na da capixaba e aproveitou-se da reciprocidade para aprofundar o beijo e perder-se em seu gosto. Cada vez que a beijava, entendia o porquê de escritores famosos descreverem o beijo como algo tão desejado, pois Rafaella desejava beijá-la todo dia se fosse possível.
As mãos delicadas da Bicalho percorriam suas costas de maneira suave, mas que causava arrepios em sua pele. Seu corpo respondia aos toques da menor da exata maneira que esperara que acontecesse quando encontrasse sua pessoa, cada toque parecia ser milimetricamente moldado para o corpo da mineira.
- Hmmm, agora sim. Bom dia para você, Rafaella - Era difícil dizer quem tinha o sorriso mais bobo entre as duas, ou o olhar mais brilhante, a boca mais inchada pelas carícias dos lábios da outra. Estavam em uma situação de igualdade, igualmente felizes, igualmente extasiadas, igualmente apaixonadas.
- Bom não, excelente - A boca de Gizelly, que já era naturalmente convidativa, ficava ainda mais linda após Rafa saber que ela esteve em contato com há sua instantes antes, e isso somado ao fato da chefe ter um corpo que tirava toda a sanidade da mineira a tornava irresistível. Por isso beijou-a novamente, com mais desejo dessa vez, e sentiu a chefe aumentar a intensidade do aperto na pele exposta de suas costas, o que era um claro sinal de que seus avanços estavam sendo bem vistos pela outra. Sentia as mãos macias da mais velha percorrerem seu corpo, o que a deixava viva de uma maneira que nunca havia sentido até aquele momento.
Já não havia espaço entre seus corpos, e já não se era possível saber qual gosto era de qual boca, qual perfume pertencia a qual mulher. Estavam unidas em uma dança sensual e afetuosa chamada beijo, e elas eram exímias bailarinas que haviam achado seu par ideal, e não planejavam parar com a valsa tão cedo.
Rafaella estava completamente perdida no mar de sensações que aquele beijo lhe causava, e isso foi o que fez com que ela se distraísse o suficiente para levar um grande susto ao sentir a mão direita de Gizelly acariciar o local de seu corpo que fizera tanto esforço para esconder. Enquanto arrumava as malas para o final de semana em Visconde de Mauá, tomou os devidos cuidados para escolher apenas as roupas que esconderiam sua marca, enfrentando até uma grande dificuldade em encontrar uma roupa de banho que a cobrisse. Foi por isso que acabou levando apenas um maiô preto sem fendas dos lados e com um decote que revelava apenas até parte da volta superior de seu seio, qualquer outra escolha daria chances da capixaba descobrir as palavras escrita embaixo de sua mama esquerda, e isso não era algo que ela queria que Gizelly descobrisse assim. Tinha um ótimo plano para fazer a revelação, um projeto de conversa todo arquitetado em sua mente e que seria posto em prática assim que voltassem para a capital, e não permitiria que seu hormônios enlouquecidos estragassem seu plano perfeito. Por isso, afastou-se da menor, dando a desculpa de que precisava recuperar o fôlego gasto durante o beijo, o que não era de todo mentira.
- Ficou sem fôlego, é? Pois se eu fosse você tratava de recuperar, caso contrário, vou chegar naquela pedra antes de você - A Bicalho nem deu tempo para que ela reagisse, e começou a nadar em direção à gigantesca pedra do outro lado do rio. Bastaram apenas alguns segundos para que a atriz se recuperasse da surpresa pelo desafio que fora lhe feito, e logo ela já seguia o belo corpo da chefe pelas águas cristalinas.
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- Você sabe que você só ganhou porque é maior que eu, né? Isso te dá muita vantagem... - Mesmo já tendo passado horas desde sua derrota no desafio de natação, Gizelly ainda tentava convencer Rafaella de que seus 1,73 de altura haviam sido o que fez ela ganhar. A atriz apenas ria do grande bico que havia tomado conta do rosto da mais velha, e aproveitava para dar selinhos nele sempre que podia o que parecia fazer com que ele ficasse ainda maior. Estava começando a desconfiar que esse drama todo não era Gizelly sendo uma má perdedora e sim uma mulher dengosa que não quer pedir por carinho, então obrigava quem ela deseja a dá-lo por livre e espontânea vontade usando sua fofura.
- Você realmente odeia perder, não é? Fica toda emburradinha... - Aproveitou que a posição que estavam na banheira do chalé e deu um beijo delicado em sua nuca. A capixaba tinha, mais uma vez, um sorriso enorme no rosto, não se sabe se pelo carinho ou pela implicância da atriz. Passara o dia sorrindo, como se alguém tivesse colado um sorriso em sua cara, mas estava começando a entender que esse seria um procedimento padrão quando passava tempo na companhia de Rafaella Kalimann.
- Sim, odeio. Quando éramos crianças, Bianca sempre ganhava de mim por ser maior que eu, eu perdia todas as corridas... - Notou o tom distante na voz da chefe enquanto lembrava de seu passado, era como se tivesse sido em outra vida, não conseguia nem imaginar como eram as coisas antes do afastamento das irmãs. Das duas vezes em que havia ficado na presença de Bianca, não havia sentido nenhuma cordialidade vinda da mais velha, nem com ela e muito menos com Gizelly. A empresária havia passado o aniversário todo emburrada e falou muito pouco, o que fez com que os Kalimanns fizessem diversas perguntas que Rafa não poderia responder sem quebrar a confiança de Gi - Mas papai sempre me deixava ganhar, e mesmo que eu soubesse que ele poderia ganhar de mim com facilidade, era bom saber que ele se importava com essas coisas pequenas. Ele até me chamava de "Meu elefantinho" por causa disso - A mineira não entendeu a relação entre o apelido carinhoso e o fato da menor ser uma péssima perdedora, então teve que pedir por uma explicação.
- O que o apelido tem a ver com isso?
- Ele dizia que eu ficava com uma tromba quando estava emburrada, então uma vez ele disse isso e o apelido pegou. Eu não me importava, achava carinhoso - E era com certeza. A relação de Antônio com sua filha parecia ser quase intocável, tamanha a cumplicidade entre os dois. Não podia imaginar o quanto a capixaba deve ter sofrido com o que aconteceu em Búzios, o quão desapontada ela deve ter ficado com o homem que até então era seu herói.
- É o elefantinho mais lindo desse mundo - Moveu suas mãos, que seguravam na cintura da chefe, até sua perna, onde duas mãos descansavam de maneira nostálgica sobre a coxa torneada. Enlaçou seus dedos nos dela e apertou de leve, querendo fazer sua presença óbvia para a menor, e confirmar que ela não estava mais sozinha.
- Disse a deusa grega - Retrucou Gizelly, que trouxe o emaranhado de dedos até sua boca e ali depositou um beijo delicado, agradecendo pela presença da mineira. Ficaram na banheira por algum tempo, até que a água ficou fria e o vento era forte demais para ser agradável. Então a mais velha resolveu ligar a lareira do cômodo enquanto Rafaella escolhia a janta nos diversos cardápios que os funcionários da pousada deixavam à sua disposição. Após fazer o pedido, a mais alta aproximou-se da outra, que descansava no sofá preto no canto da sala, e aninhou-se em suas costas - Você acha que sua família ficou chateada comigo porque eu não dei muita atenção para eles?
- O que? Claro que não, por que eles ficariam? Eles vieram lá de Goiânia só para te ver, fizeram viagens com o tempo contado só para te prestigiar no seu dia, eles só queiram ver você, bebê - Sentiu o peito da Bicalho subir e descer de maneira pesada, como se isso estivesse em sua cabeça há algum tempo, e não estivesse lhe fazendo bem.
- Ah, não sei. Eu queria ter ficado um pouco mais com eles, mas eu não podia deixar Mari toda de fora das conversas, ela não sabe nada sobre nossa viagem à Goiânia. Não faz ideia do que fizemos lá, ou sobre o que conversamos, ela se sentiria deslocada - A chefe encarava o teto fixamente, e nele procurava as palavras que precisava para se fazer entender corretamente.
- Eles entenderam Titchela. Saíram de lá elogiando o lugar, a comida, as companhias... Nenhum deles queria voltar ontem de manhã, mas Tato precisava trabalhar, então se obrigaram a ir, mas já deixaram claro que dá próxima vez que vierem querem te ver novamente. Você virou parte do roteiro deles no Rio de Janeiro agora, só aceite isso... - A mais baixa refletiu sobre as palavras da mineira e acabou acreditando nelas. Havia criado uma ligação muito bonita e sincera com a família da mais nova, e não deveria ser tão difícil para ela entender que eles se sentiam da mesma maneira que ela se sentia, e que pegariam um avião às pressas só para comparecer em seu aniversário.
- É, eles viraram parte do meu roteiro de Goiânia também...
- Tenho certeza que eles vão ficar realizados em te receber novamente - Estranhamente, isso era algo que a capixaba tinha vontade de fazer, queria voltar àquela casa e passar incontáveis fins de semana com a família Kalimann. Queria ensinar mais um monte de truques culinários para Tato, e conversar sobre roupinhas de bebê com Dani enquanto come o pudim feito por Dona Genilda. Queria estar presente para ajudar Rafaella a cuidar do bebê para que o irmão e a cunhada tenham uma noite romântica, queria fazer parte da loucura que é a família Kalimann - Mas, Titchela, tem uma coisa que eu preciso te contar - O tom sério da maior fez com que a chefe se virasse em seus braços e a encarasse nos olhos, a procura de dicas sobre a gravidade do que veria a seguir.
Seu maior medo era a rejeição, com certeza. Mesmo que desse seu máximo para ignorar o fato de que a atriz tinha as palavras de outra pessoa em seu corpo, ela sabia que isso um dia o assunto viria à tona, e elas teriam que conversar sobre. Mas as expressões faciais de Rafa não indicavam nada muito ruim, ela apenas estava cautelosa enquanto escolhia suas palavras.
- Enquanto aguardávamos no aeroporto, minha mãe comentou algo sobre a bela homenagem que sua mãe fez para o seu pai. No começo eu não entendi direito, mas quando ela mencionou uma tatuagem eu descobri sobre o que ela falava... - Não foi preciso uma palavra a mais para que Gizelly entendesse a confusão feita pela matriarca dos Kalimanns. Lembrar-se da roupa usada por Márcia na noite de Quinta-feira e o quão curta suas mangas eram, foi o suficiente para sua compreensão. Ao longo do antebraço direito, a frase proferida por Antônio há mais de trinta anos permanecia pintada em um preto vivo.
- E o que você disse?
- Nada, puxei conversa com meu pai e rezei para que ela esquecesse do assunto. Eu sei que você não gosta de falar sobre isso, mas eu achei melhor não te deixar despreparada para um futuro encontro entre vocês... - E Rafaella tinha feito o certo, ela não sabia qual seria sua reação caso esse assunto fosse puxado sem aviso prévio com alguém que não deveria saber nada sobre. Mas ao mesmo tempo algo naquela informação lhe deixava feliz. Nos últimos três anos, Márcia havia evitado roupas sem manga como o vampiro evita alho, e nenhum esforço de suas filhas havia tido efeito. Aquela havia sido a primeira vez em que vira sua mãe com uma roupa diferente das que costumava usar, e a chefe considerava isso uma vitória. Talvez ela estivesse se curando...
- Obrigada, Rafa. Você fez o certo, não se preocupe - Beijou-lhe os lábios, onde procurava uma fonte de esperança para sua teoria semi formada. Pela primeira vez em sabe-se lá quanto tempo, as coisas estavam melhorando na vida pessoal de Gizelly Bicalho.
Eita que a boazuda tomou um susto, hein?
Gente, seguinte, como alguns de vocês sabem, eu faço faculdade, e nessa semana que passou e na semana que vem, é quando acontecem minhas provas/trabalhos. Por isso, eu não vou conseguir escrever nem atualizar na sexta que vem, e a fic vai ficar UMA SEMANA SÓ sem atualização.
Desculpa, mas eu não consigo fazer tudo :(
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No Words - Girafa
FanfictionEm um universo onde cada pessoa tem as primeiras palavras que ouvirá da boca de sua alma gêmea desde o seu nascimento, a felicidade é algo facilmente avistada por cada um. Mas nem todos têm um primeiro encontro romântico e agradável com a sua pessoa...
