Lá vêm os noivos

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Win demorou um tempo até perceber o celular vibrando ao seu lado. Ele abriu os olhos devagar, sem saber que horas eram, ainda com muito sono por ter passado acordado quase toda a madrugada conversando com Bright, que aliás estava dormindo do outro lado da cama com o cobertor grosso cobrindo metade do seu corpo. Boa parte das costas aparecia já que ele estava de bruços, o que dava uma ótima visão da sua tatuagem. O rosto estava quase todo encostado no braço embaixo da cabeça. Ele dormia de forma tão serena que Win decidiu sair do quarto para não o acordar.

Na sala, ele aceitou a ligação de Dew. Não se falavam há muito tempo. Ele foi um bom amigo o dando forças na época em que Bright foi preso, mandando mensagens de apoio nos primeiros dias. Depois, com o tempo, a vida acabou os afastando.

— Alô?

— Desculpa ligar tão cedo. Sabe quem é?

— Dew, é claro. Eu ainda tenho o seu número. Que horas são?

— Oito e meia. Estava dormindo? Desculpa.

— Pare de pedir desculpas, Dew. Como você está?

— Ótimo. Precisamos colocar o papo em dia.

— Isso seria fácil se você não morasse em outra cidade.

— Eu cheguei em Cleveland ontem à noite. Podemos nos ver?

Ele desconfiou.

— Para você querer falar comigo pessoalmente, deve ter acontecido alguma coisa preocupante.

— Nada muito surpreendente. Você pode me encontrar? No fim da tarde, eu te passo o endereço por mensagem.

Ainda estava cismado com toda aquela história repentina, mas era Dew e por incrível que parecesse, conseguia confiar nele.

Win esperou que Dew encerasse a chamada para tirar o celular da orelha. Não fazia ideia de qual seria o assunto da conversa, mas Dew estava com o tom de voz animado, então, talvez recebesse uma boa notícia. Na ponta dos pés, ele voltou ao quarto, onde Bright dormia na mesma posição. Sorriu com carinho ao olhá-lo tão sossegado, como se estivesse em paz e não dormisse bem há muito tempo. Se deitou ao lado dele de novo, o nariz indo até o cabelo para apreciar o cheiro do shampoo que tinha no banheiro, depois o abraçou e juntou os corpos, ficando pertinho dele, voltando a dormir com um sorriso no rosto.

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O endereço no celular do detetive indicava uma lanchonete conhecida não muito longe da sua casa. Não precisava tirar o carro da garagem para ir até lá. Caminhou com Bright embaixo do sol fraco e chegou ao lugar com Dew o esperando em uma mesa, tomando um sorvete colorido. Win sentiu a felicidade dele, primeiro pelo sorriso quando Dew não era uma pessoa sorridente, segundo pelo abraço apertado.

— Quanto tempo, hein? Você continua o mesmo.

— É um elogio? Isso significa que eu não envelheci, certo?

— Parece que você é dez anos mais novo.

Bright ainda estava ao lado de Win esperando ser notado. Quase riu do espanto de Dew quando percebeu quem era o acompanhante do detetive.

— Espera. Bright?

— Surpresa. — Deu um sorriso amarelo. Estava encontrando alguém da época da universidade que provavelmente abominava a sua história.

— Ele foi liberado ontem. — Win explicou. — Tudo bem com isso?

— Claro que sim. Eu soube da sua história e eu teria feito o mesmo. — Brincou. — Não conte ao Win. — Piscou.

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