Cap. 12 - As peças se movem -

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Kurt estava sentado ao lado de Jarbas, que lhe mostrava a composição do corpo de um revolver. A arma em questão era um Colt Cobra, preto fosco com uma empunhadura de madeira escura.

- É um revolver pequeno Kurt, mas é confiável. Diferente das pistolas, se a uma bala falha, basta pressionar novamente o gatilho. – Apontou o cilindro e o abriu, mostrando seis buracos vazios. – Seis balas, não é para um tiroteio, claro, mas carregar uma dessas pode ser a diferença entre a vida e a morte.

- Você gosta mais de revolveres, não é Jarbas?

Com um sorriso, o homem negro deixou o Colt Cobra ao lado de Kurt e pegou outro revolver, um Colt Python, cromado e de empunhadura preta, emborrachada. Era maior, mais grosso e mais pesado, parecia o pai daquele pequeno revolver.

- Claro. – Deu de ombros e abriu o tambor. – Seis balas, calibre maior. Da para ver só pelo tamanho do revolver, não é? Calibre .357, se você acertar a rotula de um camarada com essa arma, é bem capaz que você arranque a perna dele fora.

- Eu também gosto de revolveres.

Cortez chegou com sua pose de pistoleiro, os polegares enfiados no bolso da calça jeans e uma camisa preta, onde estampado havia o rotulo do uísque Jack Daniels. As dogtags balançavam para cá e para lá, tintilando. Kurt gostou de rever Cortez, queria contar para ele a novidade, que havia beijado Acqua, que alguma coisa havia mudado e que...

É mesmo, havia esse detalhe, não havia? Acqua ainda carregava um pequeno segredo que de acordo com ela, poderia fazê-lo querer empurrá-la de uma sacada.

- São mais confiáveis. – Disse e segurou o ombro de Kurt, sorrindo. – E tem mais estilo também, me lembra os filmes antigos de faroeste. Sacavam e já atiravam, do quadril mesmo. – Deu alguns passos distante de Kurt e imitou o movimento. – Atiravam até sem apertar o gatilho, só pelo cão da arma. – Suspirou e sorriu. – Me lembra meu pai, costumávamos assistir juntos...

- Eu vou ficar com o pequeno. – Disse por fim, pegando o Colt Cobra. – Mas ainda irei carregar minha Beretta. Tem algum Coldre na bota, ou coturno, ou sei lá... Bem como naqueles filmes de ação mesmo?

- Não. – Disse Jarbas franzindo a testa. – O revolver você carrega no coldre da cintura, a pistola no coldre do tórax.

- Tem sim. – Retrucou Cortez, apontando uma caixa preta com listras amarelas, perto do estande de tiros. – Aquelas caixas pretas tem alguns itens de “agente especial”. É uma espécie de cinta com velcro, um pequeno coldre, dá para esconder esse revolver em uma calça social.

Kurt levantou e caminhou até a caixa, brincando com o tambor do revolver. O calibre .38 não era lá essas coisas, mas na hora da necessidade, até uma pedra vale mais que as mãos vazias. Abriu a caixa com ajuda de um pé de cabra e viu alguns itens interessantes, todos envolto de papel isopor. Havia luvas, roupas justas, uma até bem interessante com várias listras de velcro para que fosse anexado os itens necessários, bolsas extras e coldres. Parece que amavam esse tal de velcro.

Após um pouco de esforço, finalmente achou o pequeno coldre. Testou e se deu por satisfeito, voltando a Cortez que lhe encarava com uma expressão sorridente e um tanto quanto orgulhosa.

- Isso aí meu amigo Kurt. – O celular de Kurt interrompeu Cortez que, em um gesto impaciente, mandou-o atender. – Vai lá cuidar da sua vida.

- É Megami. – Disse sério sem ainda atender o telefone. – Acho que nosso treinamento vai ficar para amanhã.

Por um curto momento, Kurt torceu para que fosse Acqua. Abandonou a ideia em um suspiro e atendeu ao chamado de sua Rainha.

...

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