IRENE
Me sentia envergonhada com os últimos minutos, encarar Seulgi com aquele pequeno diário nas mãos foi mais do que eu poderia aguentar. Ao mesmo tempo eu estava furiosa, sua audácia em mexer em algo que não lhe pertencia e que claramente era pessoal me irritava, não que fossem valiosas, longe disso, talvez fosse pelo seu pequeno valor que eu me sentia tão mal. Seulgi agora pensava mim como uma menina boba que chora por amor, ou a falta dele.
Recolhendo minhas cartas e passando o olho entre uma e outra frase, percebo como tudo aquilo pode ter soado diferente na mente da Kang. Mas diferente da importância que provavelmente a mulher atribuiu àqueles papeis, eu os guardava por outro motivo. Mas o olhar dela foi algo que me pegou desprevenida, era diferente de qualquer outro que ela me lançara, esse era desarmado de sua arrogância e podia ser até mesmo descrito como acolhedor, porque foi exatamente assim me senti. Ela estava com pena, com pena da menina rica que não tinha por quem se apaixonar, ter esse tipo de sentimento de alguém era horrível.
Fechei o diário ainda como essa mistura de raiva e constrangimentos que fazia meu corpo de reações estranhas, meu coração se apertar e vez ou outra sentia um arrepio sempre que seu olhar voltava no meu imaginário, talvez eu devesse mesmo jogar esse caderno fora, mas algo dentro de mim me impedia, afinal já era um hábito escrever depois de alguns copos de whisky. Quando meu lado poético aflorava e deixava com que ele se desenvolvesse em palavras, eu gostava desse momento de intensificar minhas memórias e deixa-las falar por mim. Mas sei bem como aquilo poderia soar estranho para terceiros, e por isso ele ficava guardada dentro do guarda-roupa de um cômodo que só eu tinha acesso.
Sinto meu celular vibrando no bolso do short e ao ler o nome na telinha eu o atendo rapidamente, pois era realmente um milagre.
- Son, quando volta? Sinto sua falta – Digo risonha, sentia falta da baixinha de cabelos castanhos.
- Para sua felicidade logo logo eu estarei ai roubando suas comidas – Ela responde com o mesmo tom gostoso. Eu sentia tanto sua falta – Liguei para saber como estão os últimos preparativos.
- Uma correria mais do que o normal, mas por fim arranjamos uma modelo de última hora, rostinho de anjo e corpo de demônio, você estará entre o céu e o inferno com nossa estrela. Vai dar tudo certo, basicamente o que falta é Seulgi usar seu toque mágico para fazer as fotos perfeitas para a exposição. Você vai?
- Mas é claro que vou, minhas melhores amigas estão nisso – Era bom ouvi seu tom sempre leve e divertido – Não sabe como estou entusiasmada. Tem se dado bem com Seulgi? Sei que ela pode ser difícil.
- Ela é muito difícil, quase impossível, é de uma arrogância sem igual. Isso sem falar da presunção, mas sabe que sou ainda mais difícil quando tenho algo em mente, e eu acho ela muito boa, é uma grande artista.
- Ela é...
- E todo grande artista tem um pouco de arrogância, é natural – Rimos juntas, mas ao falar de Seulgi, pensei nos últimos acontecimentos e talvez Wendy fosse a melhor pessoa para falar já que conhecia a outra – Só tem um detalhe, hoje ela veio até aqui para trabalhar, mas acabou que... ela leu meu diário.
- Mas você não... ah não – A mulher deu uma pausa, uma longa pausa dramática, e quando penso que não, Wendy desatou a rir, na verdade começou a soltar gargalhadas imensas. O fato é que Wendy era a única que sabia sobre meu diário, porque uma vez ela o achou jogado por ai depois de eu ficar terrivelmente bêbada. As palavras que ela usou foi "cringe" e triste, mas no fim ela me parabenizou pelo meu dom com as palavras, disse que talvez eu pudesse seguir a carreira de escritora, e quem sabe ser uma excelente escritora de romances coreanos – Hyunnie, isso é constrangedor.
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As Cores da Liberdade
FanfictionSeul é o palco para uma história de descoberta com um pouco de encontros e desencontros, um cenário comum àqueles que já se apaixonaram à primeira vista. O caminho do amor nem sempre é aquele que imaginamos, mas é traçado. De um jeito ou de outro. E...
