Capítulo 30 - Máscaras

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Confesso que sou uma pessoa lenta para perceber alguns tipos de situações, digo isso, pois nunca me passou pela cabeça que Sasuke gostasse de mim nesse tempo que vivemos no mesmo teto até ele dar indícios físicos sobre os seus sentimentos. E esse foi um dos maiores exemplos. E por eu ser um pouco lenta, demorei para notar que Hinata estava me evitando de propósito.

A ficha havia caído quando fui devolver a revista da Capricho – comprei uma nova antes de entrar no colégio – quando a encontrei na entrada da sala de matemática. Hinata apenas pegou a revista de minhas mãos e entrou na sala. Ela não havia olhado na minha cara. Fiquei pasma com sua atitude e travada no portal, observando suas costas indo até seu lugar na carteira.

Fiquei a aula de matemática imaginando o que fora aquilo. E como não queria tomar uma conclusão precipitada resolvi fazer uma abordagem no final da aula. E posso dizer que não tive sucesso, pois Naruto atrapalhou, ficando a minha frente e puxando conversa, me fazendo perder a maior oportunidade e Hinata foi embora.

Mas o ponto máximo para concluir a minha conclusão foi na hora do intervalo quando a encontrei em nosso lugar de sempre com Ino. Pude notar de longe as duas conversando animadas. Pensei comigo mesma que aquilo que aconteceu na aula de matemática foi só coisa da minha cabeça, e agora mais confiante aproximei da mesa depois de pegar meu lanche. Mas como se eu tivesse alguma doença contagiosa, Hinata se levantou no mesmo impasse quando cheguei.

- Ah, esqueci completamente que a Tayuya ficou de devolver o meu caderno de geografia.

- Mas estamos na hora do intervalo – disse Ino, observando-a pegar a sua bandeja e afastar a cadeira que estava sentada para trás.

- Você sabe como ela é folgada – respondeu. - Se eu não for atrás, ela vai acabar não me devolvendo.

Aquela era a minha chance.

- Hinata, eu queria falar com você...

- Até mais tarde.

- Hinata...

E ela saiu com passos rápidos, segurando sua bandeja e indo para fora do refeitório.

Coloquei a minha bandeja sob a mesa e me sentei na cadeira. Olhei para Ino, o cenho franzido.

- Você viu?

- Desnecessário ela sair agora. Até parece que a Tayuya vai fugir do colégio.

Balancei minha cabeça para os lados.

- Não, Ino. Acho que a Hinata está me evitando.

Ela franziu as sobrancelhas, parando um bolinho de arroz perto da boca.

- Por que está pensando isso? Ela só está com pressa – e depois mordeu um pedaço do bolinho.

Abaixei meus olhos para o meu lanche.

- Ela não está olhando na minha cara – minha voz saiu baixa, voltei a fitá-la. – Ela fez a mesma coisa na aula de matemática. E ela não estava com pressa.

- E por que ela está te evitando?

- Eu não sei, Ino.

Ela deu de ombros.

- Bom, o jeito é vocês duas conversarem e ver o que está pegando.

- Farei isso na hora da saída.

Até por que, eu não tinha a mínima ideia do que havia feito de ruim para ela me tratar daquele jeito.

* * *

Quando a gente tem um problema e quer resolvê-lo logo, parece que as horas demoram a passar, e foi assim com as aulas. Não prestei atenção em quase nenhuma delas. A minha mente estava trabalhando, revisando cada canto da minha memória do que poderia ter acontecido para deixar Hinata chateada comigo. Mas cada vez que procurava em minhas lembranças, nada aparecia de diferente.

Garoto ErradoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora