Laura

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Pov Luíza

As aulas mal iniciaram e eu já estava cansada. Essa rotina de casa, filhos, casamento. Tudo era cansativo demais!
Queria um tempo só pra mim. Férias de tudo!

Primeiro dia de aula e passei uns slides para introduzir o romantismo. Vi a porta sendo aberta lentamente. Uma moça de cabelos castanhos, pele branca.. não consegui ver muito por conta das luzes que estavam apagadas. Segui com as explicações até o final da aula.
Notei quando a moça atrasadinha ficara me observando enquanto eu recolhia os equipamentos. Não sabia o nome dela, mas num próximo atraso precisaria repreende-la.
Segui guardando as coisas e fui para casa.

Senti um cheiro bom vindo da cozinha. Ricardo tinha preparado uma lasanha maravilhosa.
O abracei de forma fraterna.

Estava casada com Ricardo há 18 anos. Nos casamos assim que engravidei de Gabriela.
Na verdade esse foi o único motivo por termos nos casado. Vivíamos um relacionamento amigável.
Gabriela foi um deslize em minha amizade com Ricardo. Na época ele namorava um rapaz chamado Paulo e eu namorava uma moça chamada Juliana.
Ficamos solteiros na mesma época e fomos afogar as mágoas. Choramos, bebemos e transamos.
Três semanas depois descobri a gravidez. Nos casamos 4 meses depois.
Parece loucura, mas muita coisa aconteceu para que estivéssemos aqui hoje, ainda juntos.

_ Como foi o primeiro dia de aula, linda?

Ele me perguntou enquanto mexia uma panela no fogo.

_ Foi tranquilo.

Respondi sem querer entrar em detalhes. Só queria descansar.

Comemos e fomos pra cama. Dormi feito pedra e no dia seguinte me preparei para mais um novo dia rotineiro.

Ricardo já havia saído enquanto eu tomava meu café.
Gabriela estava se arrumando para ir ao colégio.

_ Filha, vamos! Você já está atrasada e vai me atrasar também.

_ Mãe, pode sair que depois eu saio.

_ Jamais!! Senão você só chega no final da aula. Vai rápido!

Saímos. Deixei Gabi no colégio e fui para a universidade.

Os dias eram sempre assim. Repetidos!

Na universidade descobri quem era a moça atrasada. Ela se chamava Laura.
Cabelos castanhos escuros, pele branca, corpo esguio, algumas pintas no colo.

Eu sentia Laura querendo se aproximar e permiti pensando ser só uma relação aluna - professora. Ela era simpática e inteligente. Deveria ter pouco mais de 20 anos.

Em uma das aulas eu estava com dificuldade em carregar os livros. A moça imediatamente se prontificou a me ajudar.

_ Quer ajuda, professora?

_ Nossa, por favor! Isso está bem pesado.

Enquanto eu colocava os livros em suas mãos, senti o olhar dela sobre mim. Fitei seus olhos e... Eu estava certa... Ela me encarava. Encarava meus lábios e meus olhos. Senti um frio na barriga e cortei o silêncio pedindo para irmos.
Saímos em direção a sala dos professores e não falamos absolutamente nada.
Ao chegar vi a moça colocar os livros sobre a mesa enquanto eu fazia o mesmo.
Senti os dedos dela deslizando sobre minhas mãos e fiquei sem reação. Meu coração batia acelerado enquanto eu acompanhava seus movimentos.

Escutei passos em direção a porta e imediatamente a vi saindo e sorrindo como se nada tivesse acontecido.

Eu só conseguia pensar "o que ela pensa que está fazendo?".

************

Os dias se passaram e fomos nos aproximando cada vez mais. Laura me trazia várias coisas. Me trouxe uma echarpe linda vinho com alguns detalhes azuis.  Me trazia chocolates importados, canetas de ponta macia.
Eu adorava.

Na última aula ela me trouxe um livro. A biografia da Frida toda em espanhol. Fiquei emocionadissima com o presente. Eu procurava há tempos esse livro, mas era tão caro e somente sob encomenda. Quando vi aquele embrulho, não contive a alegria.

_ Laura, eu amei. Amei mesmo! Eu procurei tanto isso. Onde você achou?

_ Digamos que conheço alguém que conhece alguém rs.

Não aguentei e a abracei como forma de agradecimento.
Foi a pior e a melhor coisa que eu poderia ter feito.
Senti quando ela encaixou seu nariz em meu pescoço e respirou fundo inalando meu perfume.
Engoli seco e me arrepiei inteira.
Ainda de corpos colados percebi ela levantando a cabeça e passando os lábios nos meus ouvidos até sentir um longo beijo me sendo dado na bochecha.
Ela se desvinculou de mim e me fitou os olhos. Senti meu corpo queimar e percebi que ela olhava meus seios de forma descarada, foi quando vi que eles estavam arrepiados. Os bicos estavam tão duros que pareciam que iam rasgar a regata que eu estava usando.
Laura me deu tchau e saiu sem olhar para trás.
Eu corri para o banheiro e joguei uma água no rosto.
Senti meu sexo completamente molhado.

"Não é possível isso"

Era somente o que eu conseguia pensar.

A Professora RuivaOnde histórias criam vida. Descubra agora