- Maite... Como era sua relação com seu tio?
- Péssima
- Você podia me contar um pouco da sua vida, assim já vamos nos conhecendo melhor...
Maite respirou fundo por alguns segundos, não gostava de relembrar seu passado, havia muita dor e sofrimento envolvido, mas decidiu ser honesta e contar.
- Bom... Sou filha de Léia Perroni e James Beorlegui Perroni. O meu pai se tornou Laird muito jovem com apenas 16 anos quando meu avô faleceu, Leopoldo irmão dele ficou furioso com a notícia, até porque ele era o mais velho já tinha seus 25 anos, porém nunca foi o preferido como meu pai era, então furioso ele reuniu alguns homens e invadiram um pequeno império, e com tempo conseguiu ser um dos mais poderosos e afortunados homens da Terra, assim se separou da família para ter seu próprio reinado. Agora James era um Laird poderoso, com um dos maiores reinos do Norte, em sua cabeça poderia fazer tudo o que quisesse. Até que conheceu minha mãe quando tinha 20 anos e ela 19. Ela era órfã, não tinha nenhum sobrenome, viveu a vida toda migrando de barraco em barraco, até conseguir um trabalho que seria de lavadeira no Reino Perroni. Meu pai a conheceu, se encantou por ela, eu ainda lembro dela era uma mulher muito bonita, de pele clara, olhos levemente castanhos, um cabelo todo cacheado e um sorriso aconchegante. Assim começaram a se envolver, todas as noites se amavam no quarto dele, e em uma dessas noites eu fui concebida. Meu pai estava disposto a então se casar com Léia, mas o rumo mudou. Sua avó ainda viva, uma mulher arrogante sem escrúpulos não aceitava de modo algum seu neto se casando com uma órfã sem dotes. Então o impôs que se casasse com Glória Stinson, princesa do Reino Sul. Meu pai não a queria, amava minha mãe. Enrolou tanto que minha mãe me ganhou. Íris que era agora bisavó tentou expulsar minha mãe e eu ainda bebê do Castelo, porém Léia se manteve firme e forte, alegando que só sairia dali por ordem do Laird. Com James sempre conseguindo dar um jeito de enrolar Glória se passaram 5 anos, ele já não se envolvia com a minha mãe por receio de Íris, apenas mandava algum guerreiro me buscar aos finais de semana para passar com ele. E sinceramente eram os piores dias da semana, eu apenas uma criança sofria agressão física e psicológica de Íris quando meu pai não estava por perto, ela dizia que um dia mataria a mim e minha mãe, e quem faria isso seria meu próprio pai, xingava minha mãe de várias coisas que na época eu ainda não compreendia, que eram coisas do tipo "cadela", "meretriz" e assim por diante.
James sempre me tratou muito bem, com muito amor e carinho, me enchia de coisas e presentes e sempre me pedia para dizer a minha mãe que ele a amava e que essa situação logo teria um fim.
Depois de muita enrolação Glória chegou para se casar, a felicidade dela dava para sentir no ar, de longe se via que ela gostava sim do meu pai. Ela era mais velha, tinha uns 28 anos, era bonita, cabelos curtos e bem negros, uma pele morena e olhos esverdeados, muito linda mesmo, mas não ganhava de minha mãe.
O casamento ocorreria na manhã seguinte, meu pai estava disposto a agir.
Naquela madrugada acordei com braços firmes em volta de mim me carregando, meu herói me segurava e me carregava longe do Reino junto com a minha mãe, que continha um sorrisinho no rosto, me lembro de ter sorrido também. Assim entramos numa carruagem, meu pai me entregou a minha mãe e começou a guiar os cavalos, abraçada a ela de longe vi Íris sorrindo e acenando um tchauzinho para mim.
Tudo estava indo bem, até sermos atacados por muitos homens, guerreiros do meu pai, ele foi traído pelo próprio Reino. Minha mãe se jogou em cima de mim antes de ser atacada por um homem. Foi tudo muito rápido, quando abro os olhos minha mãe agonizava de dor cima sobre meu corpo, com uma enorme ferida aberta no peito. Meu pai e eu estávamos bem, fora alguns arranhões. Eu já chorava como uma criança que era, meu pai estava em choque olhando para a mulher da sua vida morrer, sem expressão alguma tirou minha mãe de cima de mim, me abraçou forte por alguns minutos, o único som que ouvíamos era o dela, agonizando, ele me beijou na testa, arrancou a espada se arrastou até ela, que já o mirava com os olhos fundos, depositou um breve beijo em seus lábios. Ele olhou para mim em seguida e disse "Nos vingue Maite, eu e sua mãe cuidaremos de você lá de cima. Eu te amo pequena" e então enfiou a espada em seu estômago, e eu abafei um grito com as minhas mãos.
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Reino Negro
RomanceMaite Perroni perdeu os pais muito cedo, sozinha com apenas 8 anos foi morar no Reino do seu tio Leopoldo, o mesmo não queria ter ficado com a garota, mas foi obrigado. Hoje Maite já tem 19 anos, e Leopoldo quer se ver livre da sobrinha, como soluçã...
