Capítulo 14

141 40 0
                                        

Eu tenho certeza que há uma informação importante que eu estava esquecendo. Não sei onde estava, mas não parecia totalmente desconhecido para mim. O céu estava limpo, mas era noite. O que significava que os dias não passavam ali. Dependia muito da memória de cada pessoa que visitávamos. Olhei em volta e todas as casas estavam silenciosas e quietas Então ouvi o barulho de pessoas falando. Thomas continuou andando como se isso não o abalasse.

Meu braço já estava ficando dormente e incômodo, mas tentei ignorar esse fato.

- O Resultado não foi nada legal. - O Homem falava enquanto andava na rua. Ele passou por nós como se nem sequer tivesse nos vistos. - Eu tenho certeza que eles adulteraram isso... - Ele coçou a cabeça. - Não, eu estou falando sério! - Ele estava sozinho, mas olhava para o lado como se estivesse falando com alguém.

- Se eu tentar falar com ele. O que acontece? - Falei e Thomas me olhou, depois olhou para o homem.

- Ele não irá ouvi-la.

- Por que não? - Me irritei - Nós nem tentamos ainda!

- Ele está preso demais em sua lembrança. Não irá escutá-la.

- Como tem tanta certeza?! Eu escutei, não escutei?

Thomas me olhou fixamente e então respirou e deu de ombros sentando-se no meio fio.

- Fique a vontade. - Disse apoiando os cotovelos no joelho e me olhando um pouco aborrecido.

Funguei. Tentaria sim! Tentaria de tudo! Talvez alguém tivesse as respostas para o que estava acontecendo!

-Moço! - Fiquei ao lado do homem mas ele me ignorou completamente. - Ei! - Segui e o homem parou.

-Espere! - O homem falou olhando para mim e eu estremeci. - Espere! - Então ele olhou para trás e correu pelo caminho contrário em que estava. - Escute o que eu tenho que dizer! - Ele pareceu segurar algo no ar. Então de repente se acalmou.

Pisquei me sentindo envergonhada. Então voltei a seguir o homem. Ele parou e se virou para mim.

- O resultado não foi nada legal... - Disse andando normalmente e vindo em minha direção - Eu tenho certeza...

Eu tentei de tudo. Tentei segurá-lo, mas ele continuava andando e acabava me empurrando junto. Era como se eu não tivesse força para nada. Minha presença estava sendo completamente ignorada. Pulei em suas costas e escorreguei por que não pude me segurar muito com apenas um braço, joguei-me em sua frente, fingi ser a pessoa com quem ele conversava, o belisquei, mordi, puxei, gritei em seu ouvido, mas nada mudou. Ele continuava a repetir e fazer as mesmas coisas.

- ME ESCUTA! - Tentei bater nele, mas então Thomas segurou meu braço. Olhei para ele com a respiração ofegante. Me senti envergonhada e um pouco nervosa. - Por que ele não me escuta? - Perguntei chorosa.

- Ele não a escutará. Nem reagirá a nada que disser. Está a tanto tempo aqui que isto é tudo o que sabe fazer. A sua memória está se desfazendo ao ponto de... - Thomas apontou para o nada ao lado do homem - Ele está falando sozinho. Com o tempo essa memória vai se deteriorar e se resumir a este espaço onde ele está.

Tremi. Isso significa que o mesmo poderia ter acontecido comigo. Levei a mão a cabeça tentando recordar algo a mais do que as poucas memórias que me restavam. Então algo me veio a mente.

- Thomas. Você conhece muito. Deve está aqui a muito tempo - Falei e ele parou. - Já pensou na possibilidade de...

- Não... - Ele me olhou um pouco aborrecido. - As minha memória ainda existem e está por ai. Eu apenas preciso encontrá-la... - Então continuou andando.

Abaixei a cabeça e o segui. Mas antes dei uma boa olhada no homem que repetia o mesmo ato. Pela altura com que ele falava e aquele olhar será que ele falava com alguém que gosta bastante. Respirei fundo. Já que não havia nada que pudesse fazer naquele momento. Tinha que buscar uma forma de mudar aquilo.

Eu observei as costas dele. Thomas era relativamente alto. Mas tão jovem quanto eu. Fazia tão pouco tempo que eu estava ali e já me sentia um pouco aflita, quem dirá ele que aparentemente tem andando sem parar em busca de uma saída. Ele deve está com muito medo. - Pensava enquanto o observava. Thomas então se virou e me encarou por alguns instantes parado até que eu ficasse ao seu lado.

-Suas pernas são curtas. - Resmungou.

Atravessamos outra memória e fizemos isso por bastante tempo. Todas eram distintas. Uns eram dias, outro noite. Alguns não passavam de passagens breves, outras eram amplas como a minha. Eu espero mesmo que isto acabe bem. Pensava enquanto continuava andando. Eu tinha esperanças que tudo fosse acabar bem.

Eu realmente espero não estar equivocada...

DO OUTRO LADOOnde histórias criam vida. Descubra agora