Capítulo 16- Uma alegria

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Que eu tinha que tentar ter um namorado para esquecer as mazelas da minha vida era um fato. Mas , eu não me interessava por ninguém assim como eu queria .

Humberto me deixou de lado e eu dei graças a Deus porque ele era chato mesmo.

Meu pai continuava infernizando a minha vida e a de todos lá em casa, a propósito eu o chamava de demônio, cão dos infernos , isto mentalmente porque eu não era louca de xingar ele assim na cara , eu morria de medo do homem.

Minha mãe era que dizia,:

- Seu pai é maluco minha filha não liga não . Procure ficar longe dele e fazer tudo direitinho.

E adiantava ?Nada que eu fazia estava bom para ele , eu era a merdinha que não sabia de nada .

Ele não queria que eu fosse advogada?

Então, agora ficava desdenhando tudo o que eu fazia . Lógico que ele era mais experiente nos casos jurídicos, eu estava só começando, e tinha casos que eu não sabia . Poxa. !

O demônio se aproximava de mim e vinha me perguntar o que eu faria se tivesse nas mãos um caso de uma pessoa que estava morando em uma casa de terceiros há mais de dez anos e que só depois de quinze anos aparecia alguém para reivindicar a posse.

- O que faria você Gabriela se tivesse este caso nas mãos?

- E eu sei lá , eu não estou dando estas coisas ainda meu pai , estou só começando o semestre.

- Ah! Mas é muito burra mesmo , já vi que vai ser uma advogada de MERDA, e eu perdendo meu tempo com você.

Você não sabe nada . Por acaso sabe que existe usucapião?

Como advogado a alternativa era entrar com usucapião para elucidar o caso.

Como você não sabe disso? Não precisa nem ser iniciante e prosseguia me arrasando.

- Você é uma estudante relapsa, não vai ser nada na vida , ignorante dá pena de você.

Ele dizia isto na frente de todo mundo que estava presente lá em casa e eu morria de vergonha porque eu nada sabia mesmo. Como iria eu saber?

Eu ia para o quarto e lá não podia chorar, somente a noite quando todos estavam dormindo.

Eu dormia com meus irmãos e não queria dividir a minha dor com eles.

Eu me sentia humilhada quando acontecia estas situações .

O fato de eu não ter cabelo também vinha à tona porque ele tinha certeza que eu não ia casar . Quem na vida iria querer uma mulher careca?

Mas eu acreditava em mim , bem lá no fundo eu sabia que eu podia ser feliz , que eu podia dar um jeito na minha vida bagunçada, eu só não sabia como ainda.

Às vezes eu me revoltava pelo fato de não ter cabelo , e apesar de saber que tinha coisa pior neste mundo eu não entendia muito e não aceitava o meu problema e chorava , chorava muito .

Mas, como a vida tinha que ter um prosseguimento eu procurava dar sentido à minha vida e me esforçava para ser feliz .

Eu tinha boas amigas , que me queriam bem e olha, quem tem amigos tem tudo ou quase tudo.

Eu me divertia muito com as tentativas de Tais de me arrumar namorado .
Numa destas festas que a faculdade dava lá fui eu às escondidas , sem meu pai saber, sendo acobertar a pela minha mãe que disse que eu iria dormir na casa de minha tia que estava doente e precisava de mim.

Se ele tivesse bêbado iria me mandar buscar na hora e aí minha mãe iria tapea- lo , se não falaria que nem uma fofoqueira , porque eu estava fora de casa, mas acabava esquecendo.

Minha mãe sabia lhe dar com ele , ou pelo menos achava isto.

Fui para a bendita festa , era de formandos e tudo ia bem até eu passar com um refrigerante e esbarrar em um rapaz , pedi desculpas é claro .

O cara me olhou e eu o reconheci era um tal de Bruno pegador , estudante do quinto semestre .

À propósito, eu tinha uma peruca que consegui a duras penas em uma loja do Rio de Janeiro por intermédio de minha madrinha, ela que pagou pois era muito cara e nós, minha mãe e eu não tínhamos como pagar , porque meu pai era materialista e não daria dinheiro para estas coisas e eu usando lenço já estava de bom tamanho.

Pois bem, a peruca era de cabelo humano , estilo Cleópatra que fazia minha beleza aparecer.

Palavras de Tais .

Mas eu só usava de vez em quando pois esquentava muito , mas ficava bonitinha.

Quando o Bruno me olhou ficou meio louco ou acho que já estava por conta da bebida que tomava e me pediu para eu sentar ali no banco , eu fui porque queria limpar um pouco a minha blusa que salpicos de guaraná e ele me acompanhou e quando eu vi , tinha me perdido das meninas e era conveniente me sentar um pouco e acabar de tomar meu refrigerante.

Eu lá ia saber que se sentasse com um rapaz estava querendo ficar com ele?
Eu era inexperiente neste ramo , apesar de toda a minha leitura e tudo o mais.

Bruno me golpeou com um beijo assim que eu tomei o meu primeiro gole da bebida que fiquei compactada com a ousadia do rapaz.

É lógico que no susto acontece tudo e eu me vi travando uma luta de línguas que se dependesse dele não acabaria mais.

Gostei do beijo. Gostei mesmo , mas assim que tive uma brecha escapulir nervosa ,e se ele mudasse minha peruca sem querer , ele estava muito empolgado .

Meu medo virou pânico , então fugir o mais longe dele possível.

Mais tarde, pensando sobre o episódio me vi rindo sozinha, porque enfim tinha dado meu primeiro beijo de linguaaaae era bom .

Não contei nada para Tais e Almerinda porque não as vi mais , eu logo fui embora, estava amanhecendo e eu realmente fui dormir na casa de minha tia , porque não dava para ir para casa né?

Fui de táxi , ainda bem que a minha Santa mãe me deu o dinheiro e pude chegar sem problemas.

Naquela noite eu dormir feliz , com o gosto do beijo de Bruno em minha boca.

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora