Mais uma noite nesse bar

85 20 8
                                        




Seulgi virava aquele copo amargo de whisky como se sua vida dependesse daquilo, porque sabia que a ardência do líquido era melhor do que o gosto nada doce de ver Joohyun se divertindo na pista de dança com a ex-francesa que parecia bonita demais para ser real. Ainda que namorasse, por ironia do destino, nunca estava com a barista em questão. Ela e Irene pareciam ter se tornado boas amigas nos dias que se passaram, para a irritação profunda de Seulgi, que agora conhecia aquele bar melhor do que gostaria. O ambiente não ajudava em nada ela se acalmar, cheio de mulheres totalmente interessadas na morena de pele pálida que dançava bêbada.

Taeyeon queria se impedir de rir dos olhos estreitos e felinos que Seulgi tinha para Joohyun, ela poderia ser bastante possessiva quando queria, mas aquilo era mais engraçado do que assustador. E até se divertia naquele ambiente, era um dos poucos da cidade que poderia conviver livremente com Tiffany sendo um casal.

- Pra uma cantora, ela gosta mesmo é de dançar, não é? – Seulgi disse em um tom rancoroso que despertava as gostosas gargalhadas de Taeyeon.

- Soube que ela tem namorada, não se preocupe.

- É, foi o que eu ouvi, mas onde tá essa maldita namorada? – Seulgi continuou bebendo sua bebida amarga, querendo sair para fumar um cigarro, mas sabia que tinha ainda menos atenção de Irene quando estava cheirando a nicotina. O pensamento a fez rir do recorte derrotado que Seulgi era no momento. Sem namorada e sem nicotina. O que restava para a jovem Kang que sentava no banco duro de um bar no subúrbio de Seul?

- Amor, Jennie me arranjou um daqueles colares que pisca – Tiffany apareceu animada e sorridente, o que irritava Seulgi mais ainda, não queria que houvesse alguém tão feliz quando ela via a mulher que amava dançando com outra – E eu também trouxe um pra você.

Incerta do gosto duvidoso de Tiffany para coisas espalhafatosas, Taeyeon o colocou porque não conseguia negar nada que a namorada queria.

- Diga, como estou?

- Perfeitamente linda – Tiffany sorriu em meia lua e beijou Taeyeon – Talvez a gente se case com um desses, olha só, eles acedem.

Eles de fato acendiam e piscavam em rosa choque, nada discretos, mas ali dentro elas não precisavam ser. Tiffany abraçou Taeyeon com os dois braços envoltos em seu pescoço, e deixou seus narizes se tocarem enquanto cochichavam algo provavelmente muito brega e meloso. Algo que Seulgi não queria ouvir, e com certeza uma felicidade que não gostaria de compartilhar. Por que Irene ainda estava no meio da pista com Rosé.

Seulgi se levantou afastando rudemente o banco e partido depois de virar seu copo, mas nunca longe o suficiente para perder de vista a empresária dançante. Ela sabia, muito bem, que Joohyun estava vivendo uma válvula de escape. Estava sendo obrigada a cumprir as atividades de nova CEO, bem como o avô disse que ela faria, porque não queria que as ações caíssem em leilão, e demoraria um tempo até passarem tudo para o nome do seu tio. Mas, além de cumprir a nova agenda, ela mal podia sair de casa, a mídia estava cada dia mais enlouquecida para saber o que estava acontecendo dentro da família Bae.

O que sabiam era que uma briga aconteceu durante o funeral, que o filho mais velho do senhor Bae não era o novo herdeiro, mas sim, a neta rebelde que estampava as revistas beijando outra mulher. A controversa ganhava força com as reações populares que alegavam com força não querer uma "mulher invertida" administrando uma das maiores corporações do país, essa não era a imagem que queriam vender. Yeri precisou de seguranças a acompanhando durante todo o período da escola, e mesmo assim alguém sempre dava um jeito de lhe provocar, por isso ela vivia na sala da diretoria. Yeri não sabia abaixar a cabeça, e o diretor sabia que era melhor deixar ela como culpada, afinal, a família já tinha por si só um histórico bem inflamado de escândalos.

As Cores da LiberdadeHistórias para pegar e não largar. Descubra agora