Capítulo 28- posso ser salva de novo?

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Quando acordei senti logo um cheiro de café que inebriava o quarto e não demorou muito me dei conta de onde estava. No quarto do gostoso do Zyan,  toda acabada com uma bandana  na cabeça , tentei fechar os olhos para fingir que estava dormindo mas , o meu salvador foi logo dizendo:

- Ah ! Você  acordou?

Não  dava nem para fingir , Zyan me entregou uma caneca fumegante de café   e um prato com algumas torradas .

- Obrigada , respondi , e como sempre faminta comecei a comer as torradas enquanto Zyan assoviava colocando um ovo no pão  e me oferecendo além  do dele . Vi ele dando uma bocada e tomando o café  , também o fiz eu adorava pão  com ovo.

Zyan comia e me observava e eu enrubecia , mas o fato de me sentir acabada em nada mudava para ele , eu era uma moça  normal  a quem ele estava ajudando pois estava com problemas. Nossa! Na verdade um problemão. 

Comi com gosto e me senti amparada por aquele rapaz gato que mal me conhecia e estava me ajudando , e isto me deixava mais mole do que eu já  era.

Depois que fiz o meu desjejum  , me levantei da cama e arrumei enquanto Zyan  lavava as canecas e os pires .

Arrumei o melhor que pude e disse :

- Agora, tenho que ir , por que preciso ver como as coisas ficaram , e tenho que me arrumar para ir para a faculdade.  Eu nem tenho como agradecer a você  a caridade.  Obrigada mesmo.

Zyan me olhou e disse:

- Quer que eu te leve?

- É  do outro lado da rua , não  se preocupe , eu me viro , e depois mando notícias.  Posso vim aqui te ver?

- Deve.

Sai com esta resposta na minha cabeça e com o gosto do beijo de Zyan em meu rosto.

Entrei no prédio  e estava tudo aparentemente calmo.

Subi para o meu andar é fui direto para o meu quarto, peguei roupas  e parti para o banheiro , sai minutos depois, passei perfume e saí  , antes dei uma olhada na sala e tinha gente dormindo espalhados no tapete , gente que eu nunca tinha visto e Luzia sabe- se lá  onde estava.
Saí  de fininho como entrei e parti para a minha rotina.

Quando cruzei a rua vi Zyan longe andando em companhia com outras pessoas . Um friozinho se alojou em meu estômago , e fiquei pensando na bondade dele comigo ,além de bonito,  mas procurei focar  meus pensamentos em minha realidade e segui.

O tempo ruiu e logo chegou o fim do dia , me fazendo temer o que viria dali para a frente , será  que Rosely tinha retornado de viagem? E Luzia?   Será  que arrumou toda aquela bagunça,  peguei o ônibus  e meus pensamentos ia e vinha , eu estava cansada,precisava dormir mais .

Quando cheguei no prédio,  avistei logo o carro de Rosely o que me atemorizou um pouco, mesmo não  tendo nada a temer.

Com as mãos trêmulas,  apanhei de dentro da bolsa as minhas chaves , e quando entrei vi as malas no chão  que achei ser de Rosely, mas na verdade eram de Luzia e num canto, amontoado minhas roupas?

Sim, minhas roupas , as poucas que tinha e os meus livros .

Parei observando Luzia rir cinicamente enquanto Rosely de robe praguejava e quando parou e me viu gritou:

- Eis aí  a sua cúmplice,  sem vergonha, pensaram que eu não ia descobrir?

- Claro que não,  Luzia falava rindo e continuou- dei a festa porque quis e vou embora desta MERDA e você  sua fracassada doente e mercenária  fique aí  com a bosta de seu apartamento , fiz um favor a ti . Olha, a festa estava ótima.

Rosely começou  a bater o pé  e a atirar as almofadas no chão  que eu fitava e sem saber o que fazer .

Luzia disse a mim , : - Se quiser vem comigo , este lugar não  é  digno de você.

Rosely me fitou com odio: - Sua sonsa! Até  você, se juntou com esta vagabunda para acabar com meu apartamento, vou entrar com uma ação  contra as duas.

Ao ouvir a palavra ação  fiquei lívida e tratei de querer me defender :

- Rosely, eu nada tenho com esta festa, eu nem dormir aqui.
-  Pouco me importa, saiam da minha casa, não  quero nenhuma aqui .

- Eu, falei - Não  é  bem assim não,  eu tenho direitos, já  paguei adiantado.

- Eu devolvo o seu dinheiro, mas não  quero ninguém  na minha casa.

Rosely abriu a carteira furiosa e me deu , ou melhor quase jogou o dinheiro em cima da mesa:

- Aqui está,  agora fora!

Luzia deu o dedo do meio para ela e saiu com ar triunfante batendo a porta .
E eu, bem, eu fui para o canto da sala, onde estava as minhas coisas , fui até  o quarto para ver se tinha mais alguma coisa, mas estava tudo ali, eu tinha pouca coisa mesmo.

Peguei o dinheiro que  era meu por direito e nem ousei pedir para sair pela manhã,  pois a criatura estava braba demais.

Saí  para a rua e novamente estava em maus lençóis , sem ter para onde ir, cansada , com fome e com sono e agora?

Seu Teles me olhou com pena , mas o que ele podia fazer?

Me despedi dele e a única coisa que me ocorreu foi procurar Zyan.

Entrei na residência dos universitários e desta vez não   fiquei no banco , era ainda cedo e perguntei por Zyan a um dos rapazes que se entreolharam rindo.

Eu estava com vergonha , mas precisava de ajuda novamente até  o dia seguinte .

Por sorte, avistei Zyan descendo as escadas e quando o vi , confesso que não  resisti e me atirei em seus braços  chorando copiosamente.

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora