Capítulo 4 - Os traumas que se arrastam...

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Gabriela , descobriu cedo o prazer de escrever , e suas poesias , eram muitas , às  vezes curtas , às vezes , longas.

A sua vida nunca foi fácil, portanto se refugiava nos seus escritos e livros .

A verdade era que ela não  sabia como lhe dar com a fúria sem fundamento   de seu pai.

Ele a perseguia , não  lhe dava sossego, era o seu jeito de ser que o incomodava.

Gabriela possuía uma personalidade morna,  lenta no falar, no andar e irritava seu pai que a queria mais ágil,  mas a menina até  que tentava , no entanto , o fato era que ela era uma molenga como ele mesmo dizia , nunca, nada que esta fazia o satisfazia , e embora triste,  Gabriela contava com o amor de sua avó  e de sua mãe.

A sua avó,  era a que mais a entendia e sempre que podia a protegia.

Era um amor lindo, Por que tudo que tinha à sua avó,  guardava para a sua neta, podia ser um doce velho , ou um pão que muitas vezes a velha guardava numa lata de leite em pó já  enferrujada ,  onde continha uma mistura de farinha com açúcar que esta sempre oferecia a Gabriela.

Um dos momentos mais tristes foi quando a sua avó morreu,  ela se sentiu desprotegida embora tivesse a sua mãe,  mas,  a sua mãe também tinha seus irmãos  pequenos para cuidar .

Gabriela era a mais velha de quatro irmãos,  todos sabiam se virar , eram mais espertos  que ela e não  sofriam tanto as perseguições  do pai .

Mais tarde, bem mais tarde foi que Gabriela compreendeu que seu pai era doente, não  batia bem da cabeça , sofria de uma espécie  de esquizofrenia  ou delírio,  e quando este colocava algo na cabeça,  para tirar era um horror.

Certa vez, em um aniversário  de algum parente ele ficou a fitar a menina e de repente passou a olha-la com um ódio estampado no rosto por que meteu na cabeça  que esta estava muito magra e que se não tivesse grávida  só  poderia era ter feito um aborto.

Uma situação difícil porque era loucura,e a sua mãe  sempre argumentava , como argumentou na época,  mas nada dissolvia o pai .

Para ele ou ela estava prenha, ou tinha abortado e passava a maltratar Gabriela que morria de medo de apanhar ou algo parecido , e até  que ele esquecesse e procurasse outra loucura, era medo por cima de medo.

Mas, embora a sua adolescência  fosse marcada por uma rigidez extrema por parte de seu pai, a sua mãe,  era zeloza  e amorosa e tudo fazia para ver os filhos bem.

Por conta das maluquices do seu pai, Gabriela desistiu cedo de ir as festas , não só da escola como de amigos, vizinhos  porque era uma dor toda vez que tinha um convite para ir a alguma festa , era um horror para que este deixasse .

Uma vez Gabriela tinha uma festa da escola para ir . Ela, contava com dezesseis anos , e estava muito empolgada para ir para a festa  que a escola planejou , foi falar com o pai e este a contragosto resolveu levá-la, pois queria ver que tipo de lugar a sua filha estava se metendo, e para a surpresa da menina, ele tinha concordado.

Gabriela que estava paquerando um garoto da sua escola, ficou em êxtase,  porque quem sabe não começava  a namorar mesmo de verdade, mesmo sabendo que seu pai não concordaria, ela namoraria escondido, pois tinha certeza que Zé, estava a fim dela , tanto que a sua melhor amiga e colega Laura, mais experiente porque já tinha deixado de ser boca virgem a muito, observou que ele estava interessado,  o que a deixava mais feliz.

Porém,  as coisas nunca funciona como se quer , e depois de toda arrumada , Gabriela se dirigiu com os pais para o local da festa , a casa que a escola alugou ficava em uma ladeira de um bairro nobre , e estava cheia de luzes na entrada, a música alta e gente entrando ,   todos jovens como ela .

Conseguiu avistar Laura e Marcela , suas colegas , mas quando estava prestes a entrar e dizer para o pai que poderia pega-la depois, ouviu ele dizer:

- Filha minha não entra neste antro , vamos para casa agora.

Gabriela ficou sem chão,  seu coração  batia forte ,  muito  forte e um bolo se formou em sua garganta,  porque ela não  estava acreditando que seu pai não  iria permitir  que ficasse na festa.

Ela contou com a proteção  de sua mãe  que veio em sua defesa dizendo que era festa de adolescente e que não  tinha nada demais ali.

Mas de nada adiantou , o pai estava irredutível e a levou dali.

A noite foi longa para Gabí,  ela chorou  até  o dia raiar e só pensava em Zé; estava apaixonada.

A raiva que tinha do pai aumentou, mas ela nada podia fazer, era menor , e tinha que aceitar o que ele fazia  e assim o fez .

Aquele episódio  triste ficou marcado na memória  de Gabriela , porque soube por Marcela que Laura a sua melhor amiga tinha ficado com Zé.

Recebeu a notícia com choque e a dor no peito era tanta que ela não sabia o que dizer quando a própria Laura toda sem graça  veio lhe dizer:

- Foram apenas beijos .

Meu Deus ela queria que fosse mais o quê? Transa?

A sua decepção  foi tanta que resolveu desabafar com Cláudio,  seu colega e este lhe aconselhou a ser superior e levar o caso normalmente , mesmo que estivesse sofrendo e foi o que Gabriela procurou fazer.

Fingiu que estava tudo bem e continuou como se nada tivesse ocorrido.

Mas, como não  era hipócrita,  foi aos poucos se afastando de Laura, pois não  tinha mais clima para manter uma amizade, um coleguismo com uma menina falsa.

Quanto a Zé , demorou para a agonia passar , pois ele continuava paquerando-a , mas não  passou disso, Gabriela terminou o ano letivo, entrou de férias  e quando voltou para um novo ano, Zé  não mais estudava na escola e Laura estava em outra turma.

Depois deste fato,  Gabriela  que já  era caseira desistiu de vez de frequentar festas , porque assim ela ficaria em paz .

Não  queria enfrentar seu pai louco, não  valia a pena, e tudo  que ela queria era um pouco de paz.

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora