Capitulo 13- Aprendendo a viver

7 1 0
                                        

Já  que não tinha jeito eu tinha que conviver com a minha dor de não  ter cabelo, comecei a desabafar com quem eu encontrasse pela frente e que eu achasse que era confiável.

Aliás, eu achava que todo mundo era confiável  , este era o meu problema.

Eu vivia em um mundo onde a maldade não  existia, era o meu mundo . Mas a realidade dos fatos chegou para mim mais cedo do que eu queria.

Logo não  consegui  o emprego que a amiga da minha mãe  ia arrumar para mim e assim perdi outros  , porque eu não tinha cabelos e me recusava a usar aquelas perucas horrorosas que queriam empurrar para minha mãe  comprar, a maioria sintéticas.

Aquilo me fazia sofrer muito   , eu não sabia lhe dar  com o meu problema , ninguém  lá  em casa sabia.

Meu pai voltou a ser o mesmo de sempre , perseguindo a todos e a mim principalmente.  Ele me atacava de graça  , era uma situação  crônica.

Ficava feliz com a minha infelicidade  e eu sonhava em ir embora  , sonhava com um amor que era impossível .

Qual homem ia querer ficar com uma moça  que não  tinha cabelos?

Pensava muito na minha beleza interior, mas até  que descobrissem que existe beleza por dentro e que a falta de pelos no corpo era só  um detalhe , o pretendente a alma gêmea  já  estava assustado suficiente para fugir.

Nós  vivíamos em um mundo de preconceitos de todas as formas .

Pessoas negras sofriam descriminação a cada minuto .velhos , Idosos, gordos  deficientes e eu agora estava inserida neste rol também.  A das  mulheres carecas!

E era por aí , perdi vários empregos ou mesmo a promessa de todos que avistava , mas ao final das contas, consegui uma colocação  como professora em uma escola para trabalhar com crianças alfabetizando-as .

A carteira  de trabalho fora assinada como professora auxiliar  e eu iria contar todo mês  com um salário mínimo  o que me deixou feliz , porque era  assim que ajudávamos  em casa, cada Qual dava um poucoembora meu pai quisesse a metade.

Quanto a minha aparência  , procurava usar os lenços que combinasse com as masinhas roupa e para ter sobrancelhas eu pintava com lápis de olho preto ou marrom, o que fez de mim a minha marca registrada porque eu fazia o traço  da sobrancelha e não é  que não  ficava bom?

Eu usava lápis dentro e fora da água  do olho e em cima para disfarçar  a falta de cílios  , me maquiava direitinho  e ia para a faculdade pela manhã  e ao trabalho à  tarde.

Eu não  tinha muita opção  , e vivia com medo de alguém por maldade puxar meu lenço  e eu ficar careca na frente de todos.

Era  um terror para mim, mas eu tinha que viver , pior seria se fosse uma doença  fatal como eu achava que era.

Eu tinha chances de continuar a viver e procuraria levar uma vida normal .

Mas este medo me acompanhava sempre , principalmente depois que conheci uma outra menina com o mesmo problema que eu e que não  usava lenço e sim um boné  que ela fixou cabelos nas pontas ao redor de todo o boné , e certa vez indo para casa foi escorraçada  por vários meninos de rua e correu deles sem sucesso porque quando ia entrar no ônibus , eles puxaram o boné  então  ela se viu careca e os meninos rindo , perguntei nervosa:

- O que você  fez?

Ela me respondeu :

- Deixei o ônibus  ir e peguei meu boné  morta de vergonha e sai correndo , acho que eu assustei eles porque mesmo rindo não  foram atrás  de mim.

Imagina que só  de ouvir o relato dela eu gelei , se fosse comigo eu não  sei o que faria , mas ela não  queria usar lenço como eu e preferia o boné.

Então  eu  depois desta estória  ficava mais apreensiva ainda , o medo me rondava, antes do meu pai  e agora da minha doença. 

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora