Joohyun não tinha certeza se merecia mesmo ser tão feliz o quanto estava sendo naqueles dias em que se entregou ao que Seulgi lhe ofereceu. Ela sentia que a vida toda esteve em um quartinho se esforçando arduamente para manter a pequena lâmpada fraca acessa, com o seu trabalho excessivo, e que de repente essa lâmpada apenas explodiu, sendo trocada por outra muito mais viva e muito mais forte, que estava sempre acessa independente do seu esforço. Ela se sentia descansada.
Os dias que se seguiram foram preenchidos com Seulgi que a surpreendendo na doçura das ações e palavras. Joohyun nunca imaginou que a mulher marrenta poderia ser tão romântica.
- O que é tudo isso?
- Você sabe que o que mais amo no mundo é arte, não é? – Seulgi sempre que falava algo do qual gostasse, ela se desligava de qualquer resquício de arrogância, claro que ainda tinha um certo tom autoritário de quem tinha pura certeza do que afirmava, e às vezes Joohyun se aproveitava desses momentos para discordar de propósito da mais nova, só para ela respirar de forma mais densa não fazendo a mínima questão de esconder a decepção no tom de voz de reprovação.
- Eu não gosto de não saber o que o artista estava pensando quando pintou essas telas – Joohyun interrompeu uma longa explicação que Seulgi fazia, ela se calou por má vontade – Eu não gosto de não saber o que você estava sentindo enquanto me fotografava – Seulgi a olhava fingindo não prestar muita atenção nos devaneios da outra, a verdade que ela tinha picos de romance, mas não sabia ser assim todo momento. Sem saber o que completar na fala da outra, por se sentir um pouco envergonhada, ficou calada – Eu não gosto de não entender, entende?
- Não sei – Murmurou.
- Você não entende nada – Joohyun disse rindo da carinha perdida da outra.
Era na sutileza daquela relação que Joohyun se apaixonava. Sentia dificuldade em entender a outra mulher, mas essa também era uma forma que estava descobrindo de amar, ir montando devargarzinho o quebra cabeça que era Seulgi. Agora sabia um pouco mais que ela era muito irritadiça por fora, e sempre estava carrancuda, mas quando Joohyun dizia algo, ela respondia sorrindo. Era até mesmo uma cena engraçada ver as duas lado a lado, porque uma era baixinha com uma plenitude no olhar e sorriso que nunca abandonava o rosto, quando a outra nunca abandonava suas roupas desleixadas que de um modo muito peculiar se encaixavam perfeitamente com seus traços e a deixavam indubitavelmente atraente para a mulher que a acompanhava.
Depois do segundo dia que Kang Seulgi estava na porta do seu prédio na saída do trabalho, a mais velha desistiu de ir de carro, a experiência de passar uns momentos a mais com a artista era muito mais interessante do que poupar tempo na rua. Seulgi a ensinou passar um caminho que usava um bairro mais familiar, onde crianças corriam pelo parquinho, e Joohyun notou que apesar da mulher ser sempre crítica com tudo e todos, ela tinha um brilho diferente para crianças.
- Elas ainda não se desligaram de tudo que as torna humanos interessantes, são curiosas e também não finge quem são que não são. Se não gostam de uma brincadeira, apenas imaginam outra. Se não gostam de alguém, não vão sorrir nem tentar ficar ao lado dessas pessoas. Crianças são sinceras porque não entendem a performance dos adultos, que se esforçam todos os minutos para serem o que não são.
Alguns momentos as palavras de Seulgi atingiam de maneira dolorosa, de algum modo Joohyun parecia ser tudo que Kang Seulgi mais criticava no mundo, mas ela própria nunca suportou estar ao lado de alguém como a fotografa. O destino pregava peças que era difícil entender, mas estava sendo divertido tentar.
Mesmo com os encontros diários, Seulgi não voltou no seu apartamento, Joohyun se sentia tímida em convida-la, o que era novo, nunca foi puritana o suficiente para passar a noite com os caras com quem esteve. Mas como ela sempre foi contra a maré, sentiu a necessidade de permitir um pouco de romantismo com a outra.
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As Cores da Liberdade
أدب الهواةSeul é o palco para uma história de descoberta com um pouco de encontros e desencontros, um cenário comum àqueles que já se apaixonaram à primeira vista. O caminho do amor nem sempre é aquele que imaginamos, mas é traçado. De um jeito ou de outro. E...
