Nos dois dias que se seguiram da fatídica noite em que passamos ilhadas em um carro no meio do mato e afastadas da cidade, sendo socorridas por uma velhinha muito estranha, Irene ficou doente. Não só um pouco, ela recebeu de brinde uma gripe forte o suficiente para impedir que ela fosse trabalhar, mas isso não a impediu que ligasse toda a tarde para Jennie, enquanto eu era tratada como escrava por aquela mulherzinha chata e arrogante. Contudo, eu me sentia culpada pelo que houve com a Bae, e somente por esse divida, eu seria um pouco mais prestativa. Se não fosse pela minha ideia brilhante, a mulher ainda estaria desfilando por entre esses corredores dando suas ordens com um grande sorriso no rosto.
O lugar ficava um tanto quanto vazio sem ela, as vezes eu olho para onde ela costuma ficar, na esperava de encontrar a mulher, mas não tem nada além do vazio, ela difícil ter que admitir que o lugar ficava bem menos alegre sem sua presença, e eu poderia nunca dizer isso em voz alta, mas eu sentia sua falta e isso me surpreendia bastante.
A decepção que senti ao chegar na RBB e não ver Irene foi enorme, eu queria poder conversar com ela sobre nossa noite atípica e poder falar um pouco mais sobre aquela velhinha engraçada. Me assustava o modo como desejava apenas conversar com a mulher, perguntar como foi a noite e dar um conselho para ela chutar a bunda do namorado meia boca dela. Eu não podia fingir não me importar com a mais velha, porque de fato eu comecei a me importar bastante, eu a considerava uma amiga. Acho que poderia considerar meu amigo qualquer pessoa que preferisse me abraçar do que me matar depois de ver que estraguei nosso único meio de transporte para ir pra casa.
Pensamentos incessantes me perseguiam desde o momento que me vi mais branda em relação a Joohyun, me lembrei das palavras usadas naquele sofá, onde nos alfinetamos e erguemos muros enormes. Eu impossibilitei sua entrada, deixei bem claro isso. Ainda sim aqui estou eu pensando na mulher mais velha, a mulher que materializa em si tudo que eu sempre afastei, mas ainda era nela que eu pensava e para quem eu torcia que estivesse bem.
- Joohyun você precisa descansar, não vai melhorar se ficar o dia todo me ligando – Jennie respondeu com um tom de irritação, enquanto continuava sua caminhada até a ala dos tecidos – Não, Hyun, você não pode vir e eu já estou cuidado de tudo. As vezes eu penso que você não confia em mim – A mulher dramatizou e eu senti vontade de rir, era engraçado perceber as nuances de Jennie perto de Irene, ela se transformava em outra pessoa – Quer saber? Eu vou desligar esse telefone, tchau – E assim ela fez, guardou o aparelho no bolso foi embora, mas não sem antes me lançar um daqueles olhares de "estou esperando qualquer deslize para te tirar daqui", em troca eu pisquei para ela. No fim das contas se tornou um pouco divertido trocar farpas com Jennie Kim, era uma maneira cômica de manter minha alma virgem das garras da seriedade desse lugar.
- Ei Kang, vai demorar mais quantas horas pra escolher a merda de um buquê de flor? É pra ser enviado ainda hoje. Meu encontro com senhorita Claire é daqui a pouco, não posso chegar sem nada.
- Eu ainda não entendo o porquê de toda essa palhaçada, ela quem vai ganhar dinheiro se fechar com vocês e é você quem chega com os presentes?
- É muito claro que você não entende de diplomacia, ela tem 40 anos de desfiles e glamour, vá a França e não terá uma esquina em que suas roupas não estampem as prateleiras, as de alto costura pelo menos. Ela tem uma revista com seu próprio nome, não que importe a você é claro. Mas nós precisamos muito dela para garantir que os franceses enlouqueçam por nós.
- Okay, foi uma pergunta retórica, não precisava perder tanto tempo explicando algo que eu não tenho o menor interesse de aprender.
- Ou capacidade – Essa garota me dava nos nervos.
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As Cores da Liberdade
Fiksi PenggemarSeul é o palco para uma história de descoberta com um pouco de encontros e desencontros, um cenário comum àqueles que já se apaixonaram à primeira vista. O caminho do amor nem sempre é aquele que imaginamos, mas é traçado. De um jeito ou de outro. E...
