Capítulo 7 - Carnaval e surra , e algo mais

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Meu pai odiava carnaval e todos nós  adoravámos, mas ele quase nunca nos levava para ver a rua e quando levava era vapt  e vupt, não  víamos muita coisa, íamos logo para casa .

Minha tia junto com meu tio nos  levava a para as festas de clube , os bailes , todos íamos fantasiados , era um acontecimento , porque tinha tudo que  não  víamos na rua, gente fantasiado de Pereira, baiana, piratas , ciganos , palhaços,  barracas de comidas , nossa! Era muito legal.

Só  tinha um porém,  íamos ás escondidas , era um horror para meu pai permitir que fossemos, mesmo sob a responsabilidade de meus tios.

Minha mãe,  coitada, fazia um jogo de cintura danada para que a gente fosse.
Sinceramente eu não  sei o que se passava na cabeça  do meu pai, porque todo ano era um tormentoooo.

Ele achava que a gente, eu e meus irmãos  ia ficar se esfregando com qualquer menino e meu irmão com alguma garota .louco de pedra.
Ele, a muito contragosto deixava ,porque tinha consideração por meus tios que nos levavam com muito prazer , mas tínhamos horas para chegar .

Teve uma vez, em um ano destes que ficamos e fomos dormir na casa de meus tios, o que provocou a ira  do meu pai , que bêbado,  disse que não  iríamos participar de porra nenhuma mais.

Brigou com meus tios , criou, inventou uma série  de coisas ruins e fomos obrigados a desistir de um baile saudável e que adoravámos.

Nós tínhamos uma ligação  muito forte com meus tios e primos porque sempre aos domingos íamos para a casa deles, almoçavámos e só  a noite meu tio que tinha carro nos levava para casa, porque meu pai sumia no mundo.
Ele era muito mulherengo e gostava de beber.

Rezavámos para que ele chegasse em casa e não  procurasse confusão.

Quase sempre quando ele chegava nós  estávamos dormindo, mas ele cheio do pau, mandava acordar todo mundo.
Acordávamos e ia para a sala tarde da noite , vendo ele falar besteiras, pedia comida, e chingava a gente . Ninguém  dizia nada .Imagina, se falassémos , ele meti a a porrada.

Quando bebia se tornava pior do que sóbrio,  porque se tornava violento.

Eu ficava apavorada e acredito que meus irmãos  também. Minha mãe  também  tinha medo dele , mas acho que  queria manter a família unida , era muito ruim para ela, com cinco  filhos e pouco dinheiro, sem falar que acho , pelo menos eu desconfiava que ela gostava dele , o que era natural.

Não  era a toa que éramos  cinco.
Eu vivia em pânico  de fazer algo errado, não sabia exatamente o que era o certo para meu pai  ia depender do estado de humor dele.

Eu era a filha mais velha, e a mais cobrada em tudo.

Mas não  era muito de apanhar, surra mesmo eu tomei quando subi , mais jovem em cima do armário  da cozinha e vi um prato cheio de torradas, eu juro que não ia comer,  mas fui pega, minha mãe  chegou e me viu , apavorada ordenou que eu descesse o que fiz prontamente , e quando meu pai chegou do trabalho e soube, surtou , porque ali naquelas torradas, estava chumbinho, um remédio  para matar ratos, pois descobriu -se que o bichano andava lá  por casa.

Neste dia, tomei uma senhora surra de cinto , e como doeu. Chorei,muito e levei um tempo sem querer ver a cara de pão.

Todos ficaram com pena de mim , mas eu podia ter morrido , acho que foi isto que os deixou apavorados .

Depois disso não  me lembro de ter tomado mais surra , mas tomei muito tapa na cara , era só  ele achar que devia , e em casa todos procuravam agir certo para não apanhar.

Meu pai era obcecado em me perseguir , ele já  cheģava em casa e perguntava :

- Onde está  Gabriela.

Minha mãe  ou quem estivesse presente dizia :

- Está  aí.

Ele então  tirava a roupa e vinha uma de minhas irmãs com os seus chinelos e outra para colocar a comida , quando ele estava faminto.

Tinha horas que eu ficava fingindo que estava estudando , mas na verdade eu estava era lendo meus livros ou fazendo poesias, ele não  checava mesmo , bastava ver que estava com um  livro na mão  para concluir  que eu estava focada nos estudos e então  eu ganhava a minha paz e sonhava com meus personagens.

Para Deus (Concluído)Onde histórias criam vida. Descubra agora