Capítulo 10 - O último Caruru

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Eu sempre fui de festa , destas de dar em casa, fazer aniversário , regada a muita comida , e eu queria fazer um caruru que eu gostava muito para comemorar a minha ida para a universidade , então  eu e minha mãe  resolvemos dar um caruru em setembro , as aulas já  tinham começado  em agosto , o primeiro semestre, mas era setembro o mês  do meu aniversário.

Todos ficaram animados , principalmente meu pai que se ofereceu para dar as bebidas, refrigerantes , nada de cervejas, pelo menos foi o que ele falou.

O dia do caruru foi se aproximando e no dia fomos surpreendidos com um xilique do meu pai que começou  a passar mal, dizendo que estava abafado, se tremendo , agoniado com a respiração  alterada , dizendo que ia morrer,  o que nos deixou apreensivos, sem saber o que fazer , e o pior é  que já  estava tudo ajeitado,  menos a bebida cuja responsabilidade era dele.

Meu pai arfava , dizendo que ia morrer,  não  podia dirigir,  então  minha mãe  pegou um dinheiro , o pouco que tinha, chamou um táxi e o levou ao hospital mais próximo,  e nós  ficamos murchos em casa .

Há   duas horas praticamente da  festa começar e eu não  sabia se chorava ou se xingava , mas me contive , porque era um caso de doença.

Uma hora depois, minha mãe chegou com ele , que foi direto para o quarto  sem nada dizer.

Minha mãe  foi que nos falou que o médico examinou ele todo e viu que o que ele tinha era sistema nervoso.

Receitou um calmante e pronto.

Ele já  era reincidente , já  tinha feito uma falseta destas , e com tudo pronto, perdemos a graça.

E as bebidas? Ele disse a minha mãe  que não  tinha dinheiro.

O que fazer?

Mas mãe  é  mãe  e a minha conseguiu juntar , o pouco que restou , do que era da comida  e  compramos um engradado , a sorte era que era para poucas pessoas .

Quase ninguém  veio e eu não sabia precisar se era bom ou ruim .

No final das contas , servimos o caruru para as poucas pessoas que apareceram  e rezamos para que elas fossem logo embora, porque não  tínhamos clima .

O enfermo que dizia que ia morrer estava no quarto dormindo a sono solto por conta dos tranquilizantes.

Eu não  consegui decifrar o que estava sentindo , e depois de arrumar tudo em casa , lavar pratos e tudo mais, demorei a pegar no sono e o choro não  veio tão  fácil,  porque sempre que tinha algum aniversário  , meu pai dava um jeito de estragar e este foi mais um , mas , pedi licença  a São  Cosme e Damião  e jurei que enquanto morasse com meu pai , não  faria mais nenhum caruru.

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora