Era contraditório aos olhos dos outros, mas Win não conseguia dormir e a única coisa que passava pela sua cabeça era como queria tomar uma grande caneca de café. Para Win, fazia muito sentido, porque a bebida o acalmava.
Ele sentia falta do café da delegacia. Era até mesmo melhor do que o café que vendiam na cafeteria chique do seu pai. Não que o café da Macchiato fosse ruim, muito pelo contrário, lá era tudo muito bem preparado, mas talvez não o trouxesse tanto conforto. O da universidade não chegava perto do que tomava em sua cidade natal, mas Win precisava relaxar para poder dormir e aguentar mais um dia repleto de mentiras.
Precisava admitir que Bright era quem fazia toda a diferença em sua rotina. Ainda que ele fosse o oposto de si, um adolescente agindo como se qualquer situação desagradável fosse o fim do mundo, Win gostava dele. Gostava dos beijos, dos toques, do carinho, de como Bright se preocupava consigo sem conhecê-lo como devia. Naquele momento da sua vida, Win se sentia acolhido por algum tipo de sentimento que nunca experimentou antes. O que tinha com Bright era impossível de ser comparado aos casos que teve com outras pessoas. Win achava que, se as coisas não acabassem tão ruins, poderia namorar sério com aquele garoto depois que revelasse a sua verdadeira identidade, mesmo que ele fosse anos mais novo.
Não conseguindo dormir de forma alguma, às onze e meia da noite, Win se levantou da cama com cuidado e olhou o campus pela janela do quarto. Não havia ninguém pelo gramado ou no estacionamento, o que era ótimo. Há dias, Win estava querendo andar por aquele lugar sem sentir as pessoas o olhando e fofocando sobre alguma besteira relacionada a si.
Win verificou se Dew estava dormindo antes de pegar a arma guardada embaixo do colchão. Aquele era o momento perfeito não só para espairecer, mas para conhecer a universidade com outros olhos e em outro horário. Win andou por aquele lugar muitas vezes, atrás de suspeitos e pistas e, durante semanas infiltrado ali, achou um único suspeito: Nani, o professor de História Medieval. Era muito pouco para alguém que estava acostumado a ser bom no que fazia. Era como se estivesse perdendo a essência de ser um detetive.
Com a arma presa na cintura, na parte de trás, Win abriu a porta do quarto com o celular em uma das mãos, sem que precisasse ligar a lanterna já que a luz do corredor estava acesa. A porta foi fechada com cuidado e os pés pisaram leves pelo chão sem muito barulho. Ele pegou o elevador do dormitório e, no térreo, ficou feliz em ver que a máquina de café livre para os alunos estava com grãos e funcionando. Com um copo de café na mão, o detetive caminhou até o gramado, olhando ao redor. Ele sabia que sair do quarto tarde da noite não era permitido aos alunos do dormitório, mas como não havia nenhum vigilante por perto, Win aproveitou a oportunidade. Se alguém o mandasse de volta para o quarto, ele voltaria sem reclamar, mas, por enquanto, precisava dar uma de espião.
Escolhendo um banco embaixo de um poste sem luz, Win se sentou. O vento gelado o atingiu em cheio, então ele levou o copo de café até a boca e tomou um longo gole. Ignorou o frio passando pelos seus braços desnudos por usar uma regata. Ao menos, estava de moletom e meias. Ainda era verão, mas as noites se tornavam frias.
Completamente sem sono, Win se manteve concentrado. Os pés balançavam e os olhos estavam atentos. Não havia movimentação ou barulho. Nada suspeito. Aquele tipo de coisa frustrava Win, porque ele sabia que as ameaças que Somsak recebia vinham de alguém da universidade. Ele estava tão perto e ao mesmo tempo tão longe do suspeito. Ele se perguntava como não conseguia enxergar quem estava fazendo toda aquela confusão. Em casos como aquele, Win se sentia um péssimo detetive.
Faltando dez minutos para meia-noite, algum tipo de ser divino sentiu pena daquele pobre homem desesperado por respostas. A movimentação suspeita que tanto esperava apareceu diante dos seus olhos. Depressa, Win esvaziou o copo de café e se levantou com cuidado do banco, seguindo discretamente a sombra do homem que estava por perto. Preparado para algo pior, Win segurou a arma antes na cintura, andando mais rápido para não perder de vista quem quer que estivesse ali. Se era o vigilante, um aluno ou um professor, o que estava fazendo ali naquele horário? Seria muita coincidência também estar sem sono e atrás de um copo de café igual ao detetive. Como acontecia na maioria das vezes, o sexto sentido de Win apitou e, mais decidido do que nunca, continuou seguindo a pessoa estranha.
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Castelo de Cartas
FanfictionWin Metawin é um detetive renomado vivendo entre mistérios e investigações. Não tendo o apoio dos seus pais para seguir carreira e com uma convivência familiar conturbada, ele não consegue confiar em qualquer pessoa. Um dia, aparece um caso intrigan...
