Capítulo 15: Quando Prometi Sempre Ser Honesto

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Alguns dias passaram e o clima na casa de praia não estava dos melhores. Acordei várias vezes durante a madrugada ouvindo meu pai e meu irmão brigando, além de ouvir minha mãe gritar, desesperada, pedindo para que o meu pai não levantasse a mão outra vez, pois violência não resolvia nada. Evitei sair do meu quarto, pois sabia que poderia ser uma isca fácil para Artur e seus xingamentos. Mas, ao mesmo tempo, me considerei fraco. Eu poderia muito bem me defender, contra-argumentando e tal, mas as melhores palavras só vinham à minha mente após os momentos terem passado.

Além disso, alguns vizinhos estavam reclamando do barulho que fazíamos, fazendo com que síndicos viessem nos visitar e detalhar as reclamações. Sabíamos que poderíamos ser postos para fora a qualquer momento. E eu não queria isso. Não quando eu possuía uma namorada que não poderia me acompanhar quando a viagem chegasse ao fim.

Nos últimos dias nós dois havíamos ficado juntos mais do que o normal, ou seja, praticamente todos os dias, da manhã até o fim da tarde. Descobrimos que a escola onde Luíza estudava estava para retornar as aulas. Eu via seu semblante brilhar, animada por poder voltar a estudar. A ideia de ficar a manhã toda sem vê-la não me deixava nada animado, mas ela me prometera conversar comigo antes de ir para a escola, durante o intervalo e quando voltasse para casa, que seria nosso momento juntos. Mas ainda faltavam pouco mais de três semanas para que a greve acabasse.

Entretanto, eu sabia que nossa viagem estava chegando ao fim. E tudo por culpa de Artur. Eu não queria deixar Luíza.

*

Em uma manhã de quinta-feira, enquanto ela estava sentada no balanço, eu cheirava seu pescoço. Eu me sentia tão ousado.

- Fredo... - Luíza gemeu, contorcendo o corpo, arrepiada. - Alguém pode nos ver.

- Mas o seu pescoço tá mais cheiroso que um vidro cheio de perfume - respondi, ainda mexendo meu nariz em seu pescoço.

Ela riu.

- Mas eu passei perfume no pescoço, mané.

- Isso responde muita coisa.

O clima estava agradável. O sol não queimava nossas peles, mas fazia com que gotas de suor brotassem em nossas testas lisas. A grama estava aparada e sentíamos cheiro de comida saindo da casa de praia. Minha mãe estava cozinhando. Eu sabia que ela estava preparando uma refeição especial para Luíza, mas também para acalmar os ânimos de meu pai e de Artur.

Parei de cheirar seu pescoço e beijei sua bochecha. A Tiara continuava. Ela estava levando sua promessa a sério. Ela era tão determinada. Tão justa. Fazia com que eu enxergasse as coisas de uma maneira diferente.

- Vamos entrar e ouvir um pouco de música? - convidei, puxando sua mão.

- Claro.

Demos as mãos e entramos na casa. Não havia ninguém na sala além de nós dois. Pedi para que Luíza me esperasse enquanto eu ia ao meu quarto buscar meu pen-drive. Instantes depois, coloquei-o no aparelho de som e avancei algumas faixas, até chegar em uma pasta repleta de músicas da Taylor Swift. Deixei "Should've Said No" tocar e sentei ao seu lado, dando-lhe um selinho rápido.

- Sabe no que eu estava pensando, Fredo?

Apertei na tecla "pause" e concentrei meu olhar nela, quase hipnotizado por sua beleza única.

- Que tal nós três marcarmos um dia juntos? - propôs, na lata. Embora, no momento, eu não sabia quem era a outra pessoa a qual Luíza havia se referido.

- Quem é a terceira pessoa? - antes mesmo dela responder, emendei: - Meu irmão?

- Não. Duvido muito ele aceitar isso, Fredo.

Infinitos São Os Nossos AtosOnde histórias criam vida. Descubra agora