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No outro dia, Sarah acordou muito melhor. Estava bem e feliz. O seu rosto e o seu pescoço tinham limpado consideravelmente. O médico a liberou, não tinha porque ficar no hospital. Passou uma pomadinha para passar nas urticarias até que ficassem limpas completamente. Aparentemente, a Sarah não se lembrava da visitinha surpresa da Kerline.

Juliette se manteve ao seu lado o tempo todo, em nenhum momento tocaram no assunto “nós”, mas estavam tão carinhosas e aqueles olhares apaixonados não enganavam á ninguém.

As duas estavam felizes, porque em suas cabeças aquele dia seria um recomeço para o amor de ambas. Uma segunda chance. A única coisa que impedia que a felicidade fosse completa era o relacionamento ainda pendente de Juliette com a Thaís. A sua namorada não tinha respondido a sua mensagem, também não a tinha ligado. O que era estranho. Thaís era meio pegajosa...

O que a Juliette não sabia era que a sua namorada tinha passado a noite com a Carla no apartamento de Sarah. Com a sua irmã de molho no hospital, a mais nova não hesitou em nenhum momento para arrastar a Thaís para o apartamento, tendo uma noite muito quente e também memorável. Ficariam tão perdidas nos corpos que se esqueceram completamente do mundo.

Também se esqueceram de ir para o quarto... Estavam nuas e enganchadas no sofá.

Durante o percurso para o apartamento, a Juliette que estava dirigindo. Não deixou que Sarah tocasse no volante. Queria que a loira ficasse em completo repouso.

— Eu estou bem, Julie. — Sarah disse pela milésima vez, sendo ignorada.

— Só vai ficar bem completamente quando não estiver mais com essas manchinhas em seu rosto. — Juliette insistiu.

Sarah bufou e fez um biquinho, mas depois sorriu. Acariciou o braço da morena que deu uma rápida olhada para ela, e também sorriu.

— O que foi? — Juliette quis saber.

— Você cuidando assim de mim... Sinto-me até no céu. — Sarah respondeu sem deixar de olhá-la.

— Não seja exagerada. — Juliette riu.

— Não é exagero, é que nunca imaginei que estaríamos assim novamente... — Sarah suspirou e relaxou no banco do carro. — Eu sei que não está nada definido, e algumas coisas precisam ser resolvidas, mas não consigo controlar essa felicidade.

Juliette refletiu as palavras de Sarah.

— Sim, algumas coisas precisam ser resolvidas. Eu ainda estou com a Thaís... — Juliette começou, e Sarah torceu os lábios. — Pretendo terminar com ela. — O sorriso de Sarah voltou. — Mas eu quero ir com muita calma com você, sabe? Quero ir aos poucos, de passo á passo, sem afobação e sem deixar que a tensão sexual nos cegue. Você compreende isso? Ainda existem algumas questões dentro de mim que precisam ser resolvidas.

Sarah balançou a cabeça em positivo.

— Sim. Eu entendo, e acho até melhor ir com calma... Assim poderemos resolver as nossas diferenças sem os ânimos exaltados. Estavámos muito oito ou oitenta, e um relacionamento não pode ser assim. Eu sei que sou muito impulsiva, e que fiz muitas besteiras, mas não quero que nada estrague essa nova chance que está surgindo. Quero que o companheirismo esteja sempre presente entre nós. Sem egoísmo, sem pensar no próprio umbigo, e sem burradas.

Juliette adentrou na garagem do condomínio.

— Eu fico muito feliz que concorde comigo e que esteja com esse pensamento. Por um momento fiquei com medo de que não quisesse começar do zero.

— Está brincando? Claro que quero. Quero lhe mostrar que pode confiar em mim, quero me redimir perante os meus erros e quero que você veja que sim que sou digna de você.

Juliette estacionou o carro na vaga de Sarah. Retirou o cinto e virou-se para ela. As duas se olharam, parecia um sonho que tudo estivesse se acertando, finalmente. Sarah também tirou o cinto, segurou o rosto da morena e lhe deu um beijo castro.

— Vamos fazer dá certo. — Sarah afirmou.

— Eu não duvido. Só fico preocupada com a Thaís. — Juliette suspirou. — Não sou uma mulher ingrata, mas estou me sentindo assim... Ela esteve ao meu lado nesse tempo todo, acho que estou sendo bem safada em terminar o relacionamento.

Sarah acariciou o rosto da morena. Se fosse em outro momento, outra época, já surtaria com isso... Mas, não tinha motivo para fazer isso. Sabia que a Juliette tinha um bom coração e que estava se remoendo por isso. Não daria show. A ajudaria. Isso faz parte do companheirismo não?

— Pior seria se você continuasse com ela apenas por gratidão. Ela não merece isso, não gosto da Thaís, mas eu não gostaria que uma pessoa estivesse comigo apenas por caridade. A única coisa que você pode dar a ela é a sinceridade. Ela pode até ficar chateada, mas vai superar isso.

— Você tem razão. Não vou protelar isso. Só irei esperar que ela volte de Gravatá que terei uma conversa com ela.

Sarah roubou mais um selinho da Juliette. As duas saíram do carro e foram para o elevador. Distraidamente, a loira deu uma coçadinha em sua urticária, recebendo uma tapa leve de advertência da morena que a olhou com a cara feia. Sarah não aguentou e riu, puxando a Juliette para um abraço de lado. Como no decorrer do trajeto, o elevador tinha enchido, então, não podiam se beijar. Mas á vontade estava bem viva.

Tanto que saíram do elevador, e atingiram o corredor. Sarah já estava com a chave na mão. Mal colocou a chave no trinco, e puxou a Juliette para o beijo desejado... Não era um beijo castro, e muito menos lento... Era um beijo quente e com provocação das línguas. O ritmo era intenso, acendendo cada pedacinho do corpo de ambas. Sentiram-se quentes, e com vontade de mais.

Juliette agarrou-se na cintura de Sarah, e a empurrou contra a porta. Afundando a língua na boca da loira, e enroscando a língua, enquanto, roçava os corpos. Sarah gemeu de prazer, uma mão estava no corpo de Juliette, e a outra tentava abrir a porta com muita dificuldade.

Mas conseguiu as duas tropeçaram em algo, e riram por quase caírem. Voltaram a se beijar e Sarah fechou a porta com os quadris, puxando a Juliette novamente para o seu corpo, cambalearam pela sala, tropeçando novamente. Desta vez, foram em corpos. Gritaram, Thaís e Carla que estavam deitadas, acordaram e também gritaram.

Quatro queixos caíram.

— Thaís! — Juliette exclamou sem acreditar que a sua namorada estava nua com a sua cunhada.

— Juliette! — Thaís também exclamou, ficando muito vermelha. Mas não teve nenhuma reação, nem ao menos para se cobrir. Os seus olhos desceram para as mãos de Sarah que estavam nos seios de Juliette.

Sarah retirou as mãos rapidamente, e olhou para a Carla com reprovação. Carla lançou um sorriso amarelo. Ali, as quatros estavam com a maior culpa no cartório e foram flagradas da pior maneira!

Faz De Conta || Sariette • ADP Histórias para pegar e não largar. Descubra agora