Capítulo 25

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Nina

    Estava caminhando com Luna pelo campo do colegio, estava vazio naquele horario o que era totalmente estranho, considerando que nunca estava vazio. Matteo estava trancado no quarto, era muito visivel o quanto ele estava abalado.
- Posso te perguntar uma coisa Luna, apenas curiosidade! - Perguntei, chamando sua atenção.
- Pode, claro.
- Eu nunca consegui entender como o Matteo e o Gaston são irmãos, tem a mesma idade, mas não são gemêos.
- Eles não falam sobre isso, é tipo um passado muito bem enterrado, apesar do fato de todos perguntarem.
- Não precisa contar, é só curiosidade.
- Tudo bem, acontece que o pai deles era casado com a Mara, mãe do Matteo, mas tinha um caso extraconjugal com a Helena, mãe do Gaston.
- Caramba. - Paramos por algum tempo e decidimos sentar na arquibancada, o sol estava começando a se pôr.
- As duas engravidarem quase que ao mesmo tempo, quando o Gaston nasceu a Mara descobriu o caso, por algum tempo ela aceitou mesmo o Jorge e a Helena não tendo mais nada.
- Ela só deixou passar?
- Mais ou menos, o Jorge pegou a guarda do Gaston porque a Helena não tinha condições financeiras para cuidar dele e ela não queria ser sustentada pelo Jorge, então eles entraram em acordo. Quando o Matteo nasceu, a Mara simplesmente não conseguiu aguentar mais, ela rejeitou o filho e sumiu do mapa, os dois foram criados pelo Jorge, mas com uma presença constante da Helena.
- Então o Matteo nunca conheceu a mãe?
- Não, ninguem nunca mais soube dela.
- Isso explica o porque o Matteo ficou tão abatido com o acidente
- A Helena foi quase a mãe dele, porque ela tava sempre lá pro Gaston, mesmo a guarda sendo do pai, sempre levava pra passear, dava presentes quando podia, e sempre incluia o Matteo.
- Ela nunca quis a guarda do Gaston de volta?
- Não, mesmo quando ela melhorou de vida, arrumou um trabalho, residencia fixa e tudo mais, ela preferiu ser presente, mas deixar o filho com o pai, o Gaston tinha tudo, escolas particulares, as melhores, cursos, estudo, um futuro que talvez ela não pudesse dar mesmo com a posição em que estava.
- Era como uma guarda compartilhada?
- Quase isso, ela levava os dois pra viajar, quando o Jorge precisava viajar a trabalho, ela ficava com eles na casa dela, ela foi mais mãe do Matteo do que a propria mãe dele.
- E ainda sim com tudo isso o Gaston sempre foi mais retraido que o Matteo, não faz sentido.
- O Jorge sempre foi muito rigido quanto a educação dos dois, ele amou, cuidou e educou os dois por igual, independente de qualquer caso extraconjugal, mas o Matteo sempre foi o revoltado.
- Por ter sido deixado pela mãe?
- Sim, houve uma epoca, até pouco tempo atrás que ele simplesmente enfiou na cabeça que queria achar a Mara e olhar nos olhos dela e perguntar o que ele tinha feito de errado.
- Ele nada, o pai dele já é outra historia.
- Isso é, enquanto o Matteo era o revoltado, o Gaston sempre foi mais focado, ele sempre teve em mente que precisava estudar para ser alguem na vida e ajudar a mãe dele.
- E quando a popularidade dele se tornou mais importante do que a felicidade? - A vi rir com um pouco de desprezo, eu sabia bem o porque.
- Quando eramos crianças, de alguma forma a historia de que ele era o filho bastardo vazou, começaram a zoar ele por ser fruto de uma traição e etc, quando mudamos pro Blake ele decidiu esconder isso a todo custo e ser aceito.
- Ele precisa da popularidade pra se sentir bem?
- Basicamente!
- Você sabe que isso é loucura né
- Ele nunca disse nada, mas o Matteo e eu acreditamos que ele se sente culpado de alguma forma pelo irmão nunca ter conhecido a mãe.
- Mas não é culpa dele.
- Ele sabe, mas..
- Eu nem imagino como ele deve estar agora então.
- E como você está?
- Com relação a?
- A tudo que rolou.
- Eu ja superei coisa pior Luna, vou sair dessa.
- Sabe que to aqui pro que precisar?
- Eu sei.
- Vou dar uma olhada no Matteo.
- Manda um abraço meu pra ele.
- Pode deixar. - Luna saiu e decidi ficar por ali mais algum tempo, eu não havia ficado em paz desde que ouvi aquela conversa de Gaston, eu precisava processar as coisas.
    Eu não sabia quanto tempo havia passado, nem que horas eram, mas ja havia escurecido e quando notei, estava com o celular na mão. a tela mostrando o numero de telefone de Gaston, algo em mim dizia que eu devia ligar para ele.

Love is the nameHistórias para pegar e não largar. Descubra agora