Reencontro

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Fiquei paralisada ao vê-lo depois de todo aquele tempo, tanto que, por um momento, até esqueci da dor que estava sentindo. Eu não consegui dizer uma palavra, e ficamos em silêncio por alguns momentos. Eu não conseguia decifrar o que as expressões dele passavam: surpresa? felicidade?

Não sabia dizer.

E de repente, a dor da queimadura na minha mão me fez sair do transe que o olhar dele me colocou.

- Porra, acho que eu me queimei...

- Morgana, desculpa... você tem que colocar a mão debaixo da água corrente, pra não criar bolhas.

Ele pegou os papéis que eu estava carregando da minha mão, e me puxou para um dos banheiros da empresa, até a pia. Eu coloquei minha bolsa no balcão e coloquei minha mão debaixo da água que saía da torneira, e fiquei lá. O silêncio ensurdecedor tomou aquele espaço, e eu não sabia o que dizer. Sentia os olhos dele em cima de mim, e eu queria simplesmente sumir dali. Então, depois de um tempo, ele quebrou o silêncio.

- O que... você está fazendo aqui? Achei que estivesse na Alemanha...

- Eu voltei tem dois dias. Meu pai não te contou? – respondi, sem virar para observá-lo. Naquele momento, até a água que caía na minha mão avermelhada parecia uma coisa interessante o suficiente pra que eu tentasse focar e tentar me acalmar.

- Não. Na verdade, ele não falou nada.

- Nem que ele e minha mãe viajaram de férias? – olhei para ele através do espelho, e vi seus olhos se arregalando.

- Não, você sabe que seu pai não é muito de dar satisfações. Então... você veio pra ficar no lugar dele?

- Sim.

- E você vai embora de novo depois que ele voltar?

Voltei a olhar para minha mão.

- Não, vou continuar aqui.

Continuei com minha mão debaixo da água por mais um tempo, e depois, tirei, pegando um lenço de papel e enxugando-a.

- Você precisa passar pasta d'agua e fazer um curativo simples, na enfermaria.

- Ah... eu vou lá agora. – falei, meio sem jeito.

- Quer que eu vá com você? – perguntou, se aproximando de mim.

- Não, Erwin, não precisa. Eu resolvo isso sozinha. Você poderia... – apontei pros papéis na mão dele, os pedindo de volta. Ele me entregou, mas não tirava os olhos de mim. me sentia acuada perto dele, e queria sair de perto dele o mais rápido que pudesse.

Ele me entregou os papéis, e disse:

- Desculpa de novo por isso. Eu estava distraído.

- Tudo bem. Enfim, nos vemos depois.

Peguei minha bolsa e virei as costas, e saí o mais rápido que pude, antes mesmo dele ter alguma chance de me responder. Corri pra enfermaria para fazer o curativo, mas minha cabeça fervia. Ele não tinha mudado nada, continuava preocupado e protetor comigo. Seu toque na minha mão, me puxando para o banheiro para que eu a colocasse a mão queimada debaixo da água, desencadeou todas as lembranças que por muito tempo havia suprimido na minha mente, lembranças de quando as mãos dele passeavam por todo o meu corpo, e eu caí em lágrimas.

- Senhorita Ackerman, está tudo bem? – perguntou a enfermeira. – Está doendo muito?

Ela achava que eu estava chorando por causa da queimadura na mão.

Fruto ProibidoOnde histórias criam vida. Descubra agora