Amanda acordou e o cheiro de Harry estava por toda parte: sua cabeça doeu o suficiente para que fechasse os olhos e xingasse baixo. Seus músculos preguiçosos despertaram e ela se sentou no sofá, involuntariamente procurando por ele.
— Bom dia, Mandy. — Sorriu, colocando uma xícara grande de café na mesa. — Desculpe mexer nas suas coisas, mas achei que acordaria com fome.
E memórias da noite passada invadiram sua cabeça: o beijo casto, como Harry lhe colocou dentro do carro e beijou sua testa, lhe confortando e dando espaço para que lidasse com isso. Como secou seus cabelos após um longo banho quente, lhe ajudou a se deitar na cama e segurou sua mão, e como ela se esgueirou no meio da noite para deitar-se com ele, que apenas abraçou sua cintura e afundou o rosto em seu pescoço, dormindo ao som da chuva torrencial que caía lá fora.
E ele foi o primeiro a lhe tratar com tanto carinho.
— Bom dia, Harry. — O cumprimentou, ainda sonolenta. Amanda passou a mão por seus cabelos e tentou os arrumar um pouco, que não deu muito certo. — E não se preocupe com isso, muito obrigada pelo café da manhã.
Amanda se levantou, caminhando em passos lentos até a mesa onde Harry já estava sentado. Sorriu para ela antes de levar a xícara verde até os lábios, tomando um pouco de chá e tentando ignorar a vontade de colocá-la em cima da bancada e lhe beijar.
— Obrigada por ontem, Harry... — começou, sem manter contato visual. — E me desculpe por te dar trabalho.
Ela precisava dizer isso.
— Não se preocupe, você não me dá problema algum. Coma um pouco, talvez não esteja tão bom quanto suas panquecas, mas me esforcei. — Piscou, levando o garfo com ovos mexidos a boca.
— O cheiro é delicioso, Harry.
— Oh, acho que esse diálogo já aconteceu antes.
Não mencionaram o beijo em momento algum durante o café da manhã, mesmo que o desejo já corroesse Harry por dentro, ele precisava de mais. Estava viciado nela, e não era de todo ruim: mesmo que seu coração pudesse acabar sendo partido num piscar de olhos, assumia o risco.
Ele assumia o risco por Amanda.
E quando brigaram para ver quem iria lavar a louça, Harry pôde ver a bochecha direita de Amanda com algumas marcas de dedos, bem como seu braço. Mas falar algo adiantaria? Seu coração pesou, ela não merecia passar por isso. Amanda ganhou, prendendo os cabelos e começando a lavar a louça sob o olhar de Harry.
Mas ela gostava disso.
Ele parecia tranquilo, e lindo, como sempre. Amanda não estava arrependida pelo que havia acontecido, apenas assustada. Assustada com a dimensão que isso poderia tomar, envergonhada por sua aparência e inexperiência e sedenta por mais. Se dependesse dela, jamais confessaria isso.
Ela sempre foi uma garota assustada.
— Sabe que eu deveria estar fazendo isso, não? — Indagou Harry, quebrando o silêncio.
— Na verdade não, você não deveria estar fazendo isso. — Fluffy fez um barulho na gaiola, chamando a atenção de ambos. — O que aconteceu?!
— Oh, ele caiu! — Gargalhou, ainda olhando para a gaiola. — Pobre hamster, será que deveríamos levar ele ao veterinário?
— Ele está sempre fazendo isso. — Suspirou, voltando a atenção para os pratos.
— Fluffy é fofo, Amanda. Reconheça isso. — Concluiu, encostando na bancada preta.
— A maior parte do tempo ele é estranho. Talvez ele só seja fofo às vezes, principalmente para você.
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On Rainy Days [H.S] [PT/BR]
FanfictionAmanda não acreditava em destinos: a mística na palavra para vender romances clichês e alimentar esperanças nas pessoas não combinava com a menina. Harry, no entanto, acreditava fielmente em destinos, e principalmente que ele lhe reservava um amor p...
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