CAPÍTULO 3

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- Parei de conversar com ela - Ele me falou no dia seguinte . Era raro nos encontrar no caminho para a escola.

-Por que? - Perguntei me sentindo um pouco mais positiva. Mas tentando manter as aparências.

-Ah! Sei lá. - Ele coçou a nuca.

A gente continuou a andar em silêncio.

-Desculpe por ontem... - Falei e ele me olhou de relance.

-Relaxa- sorriu.

-Como está sua mãe?- Perguntei me sentindo um pouco melhor.

-Zangada como sempre, - Reclamou - Acredita que ontem ela aprendeu a bloquear o sinal de internet da casa? - Disse abaixando a cabeça. - Estou ferrado.

Ri. A Dona Patrícia era enfermeira e ela trabalhava bastante fora de casa. Aposto que quando volta ele nem sequer fez o trabalho de casa. Eu gosto dela e ela parece gostar bastante de mim. Eu lembro até hoje o dia em que a conheci. Por incrível que pareça nem faz tanto tempo assim...

-Bem feito! Agora vai ter que lavar a louça! - Me afastei correndo porque sabia que ele viria me dar um peteleco. Dito e feito , ele veio atrás de mim, mas acabei tropeçando e cai de joelhos numa encruzilhada. Ainda ria quando me levantei, mas meu sorriso se foi quando meu olhar se foi a um movimento estranho na rua.

-Tá tudo bem?- Ele perguntou rindo da queda - Sua queda foi esplêndida. - Você tropeçou ali e... - George olhou para o mesmo lugar que eu olhava.

Havia um homem batendo a cabeça contra a parede de um prédio em uma das ruas estreitas daquela encruzilhada. Algumas pessoas olhavam de longe. Afinal ele tinha uma faca em suas mãos. Ele gritava coisas sem sentido. E sua expressão era desesperadora. As pessoas ligavam para algum lugar. George ficou tão chocado quanto eu. Ele nem sequer se moveu.

- Não! - O homem gritou - Eu não consigo! Eu não sei fazer isso! Não! Me deixa! Não! Não! Não!Não! Não!

Ele se afastou da parede e eu dei um passo para trás. George não se moveu. Ouvi de longe o barulho da ambulância se aproximando. Ele voltou a gritar as mesmas frases de antes. A mesma sequência de palavras.

- Não quero! NÃO!

E então ele pegou a faca e...

George tampou meus olhos com seu braço e encostou minha cabeça em seu peito. Apenas ouvi ele gritar e algumas pessoas gritarem. Outras pedindo misericórdia. Eu não senti nada. Eu apenas...Não sabia oque fazer.

- Vamos embora - George falou me puxando ainda com os olhos tapados.

- Ele estava com...

-Sim. - Ele respondeu.

Eu nunca tinha tido essa experiência antes. De ver um tão agressivo. Olhei para George. Ele ainda segurava uma de minhas mãos. E elas estavam gélidas. Provável que ele tenha passado por isso.

Tremi. Não queria passar por isso. Andamos em silêncio o resto do caminho até chegar na escola. Cada qual foi para seu lugar sem falar absolutamente nada.

''Não fique tão impressionada. Não são todos que agem assim'' - Olhei o Dispo e olhei para ele. George fez um joinha com ambas as mãos. Sorri meio sem jeito sentindo meu coração disparado. Ele tinha esse poder. Esse talento de me fazer feliz e triste dependendo de suas ações. Me pergunto quando dei a ele este poder.

Quando cheguei em casa Beatriz falava sobre o caso de IBSS ali na proximidade para meus pais. Fazia tempo que uma pessoa agia desta forma tão agressiva. Papai chegou falando sobre a mesma coisa. Parece que as notícias se espalham de forma bem rápida.

- Ouvi dizer que o EXPANDER vai ser usado nele. Mas são apenas rumores - Mamãe falou com a escova de dente na boca.

-Não entendi nada do que você falou - Papai falou entrando no banheiro.

-Vai jogar ou cagar? Decida-se! - Ela brigou.

- Não enche! - Ele resmungou.

Beatriz revirou os olhos e respirou fundo. Eu sorri.

Fui para meu quarto e coloquei alguns vídeos a respeito do Expander. Me assustei quando um dos vídeos era um holograma. Mostrava uma pessoa dormindo com uma espécie de capacete. E estava algemado e se remexia de tempos em tempos. Dei a volta na mesa vendo o holograma com detalhes. Não sabia por que tinha aquele vídeo ali.

De repente um rosto apareceu na tela e eu gritei de susto. E a pessoa riu. Levei a mão ao peito.

- Que brincadeira sem graça! - Gritei mudando de vídeo. Conforme passava os vídeos para escolher. Cliquei em um onde haviam críticas a um especialistas e era um dos mais assistidos.

Olhei logo os comentários. Eram de sua maioria negativos e um pouco cruéis. Adiantei um pouco vídeo.

-...Estou falando sério. - Ele mexia bastante as mãos enquanto falava e parecia suado e nervoso. Me sentei na cama atenta. - Não é aleatório... Em 2027 e 2028 foram vistos luzes estranhas no céu. Tem muito haver com a IBSS! - Ele olhou para a câmera. - Talvez essas coisas misteriosas tenha trazido algum microorganismo capaz de produzir essas substâncias nocivas. - Ele mostrou alguns papéis - Atividades incomuns foram percebidas em vários territórios mundiais...

Olhava os comentários enquanto ele falava.

'' Observe como ele age de forma estranha.'' - Um dos comentários diziam. Voltei a olhar o homem. Ele parecia muito nervoso. Seu lenço já estava bem úmido. Deitei na cama segurando a tela.

- A verdade é que nosso corpo não consegue reagir de forma normal a esta substância química. - Ele parou de falar e respirou fundo - É o que dizem. Mas enquanto estudava os casos eu percebi que talvez haja uma...

O vídeo travou.

-Ue. - tentei reiniciar, mas minha tela interativa não conseguia voltar. Deixei um tempo ali. Mais tarde tentei entrar de novo no vídeo mas ele havia sido retirado. Parece que o homem foi preso por que estava trazendo pânico para as pessoas. E tudo dele foi retirado da rede. Me senti frustrada. Logo quando eu assistia o vídeo explicativo e interessante, apesar de parecer uma viagem muito louca. Mas por que isso tudo?

DO OUTRO LADOOnde histórias criam vida. Descubra agora