Porta entreaberta

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Com Win voltando à ativa na delegacia, Bright achou que fosse sentir a falta dele. E de fato, ele sentiu, mas não tanto como esperava, porque também estava ocupado com o curso. Ele finalmente havia retornado para a universidade e não poderia estar mais contente com aquilo. Aos poucos, as lembranças do passado que o assombravam iam desaparecendo.

Win não era o único que o fazia vivenciar aquele sentimento chamado saudade. Man era mais uma pessoa na vida de Bright que estava longe de si. Ainda que conversassem quase todos os dias, não era a mesma coisa. Ter um melhor amigo por perto era como ter um alicerce. Era exatamente aquilo que Man era para Bright. Ninguém poderia substitui-lo e ninguém conseguia ser tão estupidamente hilário igual a ele. Claro, havia Frank, o colega de turma mais próximo de Bright, mas ele não chegava aos pés de Man.

Frank era aquele tipo de pessoa que causava em Bright um sentimento de cuidado, talvez porque o garoto era alguns anos mais novo. Ele era como uma criança aos olhos de Bright, por causa do jeito de se vestir, todo engomadinho, como se uma avó cuidadosa separasse as suas roupas. Frank era também muito fofo e gostava de receber atenção e cuidado. Estava cada vez mais próximo de Bright, que não estava disposto a se afastar. Não poderia negar amigos, ainda que Frank fosse o único a querer se aproximar, isso porque Bright se tornou mais fechado do que o normal depois de tudo pelo que passou.

Bright passava quase o dia todo na universidade, assistindo às aulas da manhã e estudando na parte da tarde na biblioteca. Estava enferrujado na Química. Enquanto isso, Win trabalhava praticamente vinte e quatro horas na delegacia. A noite era o único momento para ficarem juntos, tirando alguns finais de semana e as preciosas folgas do detetive, porque agora, para ele, as folgas eram importantes. Tudo por causa de Bright. Para ficar com ele. Seus momentos mais valiosos eram a hora do jantar e a de dormir. Conversavam sobre o dia um do outro e não paravam de falar. Dormiam abraçados também. Transavam sempre que não estavam tão cansados e acabavam pegando no sono com o carinho um do outro sem que percebessem.

Naquele dia, no entanto, Win apareceu em casa alguns minutos depois que Bright chegou e a sua expressão não era a melhor do mundo. Bright estava saindo do banho quando encontrou o noivo no corredor.

— Ei. — Ao invés de respondê-lo, Win apenas sorriu. Ou tentou. Se esticou para beijar a bochecha de Bright e entrou no quarto, deitando o corpo na cama. — Você parece muito cansado hoje.

Com a toalha na cintura, perigosamente folgada, Bright colocou um joelho na cama e o corpo por cima do corpo de Win. Não demorou em beijá-lo de um jeito devagar como aprenderam a gostar. Era com aquele tipo de beijo, lento e molhado, que as coisas esquentavam. O problema era que Win não retribuiu ao beijo como Bright esperava, então ele se afastou, ainda em cima do corpo dele, as mãos no colchão e o rosto perto do rosto dele.

— Como foi o seu dia? — Perguntou o detetive.

Estava tão desanimado que Bright resolveu ignorar a pergunta e partir para o lado protetor.

— Como foi o seu dia, meu amor?

Win suspirou. Bright se afastou para deixar que ele se sentasse na cama. Se acomodou ao lado dele, não gostando nem um pouco do bico nos lábios. Daquela forma, não parecia o homem mais velho da relação, o detetive que todos respeitavam pelo amadurecimento precoce e todo o resto que só o deixava mais adulto e charmoso.

— Não precisa se...

— Win, se você disser para eu não me preocupar, juro que te beijo e não paro até você concordar em me dizer o que tá acontecendo.

— Você sabe que essa não é a pior das ideias, não sabe? — Ele sorriu. Bright riu da maldade no tom de voz. — Estou meio ansioso. Type vai me dar um caso amanhã e adiantou que é complicado. Estou com medo.

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