Capítulo 26: Quando O Pior Aconteceu

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Estávamos deitados. Sua cabeça repousava em meu peito, subindo e descendo com o ritmo da minha respiração ainda ofegante. Fiz o possível para não embaraçar seus cabelos. Não seria conveniente se os mais pais percebessem o que havíamos feito. Mas algo dentro de mim me dizia que eles sabiam que eu começara a ter uma vida sexual um pouco ativa. Eu torcia para que meus pais não tocassem nesse assunto. Seria muito desconfortável para mim. Acreditei que para Luíza também.

Era engraçado lembrar que Artur zombava de mim por conta da minha virgindade. Mesmo ele não sabendo que eu não era mais virgem - assim eu pensava -, eu não lhe contaria nada. Deixaria que ficasse apenas indagando e indagando. Com um pouco de esforço eu consegui acariciar seu ombro e senti um arrepio. Ainda estava extasiado, um tanto quanto excitado com nossa última - até então - relação sexual em solo solo nordestino.

- Você é um tarado, Fredo!

Eu ri.

- Ora, mas foi você quem quis. E foi você quem tomou a iniciativa, já que foi logo tirando a minha camiseta - foi a minha defesa, embora não tanto convincente.

- Como se você fosse negar, mané - assenti e ri novamente. - Eu sabia. - Neste momento eu senti um beliscão na coxa e quase gritei. - Se gritar é pior.

- Mas doeu, amor - olhei para ela com certa malícia. - Vai ter que dar um beijinho na minha coxa. Talvez dê para sarar.

- Como você tá ousado, hein? Tô passada! - Luíza olhou diretamente para os meus olhos. E pareceu considerar a minha sugestão. - Tá bom. Deixa eu vir onde está vermelho.

Luíza endireitou-se na cama e levantou o cobertor que nos envolvia. Levantei a perna dolorida para que ela beijasse onde doía. Mas seus olhos estavam arregalados, fitando o meio das minhas pernas.

- Caralho!

- O que foi, amor? - Perguntei, realmente sem entender. - Algo de errado?

Luíza começou a gargalhar.

- Não é nada. Só tô passada em perceber que já se passaram alguns minutos e você continua "nas alturas".- Luíza fez sinal de aspas com os dedos.

Entendi na hora e tornei a rir novamente. Eu não havia percebido.

- Vou vestir minha cueca, é melhor.

- É, sim, Fredo.

Levantamos juntos e nos trocamos, um olhando para o outro. Não havia vergonha no ar. Arrependimentos. Nada de ruim. Apenas estávamos felizes, ainda eufóricos com o sexo, mas também tristes, mesmo que tentássemos esconder. Sabíamos que iria demorar até conseguirmos fazer tal coisa novamente. E eu notara que Luíza mudava de expressão a cada vez que o tempo passava. Eu reparava em seu olhar, suas feições.

Foi quando, enquanto olhava para o chão em busca do meu par de sandálias, vi um envelope azul. Aproximei-me para pegá-lo, mas Luíza foi mais rápida.

- Quero que você leia isto quando já estiver de volta em São Paulo, ok? Se ler a minha carta antes, mesmo que eu não saiba, pense que isso me deixaria muito triste e mais atordoada do que já estou no presente momento.

Engoli em seco na hora.

- Claro, confie em mim. Mas amor, você não acha que cartas são coisas antigas, fora da moda atual?

- Sou adepta ao uso de cartas, Alfredo. Você não sabe, mas escrevi algumas cartas endereçadas a você desde quando nos conhecemos, mas só irei dar-lhes a você quando estivermos juntos novamente. Por hora, acho melhor você ficar com esta aqui. E não está fora de moda coisa nenhuma. E também não é clichê. Pense que você poderá olhar as minhas letras. Escrevi tudo isso do fundo do meu coração. Até me surpreendi com minhas palavras.

Infinitos São Os Nossos AtosOnde histórias criam vida. Descubra agora