— Eu não vou dizer "eu avisei", — fez aspas no ar — porque não vai adiantar de nada, mas você precisa realmente ser menos teimosa, Amanda.
— Nossa primeira discussão vai ser realmente no hospital? — Resmungou, abaixando a cabeça e se encolhendo na cadeira de rodas.
— Deveríamos ter vindo direto, não deveria ter deixado você escolher. — Bufou nervoso, se abaixando um pouco mais. — Está com muita dor?
— Eu estou bem, Harry.
E apesar de pouco a pouco perder a paciência, no fundo sabia que não deveria. A vida de Amanda não lhe permitia ser sincera com ela mesmo e estender o braço algumas vezes, apesar de gradativamente estar melhorando em relação a isso, tinha consciência que não era tão fácil assim para ela, que tinha as mãos trêmulas.
E com certeza não era o ar condicionado que estava fazendo aquilo.
Quando Amanda acordou, Harry não estava na cama. E apesar do esforço imenso ao se levantar, não caiu de cara no chão, mas precisou de alguns segundos para se recuperar da dor lasciva em seu corpo, julgando que os comprimidos de ontem já não faziam mais efeito. Amanda se arrastou para fora do cômodo enquanto segurava nas paredes.
Mas sua cabeça doía tanto que chegava ser cruel, fazendo-a fechar os olhos algumas vezes, como se agulhas perfurassem seu crânio, não chorou, pelo menos não naquele momento. E enquanto procurava por Harry, não imaginava que fosse o encontrar caminhando em sua direção com uma bandeja de café da manhã, sem camisa e sorrindo.
Contudo, seu sorriso se desfez assim que viu o estado da garota e deixou a bandeja no lugar mais próximo para correr até ela, segurando-a pelos ombros. E por mais que ela dissesse para ele a largar pois estava bem, sendo apenas uma tontura momentânea, Harry a carregou até o sofá, onde a assistiu se encolher de dor ainda levando as mãos a cabeça.
E naquele momento, sabia que Amanda negaria até a morte, mas não iria procurar ajuda médica.
Por isso, tratou de vestir uma camiseta e pegar a carteira, chave do carro e a bolsa da menina, colocando um sobretudo sob seu corpo antes de a pegar no colo e a colocar no carro com todo o cuidado do mundo, mesmo sob os protestos da garota quase sem forças ao seu lado.
Pouco passava das dez, mas Harry dirigia como um louco pelas ruas, chegando ao hospital mais próximo em questão de segundos e botando um cachecol e óculos, usando a touca do casaco para cobrir sua cabeça e não acabar com tudo, seria o pior momento possível, não? Entrou pelos fundos e logo um enfermeiro apareceu em sua frente, o que poupou tempo e Amanda foi rapidamente atendida.
E após a ressonância, foi constatada a fratura fechada no crânio da Analista, já levada para ser medicada e com um belo atestado de dez dias em casa. Harry se manteve calado à todo momento, mas verificava sempre se ela estava bem e prontamente tomava rédea da situação toda.
Mas lá estava ele, caminhando ao lado de um enfermeiro que levava Amanda para sala de medicação um tanto reservada, Harry já era conhecido por lá. A menina foi sentada na poltrona reclinável e o moreno se sentou ao lado, acariciando levemente a mão alheia e a assistindo esboçar um pequeno sorriso que não durou muito. Talvez estivesse chateada pela forma que ele havia falado, um babaca.
Como sempre.
— Me desculpe, não deveria ter falado com você daquela forma. — Sussurrou.
— Não estou chateada, está tudo bem. — Confortou-o, o encarando. — Você não quer voltar para casa? Mal conseguiu descansar.
— Sabe que não vou sair daqui, mesmo que me peça.
— Mas...
— Descanse um pouco, hm? — Pediu, e a garota assentiu.
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On Rainy Days [H.S] [PT/BR]
FanficAmanda não acreditava em destinos: a mística na palavra para vender romances clichês e alimentar esperanças nas pessoas não combinava com a menina. Harry, no entanto, acreditava fielmente em destinos, e principalmente que ele lhe reservava um amor p...
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