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O MUNDO SEGUE O SEU CURSO natural, as pessoas dão continuidade às suas vidas, o tempo passa, até o clima tem mudado, mas eu ainda me sinto presa ao mesmo lugar, sem descansos.
As férias de verão começaram, mas não é como se eu estivesse mesmo sem estudar. Mesmo que esteja livre da escola, faço aulas extras. Não é que eu seja uma aluna ruim, é que, além de viver em uma sociedade em que há uma cobrança excessiva pela educação, venho de uma família composta por um pai médico, uma mãe advogada e uma irmã psiquiatra. O tempo inteiro, eu me sinto pressionada.
"Você só tem dezoito anos", "A sua única obrigação é estudar". Às vezes as pessoas não entendem o peso das suas palavras, ou sequer os sentimentos dos outros.
Por que sentir-se tão pressionada? Eu não sei. Talvez pela constante necessidade de ter que se provar para os outros e a si mesmo o tempo inteiro, talvez pela pressão psicológica feita pela sociedade de ser associada à uma imagem de perfeição, ou, possivelmente, pelo simples fato de que queremos ser bons e dignos de orgulho.
É difícil também crescer com uma irmã maia velha que parece te superar em tudo.
Kang Yuna é seis anos mais velha, bonita, inteligente, socialmente habilidosa e amada pelos nossos pais, que eu. Mas, apesar de tudo isso, os tópicos desta lista não me fazem amá-la menos. Yuna nunca me deixou faltar carinho, conversas francas e um bom sorvete. Isto é um dos fatores que a faz ser até mesmo uma irmã melhor do que eu.
Eu tento ser uma boa irmã também, é por isso que estou aqui hoje, neste ambiente com alguns parentes detestáveis, tendo que falar com eles e andar com estes saltos altos insuportáveis, que eu só uso porquê Shin Mina — minha melhor amiga — disse que ficaram mais bonitos. Mas está tudo bem, estou aqui pela minha irmã, pela sua felicidade, para celebrar o seu noivado.
— Eu não suporto casamentos. — minha melhor amiga me confessa, baixinho, para os outros na mesa não ouvirem.
— Por quê? — eu questiono.
— Além de a sua irmã ser a noiva? — ela me devolve com outra pergunta, triste pela sua primeira paixão estar agora a poucos passos do altar. — Não gosto de ver casal feliz. — ela admite. — Talvez eu esteja me tornando uma velha amargurada...
Não, Shin Mina não é velha e muito menos amargurada. Ela tem os seus momentos de estresse e irritabilidade, como todo mundo, mas são apenas isto: momentos.
— Foi bom te conhecer. — ela diz, segurando a minha mão por cima da mesa. — Eu deixo a minha coleção de discos de vinil para você e o meu amor eterno para a sua irmã. Diga à minha avó que eu a amo. — ela pede, fazendo drama.
Shin deita a cabeça sobre a mesa, ou melhor, bate com a cabeça na mesa e quase apaga. Meus primos sentados com a gente olham para nós com um olhar que julga até as nossas almas. Eu forço um sorriso.