Capítulo 37 - Apoio

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- Pronto – disse Mikoto, terminando de ajustar o meu pé machucado para cima de alguns travesseiros, deixando-o suspenso. - Assim está melhor?

Sorri comprimido e assenti com a cabeça enquanto me acomodava com as costas na cabeceira com outros travesseiros de apoio.

- Sim, obrigada.

Era incrível aquela sensação maternal que eu sentia de minha madrasta enquanto ela cuidava de mim, naquele momento eu notava o quanto sentia falta de um colinho de mãe. Meu pai sempre fez o possível e o impossível para ocupar os dois papéis, mas não era a mesma coisa. Mikoto me tratava como uma filha e eu gostava de saber que eu tinha alguém que cuidava de mim, como ela fazia naquele momento.

Já fazia cinco dias que estava com aquele pé ruim, e a melhora era quase nula. O médico havia dito que a recuperação era muito lenta e que hipótese nenhuma eu deveria fazer qualquer tipo de movimento brusco que pudesse expor a minha lesão que havia sido grave. Não estava sendo fácil para mim, os dias pareciam passar lentamente, a dor aliviava por algumas horas quando estava no efeito dos antibióticos e desinflamatórios. Dormir era uma batalha todas as noites, me locomover para outros cômodos era pior, não conseguia fazer sozinha sem a ajuda de alguém. Eu não sabia o que era pior, a sensação de me sentir uma invalida - sendo um estorvo para todos - ou saber que meus sonhos haviam escorrido pelo ralo.

Dançar ballet sempre foi a minha paixão, meu sono era me tornar uma bailarina profissional e dançar nos palcos famosos, mostrando a todos o quando eu era boa no que fazia. Mas agora... agora esse sonho havia se tornado impossível. Só de imaginar que todos os meus planos de carreira deram errados, eu tinha vontade de chorar. Por isso eu evitava pensar sobre isso, Mikoto mal tocava no assunto, pois sabia o quanto estava sensível sobre a respeito. E era por isso que ela escolhia bem as palavras quando me dizia que iria sair por algumas horas, pedir uns dias de folga para poder cuidar de mim, esses dias que eram muito importantes para minha recuperação. Sabia que ela estava interrompendo o seu trabalho por minha causa, mas eu não podia pedir que não fizesse isso, pois eu precisava.

- Olha, eu vou sair agora. Acho que daqui a pouco Sasuke está chegando.

Assenti com a cabeça, concordado e me ajeitando mais confortável na minha cama e agarrando um livro que lia arrastadamente por algumas semanas que havia decidido conclui-lo nesse tempo que estaria de molho.

- Ok.

- O almoço está pronto... tem certeza que não quer comer agora?

- Estou sem fome, mas tarde eu como alguma coisa.

- Não fiquei sem comer.

- Prometo que não – sorri forçado.

- Então quando o Sasuke chegar, peça para ele colocar o seu almoço então.

- Tudo bem.

Ela ficou parada no portal do meu quarto, fitando-me ainda preocupada.

- Juro que não vou demorar. Preciso repassar para a minha colega os meus horários de aulas. Eu vou ser rápida.

- Não se preocupe comigo, Mikoto. Pode ir tranquila resolver seus assuntos. Eu vou ficar bem – ela pareceu não acreditar. Segurei meu celular para cima. – Qualquer coisa eu te ligo.

- Tudo bem – ela suspirou dando por vencida. – Eu estou indo, até mais.

- Até.

Mikoto saiu, deixando a porta do meu quarto escorada. Abri o livro na página marcada e tentei me concentrar na leitura, mas minha mente estava tão cheia de coisas que foi difícil.

Garoto ErradoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora