Capitulo 31- Desabafo com Deus

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Deus! O senhor é  tão  poderoso que até  me faz chorar , porque advinha os meus mais íntimos desejos .

Sim, eu quero namorar o Zyan . E porque não?

Mas Deus, eu não  posso , o senhor não entende?

Como um homem vai me aceitar assim sem cabelo?

Eu sei , eu sei ... , que o senhor sempre dá  um jeito para tudo , mas ao mesmo tempo que quero , eu não  estou preparada .

Ora, Deus por favor , eu não  sei lhe dar com meus problemas  , nem sei se vou conseguir lhe dar algum dia.

Estou te escrevendo para te contar que Zyan me hospedou  novamente no local onde ele mora mais que não  poderia ficar por muito tempo  porque é  proibido hospedar meninas.

Fiquei lá  clandestina mas os rapazes foram super legais e eu arrumei um canto para ficar , bem perto deles.

Um achado.

Um  kitnet bem minúsculo  estava para alugar há meses e não alugava , ninguém queria o local ; para começar  era uma espécie  de casinha de bonecas que eles chamavam de kitnet , e os fundos dava para o campus da Universidade dos meninos , tinha até  quintal com direito a uma palmeira e um pequeno coqueiro , mas o terreno que eu chamava de quintal estava horrível,  imundo mesmo, mas contei com um mutirão  liderado por Zyan e seus colegas para fazer a limpeza, o que ficou ótimo.

Tudo foi muito rápido,  não tive tempo de pensar , era pegar ou largar e eu peguei.

O proprietário  fez de tudo , facilitou o que pôde  e eu paguei um mês  adiantado.

Depois que acertamos a burocracia das chaves e do contrato, eu tinha um problema. Virei para Zyan sorrindo  e disse:

- Não  tenho nem um colchão.

- Deixa comigo, aos poucos vamos transformar isso aqui em um verdadeiro lar. Zyan piscou para mim e eu me derreti.

Deus , isto só  pode ser coisa sua  porque todos se dispuseram a ajudar .

A casinha era composta de dois vãos,  mais um pequeno,  mas largo banheiro que  tinha chuveiro com água quente , é  bem verdade que a torneira da pia da cozinha não  estava funcionando, mas Ricardo, um dos rapazes entendia de torneiras e comprei uma de plástico,  por ser mais barata e ele trocou .

Sem muito esforço da minha parte , vi Zyan, meu anjo da guarda chegar com um colchão,  e mesa e um fogão de duas bocas . Ficaria sem geladeira, mas ele disse que ia ver se um amigo tinha vendido a velha dele, senão  ele pediria emprestado .

E tudo foi se arranjando , graças ao senhor que ouviu as minhas preces e a Zyan.

Ele  foi o último a  me  deixar e ficou para fazer um café que ele mesmo trouxe.

- Demorei a acreditar na química que estava ocorrendo entre nós,  porque eu pensei que fosse coisa só  da minha cabeça,  mas quando Zyan colou a sua boca na minha após  eu ter agradecido por tudo que ele e seus amigos tinham feito por mim, eu caí  em mim.

O ar me faltou, eu nem sabia que estava correspondendo ao beijo porque quando me vi já  estava grudada nele, mas um temor percorreu meu coração  quando Zyan tentou passar a mão  em meu cabelo postiço como forma de carinho.

Me desvencilhei dele e o olhei apavorada e este reagiu:

- Que foi?

- Ahn,  nada, olha obrigada,  mas você  precisa ir , já  te ocupei demais.

Zyan ignorou o que falei e disse:

- Você  não  gostou do meu beijo?

- Não  é  isto, é  que estou cansada, preciso ficar sozinha, arrumar as coisas restantes,  estas coisas. Eu torcia as mãos e pensava,  como ele pode me querer ?

Eu não  tenho cabelo,  aí,  pai ,  gemi , meu complexo pela falta do cabelo é  muito forte e também  acho que é  cedo , eu não  sei se estou pronta para falar uma coisa que é  tão  complicado  e difícil  para mim. Eu estava em guerra comigo mesma.

Quando Zyan saiu eu fiquei meio que desesperada sem saber como lidar com o turbilhão  de emoções  que estavam surgindo para administrar.

Fiquei com medo de Zyan não querer mais nada comigo .

Deus será  que não  é  melhor assim? Estou com medo.

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora