Capítulo 24

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Gaston

Depois de esperar a raiva passar um pouco e de algumas bolsas de gelo no local onde Matteo me bateu, resolvi caminhar pelo campus atrás de um pouco de paz e sossego.
- Gastonzinho, o que houve com seu rosto?
- Sem tempo Ambar.
- Deixa eu ver isso melhor. - Ela me puxou pelo braço mas a afastei empurrando, ela me olhou com os olhos arregalados em surpresa.
- Ta legal, eu não te toco então.
- Obrigado?
- Mas tem uma coisa que eu quero te mostrar.
- Como eu disse, sem tempo Ambar.
- Mas é do seu interesse, você vai querer ver.
- O que você quer?
- Te mostrar algo, ja disse.
- Depois você me deixa em paz?
- Promessa de Ambar Smith. - Revirei os olhos e me sentei no banco mais proximo, ela claramente não ia me deixar em paz. A vi mexer no celular e me mostrar um folha, onde continha o nome de um cara qualquer, eu não estava entendendo nada.
- Isso deveria significar alguma coisa?
- Esse, é um professor do antigo colegio da Nina.
- E?
- Você sabia que ela teve relações sexuais com esse professor? - Senti meu corpo inteiro tremer, como a Ambar sabia daquilo.
- Onde você ta querendo chegar?
- O que você acha que o colegio inteiro iria pensar, se soubessem que a Nina perdeu a virgindade com o antigo professor do antigo internato.
- Você tem uma imaginação fertil.
- Minhas fontes confirmaram a informação querido.
- Que fontes Ambar?
- Isso não importa, o ponto é que se você quiser proteger a sua preciosa Nina, vai ter que fazer o que eu quiser, ou o colegio inteiro vai saber.
- Você ta blefando?
- Bom, me teste então pra ver, nos vemos Gaston. - Ambar saiu me deixando completamente perdido em meio a meus pensamentos, eu não podia arriscar que Ambar contasse algo assim pro colegio inteiro, isso acabaria com Nina de mil formas diferentes, e por mais que ela estivesse com raiva de mim, não podia deixar isso acontecer.
    As aulas do segundo periodo haviam começado mais tarde naquele dia, devido a ausencia de um dos professores, estava nos fundos da sala, um capaz acima de minha cabeça para no minimo tentar disfarçar o olho roxo que Matteo havia me dado de presente. Sentia os olhares de furia de Luna sobre mim vindos do outro lado da sala, ao lado dela estavam Matteo e Nina, ela nem sequer me olhava. Ouvimos três batidas seguidas na porta da classe, o que indicava que o diretor estava la.
- Gaston Balsano. - Ouvi o professor chamar meu nome após trocar algumas palavras com o diretor e todos os olhares cairem sobre mim. - Acompanhe o diretor até sua sala por favor.
- Claro. - Me levantei e senti o olhar de Nina sobre mim, Matteo evitava me olhar mas eu sabia que no fundo ele também estava interessado na convocação repentina, a única coisa que eu podia imaginar, era que ele queria saber com quem eu havia brigado, ja que o corte no lábio inferior de Matteo era quase imperceptível.
Cheguei a sala do diretor me jogando na cadeira, esperando a chamada de atenção que com certeza viria.
- Fiz alguma coisa senhor diretor?
- Esse roxo no seu olho está bem feito Balsano.
- Foi só um desentendimento bobo, nada com que se preocupar, ja até está resolvido.
- Não é sobre isso que quero falar com você Gaston.
- Com todo respeito diretor, porque estou aqui então?
- A noticia que tenho para lhe dar não é muito boa.
- O que houve?
- Acontece que o avião em que sua mãe estava viajando caiu.
- Como assim caiu?
- Ela está internada no hospital em estado grave.
- Eu preciso ir ve-la. - Me levantei recebendo um olhar bem torto do diretor.
- Ja entramos em contato com seu pai para que ele libere a sua saida e estamos no aguardo de uma resposta.
- E porque ele não está aqui para me dar essa noticia?
- Aparentemente ele está em alguma reunião ou algo assim.
- Eu posso ligar pra ele, com certeza ele pararia uma reunião pra falar comigo.
- Peço que se acalme Senhor Balsano, conhece os procedimentos do colegio, não é assim que funciona.
- E enquanto ele ta na reunião super importante dele eu faço o que?
- Retorne para sua classe, pegue suas coisas e aguarde no seu dormitorio, logo algum inspetor irá chama-lo para te levar até o hospital. - Concordei e sai.
    Minha cabeça estava a mil por hora, minha mãe estava em um hospital precisando de mim e onde o meu pai estava? Em alguma reunião patetica como sempre. Bati na porta da sala, segurar as lagrimas e a raiva parecia quase impossivel.
- Com licença professor, vim buscar minhas coisas!
- Claro Balsano, vá rapido. - Assenti e peguei minhas coisas, antes de sair joguei na mesa de Matteo, o bilhete que havia escrito no caminho para sala, contando o que havia acontecido.

Matteo

- Mas Senhor diretor, eu preciso ve-la, preciso estar com o meu irmão.
- Matteo entenda, o seu pai liberou apenas a saida do seu irmão, não posso fazer nada, sinto muito,
- Eu entendo, mas o Senhor tem alguma noticia?
- Apenas o que lhe disse, e tambem ao Gaston, não sei de muito.
- Pode me avisar se tiver alguma novidade?
- É claro!
- Obrigado. - Sai da sala e vi Luna acompanhada de Nina, me aguardando.
- E ai? - Luna veio em disparada até mim.
- Meu pai só liberou o Gaston.
- Mas o diretor tem novidades? - Nina parecia preocupada.
- Não, nada, ele vai me avisar se tiver alguma.
- Ela vai ficar bem meu amor.
- Eu não acredito que isso ta acontecendo com a Helena, não acredito que eu não estou do lado do Gaston pra apoia-lo, ele precisa de mim. - Eu não conseguia mais conter as lagrimas, mesmo não sendo filhos da mesma mãe, Helena era extremamente importante para mim, e foi mais presente em minha vida do que minha propria mãe.
- Vai dar tudo certo. - Luna me abraçou e naquele momento sim, foi impossivel não desabar em lagrimas e dor.

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