Capítulo 8 - O Plano

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Acordei pouco atrasada naquela terça-feira e não pude evitar não amaldiçoar o despertador por não ter tocado... para falar a verdade, a culpada era minha por ter esquecido de programá-lo na noite anterior.

Pulei da cama e corri para a porta e a abri num rompante, o movimento ao lado chamou minha atenção. Sasuke também havia aberto a sua porta e parou no portal, assim como eu.

Nós nos olhamos por alguns segundos e eu sabia o que se passava naquela cabeça. Eu tinha que agir com cautela, e um metro e trinta centímetros era o espaço para ambas as partes do portal de nossos quartos até a porta do banheiro. E se eu estava morrendo de sono naquela manhã, eu havia sido despertada na mesma hora que vi Sasuke se preparando para aquela batalha do dia que tínhamos quase todas as manhãs.

E assim quando desviamos os olhos para a porta do banheiro, era o sinal da partida. Joguei todas as forças que tinha para as minhas pernas e corri como se a minha existência dependesse disso. Posso dizer que trombamos com tudo na porta do banheiro, eu havia conseguido agarrar a maçaneta e o difícil era manter Sasuke o mais longe possível dela - o empurrando com meu corpo com todas as minhas forças - quando fosse abrir a porta. Mas empurrar aquela montanha de corpo sendo que eu estava na desvantagem por ser menor e ainda mais estava de meias - e elas deslizavam naquele piso de madeira - era um desafio para uma vida.

- Eu cheguei primeiro, Sasuke – disse quase que gritando, apertando com força a maçaneta enquanto sentia sua mão cobrir a minha e tentar abri-la.

- Chegou o caralho – ele me empurrou com mais força –, acordou atrasada por que quis.

- Vai para lá – e o empurrei de volta, minha mão já doía na maçaneta e seu aperto estava muito forte.

- Serei rápido, prometo.

E apertou minha mão mais forte ainda e conseguiu com custo girar a maçaneta.

- Você nunca é rápido, e deixa o banheiro todo molhado...

E a porta se abriu, me fazendo perder o equilíbrio e antes que eu fosse ao chão, Sasuke segurou meu braço. E aproveitando aquela minha fraqueza de segundos, o infeliz conseguiu entrar no banheiro e bater à porta praticamente na minha cara.

- Ahhhh! – Gritei, batendo o pé, possuída de raiva. Comecei a esmurrar a porta do banheiro. – Seu trapaceiro, saia já daí!

- Daqui a pouco – sua voz soou rindo lá de dentro. Só ouvi o barulho da tranca do banheiro, e isso foi o suficiente para me deixar mais possessa, querendo-o desesperadamente matá-lo.

- Que ódio!

- Vocês dois vão acabar se machucando um dia – disse papai saindo do seu quarto arrumando a sua gravata, dando pouca importância a minha crise matinal.

Olhei incrédula para ele, os lábios crispados, o cenho franzido e as mãos nos quadris.

- A culpa é totalmente sua, papai.

Ele tirou sua atenção na gravata para mim, a sobrancelha erguida enquanto parava a minha frente.

- Minha culpa? Não estou entendendo, filha?

As vezes a calmaria de papai era uma coisa insuportavelmente irritante, mesmo quando o mundo estivesse prestes a desmoronar... quer dizer, o meu mundo estivesse prestes a desmoronar.

- Se o senhor tivesse comprado uma casa com mais banheiros, eu não estaria passando por isso quase todas as manhãs.

- Filha, ou era o banheiro ou a sua sala de ballet. – Disse, me olhando como se eu tivesse cinco anos e que tivesse que escolher entre a bala de morango ou o chiclete de uva.

Garoto ErradoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora