[Amanda]: Me passe sua localização, por gentileza.
Para Amanda, ela sempre soava como uma vadia grosseira.
Duas longas semanas haviam se passado após o incidente da praia: as duas conchas rosas, agora, faziam parte da decoração da sala, perfeitamente posicionadas ao lado do porta retrato. Amanda já havia melhorado do resfriado, bem como Harry, que se entupiu de remédios o suficiente para que ninguém reclamasse com ele.
E mesmo que sua rotina fosse a mesma, em meio aos imensos jogos de documentos, reuniões desnecessárias e muffins de banana, ela tinha um amigo a quem desabafar: Harry gostava de ouvir sobre o dia dela, de a deixar desabafar o suficiente para que ficasse com o coração mais leve.
Até mesmo lhe mandou remédios para o resfriado, que foram muito bem-vindos. Ele gostava de ter com quem contar, de ter uma pessoa que lhe escutava e aceitasse ir a praia de madrugada. Harry não queria que a menina saísse nunca de sua vida, e tentava bolar em sua cabeça uma ideia de realmente contar o detalhe que vinha escondendo.
Mas sempre que criava coragem, postergava: os momentos preciosos que passava com a menina eram incríveis demais, ele não queria perder isso. Ele sabia que Amanda não reagiria da melhor forma, por isso, postergava.
E em um desses momentos, Harry decidiu beber até esquecer de todos os seus problemas: com a camisa parcialmente aberta, fechando a noite da maneira mais especial possível num pub, ele mandava mensagens para Amanda – que não faziam tanto sentido – pedindo para que ela fosse cometer uma loucura com ele.
E ele mal conseguia digitar direito: o álcool percorria seu corpo e alterava seus sentidos, ele mal respondia por ele. Em casa, Amanda já colocava um moletom roxo por cima de seu pijama, trocando as pantufas por tênis brancos e confortáveis. Ela pegou a chave do carro e se sentou no sofá, se sentindo ansiosa pela falta de resposta do homem.
[Harry]: Te mndei minhs locaizlaçao
A simples mensagem fez a menina dar um pulo, saindo de casa e trancando a porta. Do outro lado da cidade, Harry sorria como uma criança ao ler a mensagem enviada, tomando o líquido do copo em sua frente de uma vez só. Seu estômago ardeu, mas não o suficiente para lhe deixar sóbrio.
— Ela vai vir! — Exclamou alto, fazendo com que as pessoas ao seu redor lhe olhassem constrangidas.
O barman apenas assentiu, talvez por pena e voltou a preparar o drink azul, ele mandou mais uma mensagem para Amanda, que confirmou que chegaria em vinte minutos. Harry sorriu terno e ficou animado, deixando o celular desbloqueado na mesa e o observando de 2 em 2 minutos, ansioso para que Amanda chegasse logo.
A menina virou na esquina e procurava pelo número do estabelecimento, alguns carros atrás dela buzinavam pela baixa velocidade, mas Amanda não se acanhou. Puxou o celular do suporte quando chegou na frente do pub, retorcendo o nariz em antecipação, provavelmente teria dificuldades para tirá-lo dali.
Saltou do carro e colocou as chaves no bolso, observando de canto de olho uma garota vomitando no chão, amparada por duas mulheres e um rapaz. Os clubes naquela rua estavam lotados, era uma ótima maneira de aproveitar uma sexta, será que Harry fazia isso com frequência? Isso não saía de sua cabeça.
Ela adentrou o pub, o cheiro de cigarro misturado a bebida lhe deixou enjoada por um momento, seus olhos corriam pelo local em busca dele, olhares curiosos pousavam sob ela e já estava preparada para isso, não estava com roupas apropriadas para o local.
Seus olhos pararam nos cabelos cacheados e desgrenhados de Harry, que estava sentado perto do balcão. Ela correu até lá e diminuiu a velocidade quando estava perto, tentando entender o que Harry balbuciava.
VOCÊ ESTÁ LENDO
On Rainy Days [H.S] [PT/BR]
FanfictionAmanda não acreditava em destinos: a mística na palavra para vender romances clichês e alimentar esperanças nas pessoas não combinava com a menina. Harry, no entanto, acreditava fielmente em destinos, e principalmente que ele lhe reservava um amor p...
![On Rainy Days [H.S] [PT/BR]](https://img.wattpad.com/cover/233983770-64-k358236.jpg)