Matemática era definitivamente a matéria mais enjoada de todas as matérias, e quando a professora não coopera nas explicações, rodeando para o jeito mais difícil, estraga tudo de uma vez. A única coisa boa naquela aula de terror era por que eu podia olhar para as costas de Naruto que se sentava a minha frente. Era impossível não me distrair com aquela nuca, o cabelo mais abaixado naquela parte... para falar a verdade, Naruto havia cortado os cabelos, estava mais curto que o normal, e aquele corte havia o deixado mais bonito.
Suspirei apaixonada, meu cotovelo apoiado na mesa e minha cabeça apoiada na minha mão. Não pude conter a minha imaginação fantasiar o nosso futuro – não muito distante – morando em nossa casa linda e grande com um casal de filhos, uma menina e um menino, nessa ordem. Eu seria uma bailarina profissional, dançando nos maiores eventos de ballet clássico, e Naruto um grande jogador de basquete profissional. Ele me amaria, eu o amaria muito mais e viveríamos felizes para sempre em nosso mundo perfeito de comercial de margarina.
- Oi.
Saí dos meus devaneios, me endireitando e meu coração acelerou quando percebi que era o próprio Naruto que havia me chamado, seu corpo pouco virado para trás.
Minha nossa, ele estava falando comigo novamente!
Depois daquele dia no corredor aonde ele havia bancado o meu herói, salvando-me das garras daquele vilão, não tivemos mais oportunidade como aquela. Então essa é a segunda vez que ele falava diretamente comigo.
- O-oi – eu tentei sorrir, mas o meu nervosismo era grande demais para ousar tentar seduzi-lo.
A sua boca ergueu-se para cima naquele pequeno sorriso, e seus olhos azuis brilhantes me fitavam enquanto sussurrava:
- Você tem um lápis para me emprestar?
- Lápis? – Pisquei algumas vezes e sorri nervosa, meu cérebro processando o que acabara de acontecer. – Ah, sim, um lápis!
E comecei a revirar meu estojo, incrivelmente alvoroçada, minhas mãos pouco trêmulas, mas conforme elas estavam agitadas eu consegui disfarçar.
Estendi o lápis para ele e naquela altura eu podia sentir os cantos de minha boca doer naquele sorriso congelado.
- Aqui, um lápis!
- Valeu – e piscou para mim, as pontas dos seus dedos tocaram levemente nos meus antes de voltar seu corpo para frente.
Eu me sentia paralisada, fitando as pontas dos meus dedos aonde eles foram tocados pelos dedos do meu futuro marido. Aquele havia sido o ápice daquela minha história de amor. Eu não via a hora de relatar todos os sentimentos que senti em meu diário.
Mas nem tudo era flores e é claro que sempre tem algo para atrapalhar os protagonistas, e aquela sensação como se tivesse algum tipo de plateia – que tentei ignorar a maior parte do tempo – ficou insuportavelmente irritante. Prestei atenção a minha volta, procurando o que incomodava e não foi surpresa nenhuma quando meus olhos foram capturados pelos olhos de Sasuke do outro lado da sala.
Aquele garoto novamente.
Será que ele não se toca que encarar as pessoas como se elas fossem um bife suculento era feio? Ainda mais daquele jeito primitivo com aquele cenho e boca franzidos como se eu estivesse pecando.
Desde aquele dia na estação de metrô eu fiz de tudo para sair adiantada de casa e consequentemente chegava vinte minutos mais cedo na escola, mas pelo menos eu não pegava vagões superlotados ou vagões junto de Sasuke para sofrer petelecos na testa. Eu evitava ficar no mesmo ambiente do que aquele garoto, ou tentar cruzar o seu caminho para evitar possíveis aborrecimentos. Era impossível tentar entrar em um acordo e discursões com ele, nunca tinha fim e o melhor que fiz foi ignorá-lo.
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Garoto Errado
FanfictionO que poderia ser certo ou errado para uma garota? Para Sakura Haruno, a coisa certa era tomar coragem e se declarar para o capitão do time de basquete, o qual ela morre de amores desde que entrou no ensino médio. E com o apoio de suas amigas fiéis...
