◩ 𝐓𝐡𝐞 𝐄𝐱𝐜𝐡𝐚𝐧𝐠𝐞 ◪
𓏲໋ׅ ᴠɪɴɴɪᴇ ʜᴀᴄᴋᴇʀ ᴀᴅᴀᴘᴛᴀᴛɪᴏɴ.
A tímida e insegura Allice Smith, passou a infância e adolescência como filha única, se mudando de cidade em cidade com uma avoada mãe. Adulta, se mudou para Los Angeles para fazer faculdade...
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Aliice Point Of View
- Está me convidando para sua cama?
Por um momento a pergunta se repete na minha mente e tenho certeza de que ouvi errado. No momento seguinte, quando percebo que não alucinei e que realmente ouvi o que Vinnie acabou de perguntar, coro horrorizada pelas insinuações naquela questão.
- Não! - nego com a voz a chocada, só então percebendo que Vinnie estava sendo irônico, quando ele simplesmente volta ao que estava fazendo, ignorando minha presença.
Porém o estrago já estava feito. Naqueles milésimos de segundo em que a questão viajou através do meu cérebro confuso, imaginei várias coisas absurdas, como, por exemplo, Vinnie estar insinuando que eu poderia querer convidá-lo para minha cama. E não era para dormir.
Quando me dou conta do absurdo, também percebo, ainda mais chocada, que uma parte de mim pensava que talvez Vinnie não estivesse tão errado assim em suas suposições.
Envergonhada, corro para o quarto e bato a porta, protegendo-me lá dentro. Mas quem iria me proteger dos meus pensamentos tortuosos?
A partir daquele momento virei prisioneira de meus próprios medos. Como se não bastasse eu ter que me proteger do fato de estar ali me passando por outra pessoa, ainda teria que lutar contra aquela parte de mim que estava entrando na fantasia de esposa de Vinnie Hacker mais do que seria permitido.
E, como se a caixa de pandora tivesse sido aberta liberando todos os pensamentos pecaminosos do mundo, comecei a perceber que me manter sã naquele jogo seria mais difícil do que eu previ. Era como se, por mais que eu quisesse negar, a presença de Vinnie tivesse tomado um outro significado.
Um significado tão tentador quanto assustador.
Era isto, eu era uma criatura apavorada. E constantemente tentada.
E o universo estava definitivamente conspirando contra mim, quando na manhã seguinte, eu saio do quarto no mesmo momento em que Vinnie está saindo do banheiro. Banho recém-tomado. Cabelo molhado. Apenas uma toalha na cintura. Por um momento, a tentação é mais forte e deixo meus olhos famintos e inconvenientes percorrerem sua figura quase indecente para minha paz interior, até me dar conta, encabulada, do que estava fazendo.
E, ao encarar Vinnie, percebo que ele sabia exatamente o que se passava na minha cabeça.
Antes de tentar decifrar sua reação me afastei sem olhar para trás, fingindo que nada tinha acontecido.
Fingir que nada estava acontecendo se tornou um mantra naquela semana.
Pelo menos as brigas haviam cessado. Não sei se ganhei a guerra contra a raiva de Vinnie, afinal, ele continuava parecendo não curtir minha presença e mantendo as crianças na casa de Nailea à tarde até depois do jantar. Mas acredito ter ganho algumas batalhas. Ele dizia bom dia pela manhã e tomava o café preparado por mim. Ao chegar com as crianças à noite, agia educadamente, embora mantivesse alguma distância.
Seus olhos evitavam os meus. Não posso negar, era um alívio.
Porque, cada vez mais eu sentia dificuldade para lidar com aquela atração crescente pelo marido de Alinna.
Era errado. Insano. Perigoso demais não só para a farsa que estava vivendo, como também para meu coração. Não estava ali para desenvolver sentimentos por Vinnie Hacker. Ele era marido da minha irmã gêmea. E, apesar de o casamento estar em crise, eu não podia e não devia me intrometer.
Seria uma atitude condenável demais da minha parte.
Mesmo assim, não podia evitar meus olhos cada vez mais atraídos e meus medos aumentavam conforme as defesas de Vinnie contra as atitudes da nova Alinna iam caindo.
Na sexta-feira, decido ir ao mercado comprar alguns ingredientes para fazer um bolo para as crianças no sábado. Fuçando em todos os cantos da casa naquela semana para arrumá-la e para me familiarizar com tudo, encontrei um pote na cozinha com algum dinheiro. Devia ser o que Vinnie deixava para Alinna gastar com compras domésticas, deduzo.
Tenho vontade de usar meu próprio dinheiro, porém não quero que Vinnie fique desconfiado. Seria esquisito de repente Alinna começar a gastar um dinheiro que não deveria ter.
Estou caminhando entre as prateleiras naquele fim de tarde, após deixar Henry com Maria quando vejo Nailea e Elisa.
- Mamãe! - Elisa sorri ao me ver e Nailea fecha a cara.
Respiro fundo tentando conter o ciúme.
- Que surpresa vê-la fazendo compras. Achei que fosse o Vinnie que fizesse, já que detesta.
- Como deve ter percebido não me importo mais - respondo, mantenho um tom de voz comedido, porque Elisa está ali nos observando.
- É, Elisa me contou sobre sua "mudança"... - Não me passa despercebida sua ironia.
- O que está fazendo aqui, mamãe? - Elisa pergunta e sorrio para ela. Era incrível a mudança ocorrida na maneira como ela me tratava. Ainda era ligeiramente hesitante ao tomar a iniciativa em relação a mim, mas não se esquivava quando eu me aproximava.
- Vou fazer um bolo amanhã.
- Oba!
- E já que está aqui, poderia me dizer qual o seu preferido?
Percebo meu erro ao ter feito aquela pergunta quando ela sai da minha boca. Alinna deveria saber o sabor preferido da filha!
- Típico não fazer ideia nem do que a filha gosta - Nailea desdenha.
Fico vermelha e elas entendem errado.
- Não tem problema ela ter esquecido - Elisa diz com a voz meio apagada, e me sinto mal.
- Tem problema sim, me desculpe - digo, tentando remediar -, mas você pode me relembrar.
- Gosto de chocolate - ela diz.
- Certo, então por que não vai buscar um achocolatado para mim? Enquanto dou uma palavrinha com sua tia?
Ela se afasta um pouco mais animada.
- Não cansa de magoar esta menina? - Nailea dardeja.
Eu a ignoro.
- Quero aproveitar que nos encontramos para pedir que as crianças retornem para casa mais cedo.
- Vinnie prefere que elas fiquem comigo.
- Eu sou a mãe, também tenho poder de decisão. E estou pedindo, Nailea. Sabe que eu tenho direito, por favor, não faça uma cena. Eles são meus filhos e os quero na minha casa, se sua preocupação é que eu seja negligente e não os alimente direito, pode ficar tranquila, porque isto não vai mais acontecer. Embora não goste de mim, você não é cega e nem burra e já deve ter percebido que as coisas mudaram.
Ela engole em seco e percebo que está buscando argumentos em sua mente para me contradizer.
- Tem razão, você é a mãe, só que eu ainda prefiro que o Vinnie decida.
Elisa retorna com o chocolate e coloca no meu carrinho, nos interrompendo.
- Pronto mamãe.
- Obrigada, querida. Preciso ir. Nos vemos mais tarde, ok?
- Está bem... - Por um momento tenho a impressão de que Elisa quer pedir para ir comigo, mas Nailea já segura sua mão firmemente.
E não quero uma cena. Aquela situação precisava ser resolvida.
- Tudo bem, é justo. - Recuo. - Falo com o Vinnie então ele mesmo mudará isso, se prefere! - Encaro Elisa - peça para o seu pai não as levar tão tarde para casa, está bem?
Elisa assente e me afasto para o caixa.
Fiquei me perguntando se estava disposta a arriscar entrar numa briga sobre aquele assunto com Vinnie novamente, ele já havia deixado clara sua posição. Será que agora, quase duas semanas após minha chegada e depois de ter constatado todas as mudanças, continuaria sendo intransigente?
Só havia uma maneira de saber.
Ao chegar em casa, coloco as compras no armário e rumo para a oficina.
Eu me aproximo do galpão, ainda meio receosa e amedrontada. Sei que pode ser uma conversa difícil na melhor das hipóteses. Acabar em discussão não era impossível. Eu temia destruir aquela trégua silenciosa e a pequena paz conquistada. No entanto, não poderia deixar aquele assunto de lado.
Ao entrar no galpão, escuto uma música baixa vinda de algum lugar, um folk nostálgico que rivaliza com o som de uma lixa contra a madeira. Vinnie está ali, com o olhar compenetrado, ao que parece terminando o trabalho em uma mesa.
- É bonito - digo e ele para o trabalho, erguendo o olhar que se tolda de surpresa quando me vê.
- Olá, Alinna - tento não fazer uma careta ao ouvir a voz de Faith atrás de mim.
- Você ainda está aqui - sibilo ao me virar e me deparar com seu sorriso presunçoso.
- Você também - ela rebate no mesmo tom.
- Ouvi dizer que tinha voltado para Vancouver.
- Com certeza era o que você gostaria, nunca gostou de mim.
Cruzo os braços em frente ao peito a encarando com desdém.
- Por que não gostaria de você?
- Porque tem ciúmes do Vinnie.
Eu me viro para Vinnie que está a poucos passos ouvindo nossa conversa, com certeza.
Ele parece irritado, passando os dedos nervosos pelos cabelos, não o suficiente para intervir, ao que parece.
- O que acha, Vinnie? Faith tem razão? Tenho ciúme dela? Ou talvez a questão não seja o que eu sinto e sim o que a Faith sente? Aí a palavra certa não seria ciúme e sim inveja?
- Alinna, chega! - ele finalmente reage, aproximando-se de nós.
- Você continua sendo uma vadia - Faith sussurra para que só eu possa ouvir.
- Para seu azar - retruco no mesmo tom. Faith que fosse para o inferno.
- Queria falar comigo? - Vinnie chega perto o suficiente e saio do galpão, com ele me seguindo.
Só paro quando estamos longe de Faith. Estou ofegando de raiva por ter entrado no jogo dela.
- Que merda foi aquilo lá dentro?
- Está falando da Faith me provocando? Você ouviu, ela começou, a culpa não é minha!
- Esta briga de vocês sempre foi ridícula, Alinna!
- Não foi uma briga. Simplesmente respondi às provocações dela! Queria que eu fizesse o quê?
- É, eu devia saber que ia ficar irritada, nunca deixou barato a presença de Faith. Por um momento, vendo você responder com as mesmas provocações, vislumbrei a mesma Alinna de antes.
Engulo em seco. Era a primeira vez que alguém dizia que eu parecia Alinna. Era estranho ouvir isto, quando tudo o que diziam era o quanto estava diferente, mudada.
- E o que sentiu? Ficou irritado ou com saudade daquela Alinna? - ouso perguntar, sem saber o motivo.
Ele passa os dedos pelos cabelos, o olhar perdido por um momento, como se estivesse buscando a resposta dentro de si, então volta a me encarar.
- Eu prefiro a nova Alinna.
Deixo de respirar por um momento com aquela resposta, perdida em seu olhar intenso, percebo em meio a meu enlevo e confusão, que ele está olhando para mim. Realmente me olhando. Seu olhar preso no meu, sem fugir. O coração desanda no peito, sem que consiga impedir, assim, como o sangue que corre mais rápido nas minhas veias, quente, pulsante, fazendo tudo ao redor desaparecer e restar somente Connor e as sensações que ele provoca em mim.
- Ei, Ali! - Hub passa por nós vindo da casa dos Hacker, quebrando nosso momento e entra no galpão. Respiro uma longa golfada de ar, desviando meu olhar de Vinnie.
Meu rosto corado e meu coração agora apertado.
Que diabos estava acontecendo?
- Faith tem razão? - ele pergunta de repente. - Estava com ciúme?
Mordo os lábios, lutando para achar a resposta. Claro que sabia que devia responder sim, Faith tinha razão. Estava morrendo de ciúme, embora fosse absurdo.
No entanto, eu não era a pessoa que deveria estar ali respondendo aquela pergunta. Eu não tinha direito algum sobre Vinnie. Alinna tinha e era ela quem ele via, então, que mal havia em ser sincera? Volto a encará-lo.
- Sim, eu estava com ciúme.
Por um momento, Vinnie parece extremamente surpreso.
- Acha que eu não deveria sentir? Talvez pense que em nossa atual situação eu tenha perdido o direito...?
- Eu não imaginava que ainda fosse capaz de sentir qualquer coisa Alinna. É uma surpresa para mim, o que posso dizer? - ele confessa com a voz cansada. Sofrida. Ferida. - Há muito tempo que nenhum de nós se dá ao trabalho de sentir nada.
Aquilo doeu.
Não sei o que dizer. Estamos indo por um caminho muito perigoso. Um caminho que não deveria seguir. Um caminho feito para Vinnie e sua verdadeira Alinna.
Tenho vontade de chorar de repente e desvio o olhar, respirando fundo.
- Eu não vim aqui falar de nós dois - mudo de assunto deliberadamente.
Vinnie percebe, claro. Parece ter ficado aliviado também.
- O que foi?
- Encontrei Nailea hoje no mercado, pedi para ela deixar as crianças voltarem para casa mais cedo, para jantarem comigo.
- Nailea não tem culpa. Ela apenas está sendo gentil deixando que as crianças fiquem lá.
- É mais do que isto para ela, e sinceramente, nem acho que seja saudável, sabe do que estou falando.
- Isso não era um problema antes.
- Por favor, vamos nos concentrar no agora. E você sabe que tenho razão, que eu sou perfeitamente capaz de cuidar deles.
- Agora. E no futuro, Alinna?
- É este o seu medo?
- Não deveria ser?
- Por favor, Vinnie. Me dê um voto de confiança. Não somente por mim, pelas crianças. Você sabe que elas gostariam.
- Ok - ele responde por fim e quase nem consigo acreditar -, vou levá-los para jantar em casa hoje.
Sorrio, uma alegria desmedida tomando conta de mim.
- Obrigada.
E, antes de Vinnie se virar para voltar para o galpão tenho certeza de que vi um arremedo de sorriso em seu rosto também.
Naquela noite, espero ansiosa como nunca estive na vida, olhando o relógio a todo momento, atenta a Henry que brinca no tapete.
Ainda parece delírio da minha mente que Vinnie tenha concordado em trazer as crianças para jantar em casa. Enquanto preparava o jantar queria repassar nossa conversa novamente, mas não o fiz, sabia que era melhor esquecer. Havia muita coisa naquele nosso diálogo que devia ignorar. Seria mais saudável para meu coração e minha mente apenas voltar aos planos originais.
Quando escuto a porta abrir, dou um pulo do sofá correndo para o hall de entrada para ver Stella vir correndo na frente, agarrando-se às minhas pernas.
- Mamãe, que saudade! - Sorrio, pegando-a no colo e a abraçando forte.
- Eu também, meu amor. - Coloco-a no chão e então vejo Elisa entrando, e logo atrás dela Vinnie.
- Ei, Elisa. - Abro os braços para ela, que me abraça sem hesitar.
- Verdade que vamos jantar em casa hoje? - pergunta insegura e eu sorrio.
- Claro que sim, ou prefere ficar na casa da tia Nailea? - Será que no fim das contas ela ia preferir a tia?
Ela hesita e sinto meu coração afundar.
- Prefere? - insisto, sem conseguir esconder meu desapontamento.
- Provavelmente ela está com medo de comer comida ruim - Vinnie diz ao passar por mim, muito perto do meu ouvido e me arrepio inteira.
- Garanto que não está ruim.
- Não tem problema, mamãe - Elisa diz. - Vou gostar de qualquer jeito. - Ela parece preocupada e eu sorrio.
Elisa estava preocupada com meus sentimentos?
- Vamos jantar antes que esfrie então, vá lavar as mãos e lave as de Stella também.
Elas se afastam e eu vou para a cozinha, Vinnie está lá com Henry no colo, olhando admirado para a mesa. Optei por algo simples como pasta para começar. Seria esquisito se Alinna de repente parecesse uma chef de cozinha.
- O cheiro está bom pelo menos. - Ele parece duvidoso, fico imaginando quão ruim deve ser a comida de Alinna para justificar o medo de Vinnie.
Contenho uma risada.
- O gosto está aceitável - garanto.
Stella e Elisa voltam e começo a servi-las, enquanto Vinnie coloca Henry no carrinho.
- Hum, isto está gostoso - Elisa exclama, admirada após a primeira garfada.
- E você Stella, gostou?
- Sim, mamãe, está uma delícia! - ela responde, com sua boca toda suja de molho.
Então eu fixo os olhos em Vinnie enquanto ele come e não consigo evitar um sorriso ao vê-lo provar a comida e fazer uma expressão surpresa de apreciação.
- Aceitável? - pergunto e ele dá de ombros.
- Parece que milagres acontecem - ele diz e eu rio, voltando a atenção para meu prato, muito satisfeita.
Ao fim da refeição, em que todos rasparam seu prato, Henry começa a chorar sonolento e me levanto para pegá-lo.
- Vou colocá-lo para dormir. - afasto-me para o quarto e não demora muito para ele adormecer.
Retorno para a sala e Stella está colorindo seu livro, presente de Nailea, e Elisa assiste a um programa qualquer na TV.
Vou para a cozinha e me surpreendo ao ver Vinnie lavando a louça.
- Eu podia fazer isso.
- Você fez a comida, nada mais justo.
- Eu não me importo.
- Não é como se fosse a primeira vez que eu tenho que lavar louça nesta casa, Alinna - ele responde ríspido e me encolho, surpresa com aquele ataque.
Que merda era aquela? Ele estava com raiva? Por quê?
Tenho vontade de perguntar, mas me calo. Não quero começar uma discussão.
- Vou ficar com as meninas.
Volto para a sala, incomodada com aquela estranha reação de Vinnie e Stella pede que eu a ajude com o desenho, fico com ela, até que começa a bocejar.
- Acho que é hora de dormir.
Ela ainda reclama um pouco, mas consigo fazê-la escovar os dentes e ir para a cama. Depois passo no quarto de Elisa que está se preparando para dormir também.
-Tudo bem?
- Sim.
Beijo seus cabelos, cobrindo-a em seguida.
- Estou feliz de ter vindo jantar em casa com você hoje.
- Eu também, querida.
- Podemos fazer isto sempre? - Sinto meu peito se apertar.
- Com certeza.
Apago a luz e fecho a porta.
A casa está em silêncio, encontro Vinnie na varanda, sentado em um velho banco, olhando a noite.
Hesito em me aproximar, porém ainda estou incomodada com sua rispidez após o jantar.
- Ei.
Ele levanta o olhar sem se mexer.
Eu me aproximo e sento do seu lado.
Não falo nada.
- Vá dormir, Alinna - ele diz de repente.
Eu me viro para ele, estudando seu perfil perfeito.
- Por que não me chama de Ali?
- Por que você odeia.
- Não odeio mais.
Ele finalmente me encara. Há desconfiança em seu olhar.
Dói em mim.
- Onde esteve, Alinna?
- O... quê? - Engulo em seco, desconcertada.
- Entendeu a pergunta - diz incisivamente.
Desvio os olhos.
- Em Los Angeles.
- Fazendo o quê? Com quem?
Volto a fitá-lo. Podia contar que fui ver minha mãe, que ela estava morrendo. Mas tenho medo que isto desencadeie alguma desconfiança.
- Isto realmente importa? Estou aqui agora.
- Onde aprendeu a cozinhar?
Dou de ombros.
- Andei lendo livros e treinando, como todo mundo que decide aprender, não é nada demais.
- Nada demais. Nunca se interessou e de repente...
Não falo nada. Tenho medo de piorar tudo. Vinnie é um poço de tensão e confusão neste momento.
- Por que está tão mudada? - Aí está, a dúvida que o atormenta, o intriga. Vejo em seu olhar que ele anseia por respostas tão intensamente que me perturba.
Eu o entendo. E quero apagar aquela bagunça que deve estar na sua mente. Mas não posso e não devo. Como posso fazer isto se fui eu quem a colocou lá?
- Estou sendo eu mesma.
E Vinnie fica me fitando como se tentasse montar as peças do quebra-cabeça que era aquela nova Alinna.
Sinto vontade de dizer a verdade. Quero apagar aquela dor em seu olhar. Aquele anseio por algo que ele sabe que está na sua frente, mas que teme pegar, porque pode desaparecer a qualquer momento.
Que direito tenho eu de apagar uma dor e causar outra ainda maior?
É tarde demais.
- Não, você nunca foi assim - ele diz por fim, com certa raiva na voz. Mesclada com frustração.
- Talvez eu esteja lutando por uma segunda chance - respondo baixinho. E espero que baste. É só o que posso dar.
Enquanto Vinnie estuda meu rosto e minhas palavras, engulo minha ansiedade. E digo a mim mesma que estou ali trabalhando por Alinna.
Por sua família. Por sua felicidade.
Pela felicidade daquele cara na minha frente.
Sem poder dizer mais nada e temendo ter ido longe demais, como naquela tarde, me levanto e vou para o quarto.
Quando coloco a cabeça sobre o travesseiro e tento acalmar meu coração confuso, volto a sussurrar para mim mesma que estou ali por Alinna. Por sua felicidade. Pela felicidade de sua família.
Quem sabe se eu repetir muitas vezes consiga me convencer.
Devo ter adormecido porque acordo com o barulho da porta se abrindo e, de repente, a silhueta de Vinnie surge contra a claridade tênue do corredor.
Por um momento, ele fica ali parado me fitando.
Eu me sento rapidamente, colocando o lençol em frente ao corpo, assustada, acendendo o abajur ao lado da cama.
- Vinnie?
Então ele fecha a porta atrás de si e vem em direção à cama.
Continua...
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Notas Finais:
➺ Chegamos na metade da história já.
➺ Vou tentar postar nos dias certos, mas sempre acontece alguma coisa que me faz esquecer de postar 😬
➺ Desculpa qualquer erro e até o próximo Capítulo!