01

5.5K 533 285
                                        


Sarah estava perdida em pensamentos.

Passaram-se cincos anos desde que partiu de Recife e nunca mais voltou, nem mesmo para uma visita rápida. Havia feito a sua vida em Natal, possuía ótimas clientes e uma clínica de Estética e SPA que era reconhecida pelos excelentes serviços. Gozava de tudo em sua clínica, esse era o diferencial.

Ganhava muito dinheiro, mas também, tinha muitas responsabilidades. Nesses cincos anos, se afundou no trabalho e se esqueceu de sua vida amorosa. Claro que tinha alguns encontros banais, quando o seu corpo ficava necessitado demais de sexo, mas apenas isso. Nunca desencadeou um relacionamento sério porque nenhuma mulher foi capaz de fazê-la suspirar e pensar num futuro.

Não podia aparecer na mansão dos seus pais depois de cinco anos solteira. Iria aparentar que ela não tinha superado o furacão Kérline em sua vida. Que no caso, seria uma verdade, mas ela não queria que ninguém soubesse disso. E nesse pensamento, que decidiu que iria contratar uma acompanhante que fingisse que estava morrendo de amores por ela. Poderia procurar uma namorada, mas tinha apenas três dias até partir para Recife, não dava tempo para criar um vínculo.

Despertando dos seus pensamentos, abriu o seu notebook e colocou no Google: Acompanhantes. 

Apareceram variedades de nomes em vários links. Todas garotas de programa. Não pegava nada bem.. Abriu uma página e deparou-se com uma loira muito sexy, mas não era o ideal para se fazer de namorada. Voltou à página quando escutou três batidas na porta.

— Entre. — Disse e fechou o notebook.

A gerente da clínica, Viviane, adentrou no recinto com a expressão preocupada.

— Desculpe-me interromper, Sarah. Eu sei que você não gosta de ser chamada por amenidades, mas temos uma cliente muito importante contrariada na recepção porque a designer de sobrancelhas ainda não chegou. — Viviane respirou fundo. — Tentei acalmá-la, mas parece que foi muito pior. Como você tem conhecimento.. poderia conversar com ela?

Cliente contrariada era péssimo para reputação da clínica.

— Como é o nome da cliente? — perguntou, alisando o seu vestido de renda branco curto.

— Karoline Conká.

Sarah respirou fundo. Karoline Conká era do alto círculo social. Uma das mulheres mais ricas do Rio Grande do Norte e não podia deixa-la com uma impressão má de sua clínica.

— Vamos resolver isso. — Sarah disse, já passando por Viviane e indo para recepção.

Presava a disciplina dos funcionários. E se o funcionamento de sua clínica fosse afetado por conta de uma funcionária, teria que tomar uma medida drástica. Encontrou Karoline Conká impaciente e reclamando a bons ouvidos na recepção de luxo. Os outros clientes que esperavam na recepção observava a cena com atenção e até mesmo incredulidade.

— Karoline, minha querida. — A voz de Sarah era pura simpatia, mesmo por dentro, estando chateada pela situação.

— Sarah, finalmente! — Karoline cumprimentou a Sarah com dois beijos na bochecha. — Eu fiquei me perguntando onde você estava esse tempo todo. Tenho que dizer que estou muito chateada pela irresponsabilidade dos seus funcionários. — A socialite passou um olhar feio para Viviane que estava quieta atrás de Sarah.

Sarah olhou para trás e deu um sorriso amarelo, tocando a Karoline pelo braço e a puxando um pouco para se afastar da recepção, já que a mulher não fazia questão de falar baixo.

— O que posso fazer por você, Karol?

— Marquei um horário de oito horas para a designer de sobrancelhas. Por tanto, é quase nove horas e nada dela aparecer! O que justifica isso? — Karol perguntou, arqueando a sobrancelha e olhando firmemente para Sarah.

— Isso é realmente um contratempo e peço desculpas, isso nunca aconteceu na clínica. Mas o que posso fazer por você? Podemos chamar outra designer.. aqui temos outras e...

— Não! — Karoline bateu o pé. — Não quero outra designer, eu quero a Juliette. Faz cinco meses que estou fazendo as minhas sobrancelhas com ela e não aceito que outra toque em minhas sobrancelhas. Sinceramente, Sarah, a sua clínica era louvável, agora me questiono sobre o profissionalismo da mesma.

Sarah sentiu o sangue ferver. Sua cabeça latejou pela primeira vez naquela manhã, não estava tendo um bom dia. Olhou para Viviane questionadora, a sua gerente empalideceu.

— Onde está a Juliette? — Perguntou com voz firme para Viviane.

— Eu... Eu... Não sei... — Viviane gaguejou.

— Não aceito essa resposta. Vou perguntar mais uma vez, Viviane. Onde está a Juliette? — Perguntou novamente com o tom ameaçador, virando-se totalmente para sua funcionária.

Tinha muitos funcionários na Clínica e SPA. Sarah deixava a responsabilidade nas mãos de Viviane, enquanto tudo funcionasse bem, era o interessante para si. Por isto, não sabia quem era Juliette... ou qualquer outro funcionário. Apenas confiava em Viviane, porque sabia que ela era rígida e só contratava o melhor.

— Estou aqui! — A voz soou afobada, e chamou atenção das três.

Karoline parecia muito feliz com a presença de Juliette. Viviane parecia muito aliviada, mas enviava olhares fulminantes para Juliette. E a Juliette estava com a respiração ofegante, suada, a blusa branca colava em seu corpo como uma segunda pele. O que foi bem atraente aos olhos de Sarah.

Como nunca tinha visto essa funcionaria antes? Era linda, mesmo suada e com a maquiagem desmanchando em seu rosto. Sua altura era baixa, porém, o seu corpo eram cheios de atributos adoráveis.

— Desculpe-me o atraso, tive um contratempo. — Juliette disse com a voz cansada, aos poucos a respiração ia se tornando mais calma.

— Depois conversamos. Prepare a sua sala. — Viviane disse com voz fria. Então, virou-se para Karoline. — Senhora Conká, desculpe-me pelo seu desconforto. Não cobraremos pelo serviço, tenho certeza que Juliette não se importará em lhe fazer uma cortesia para compensar esse transtorno.

Juliette engoliu a seco. “Cortesia” significava que iria descontar do salário do funcionário.

— Claro. — Juliette respondeu depois de um tempo. — Vou preparar a sala, em um minuto lhe chamo senhora Conká. Com licença.

Sarah acompanhou a Juliette com o olhar, e foi impossível não olhá-la dos pés á cabeça. Então, virou-se para Karoline.

— Resolvemos a questão? — Perguntou para a cliente.

— Oh sim... — Karol sorriu aparentemente satisfeita.

— Ótimo. Mais uma vez, desculpe-me pelo transtorno, isso nunca mais irá acontecer. Com licença. — Sarah sorriu forçadamente para Karoline e virou-se, indo em direção ao seu escritório com Viviane a tira colo.

— Sarah, perdoe-me por isso, juro que nunca mais vai acontecer, sei como presa a qualidade da clínica. — Viviane dizia com preocupação.

— Oh, tenho certeza que não. Eu não admito erros, você sabe muito bem disso, Viviane. — Abriu a porta do seu escritório e entrou. — Não aceito ser chamada novamente por esse tipo de negligência.

— Eu vou conversar com a Juliette. Não se preocupe. Irei notificar esse erro, e descontarei do salário dela, além, de descontar também o serviço de hoje..

Sarah virou-se para Viviane.

— Não. Você não irá conversar com ela. Eu irei. Já vai descontar o serviço, não precisa descontar mais do que isso. — Sentou-se em sua poltrona e viu a descrença no rosto de Viviane. Sarah nunca falava diretamente com os funcionários. — Pode se retirar.

— Sim. Com licença... — Viviane deu um sorriso amarelo e saiu, fechando á porta.

Sarah bateu as unhas na sua mesa de vidro. Com o plano fervendo em sua mente.. Não iria precisar contratar uma acompanhante quando podia falar sobre negócios com uma de suas funcionárias. Ligou a televisão, e apertou um botão acionando a câmera que ficava na sala de Juliette... Concentrou-se na expressão serena e compenetrada de Juliette nas sobrancelhas de Karol.

Linda e sexy. Era ideal para se passar por sua companheira..

Faz De Conta || Sariette • ADP Histórias para pegar e não largar. Descubra agora