Capítulo 20 - Narciso

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Era meados de julho, segundo dia das férias de verão, e dez anos que havia perdido minha mãe para um câncer. Posso dizer que me sentia melancólica, era sempre assim nessa época do ano. Era difícil esquecer – por mais que as lembranças ficassem vagas com o tempo – a angustia consumindo-me por saber que nunca mais veria minha adorável mãe.

Havia sido um momento difícil, tanto para mim quanto para meu pai. Mebuki era uma mulher incrível e uma mãe maravilhosa até seus últimos dias de vida em cima daquela cama de hospital, ligada a aparelhos. Hoje eu não sentia mais tanta dor toda vez que pensava nela, eu apenas sentia saudades dos nossos momentos e de seu cheiro gostoso de mãe.

E como todos os anos, eu estava no cemitério, sentada naquele chão gramado de frente para a lápide dela. Lamuriava-me de meus problemas românticos e dos últimos acontecimentos. Gostava da sensação de que ela pudesse estar me ouvindo aonde quer que ela estivesse.

- Ah, mãe, eu não sei o que está acontecendo comigo.

Arranquei com a mão algumas ervas daninhas que crescia em volta da lápide.

- Eu não me sinto no controle dos meus próprios sentimentos... não sei mais o que estou sentindo. Eu não me conheço mais.

Suspirei, apoiando a mão - que arrancava as ervas daninhas - ao meu lado, no chão. Observava o nome de mamãe entalhado acima da pequena fotografia de seu rosto colada naquela lápide de pedra. Tudo o que restava de minha mãe era aquela lápide e as lembranças boas que iria levar comigo para sempre.

Umedeci meus lábios e toquei a foto com a ponta dos meus dedos.

- Eu queria que a senhora estivesse aqui – murmurei, sentindo meus olhos marejarem. - Eu preciso desesperadamente do seu colo e ouvir as suas palavras certas dizendo que tudo vai ficar bem.

Funguei o nariz, sentido as primeiras lágrimas rolarem por meu rosto.

Estava difícil conviver no mesmo teto que Sasuke e fingir que estava tudo bem para nossos pais não perceberem nada. Não estava suportando mais ignorá-lo, mas eu não podia evitar, pois eu tinha medo do que poderia acontecer caso eu voltasse a falar com ele. Eu não me sentia confiável em tocar no assunto do beijo, por que eu sei que se ele tentar algo novamente eu poderia não resistir.

Eu estava gostando do Sasuke.

- Mãe... – mordi o lábio, secando as lágrimas de meus olhos – eu não quero sentir isso o que estou sentindo. Mãe, ele é o filho da minha madrasta. A senhora não sabe a gravidade desse problema.

Fechei meus olhos com força e mordi o lábio novamente. Era incrível como os meus sentimentos mudaram assim, tão de repente. Até ontem eu só tinha olhos para o Naruto e todo o meu mundo girava ao redor dele e das minhas fantasias como sua futura namorada. Eu não havia notado o fato de que minha proximidade com Sasuke fosse despertar algo além de uma simples amizade. Algo maior e mais assustador do que eu sentia por Naruto. Por Deus, eu nem ao menos fiquei depressiva com o fora que levei... eu nem ao menos pensei em Naruto depois daquele dia!

- Ah, mãe – e abri os olhos -, eu simplesmente queria uma resposta para todas as minhas dúvidas. – Suspirei e depois sussurrei: - É tão ruim crescer... eu queria voltar a ser criança novamente, era tudo tão mais fácil...

Me interrompi quando ouvi o som de passos se aproximando. Virei a cabeça para o lado e a surpresa era nítida em meu rosto quando vi que era Sasuke se aproximando. Senti meus olhos arregalarem enquanto ficava de pé num rompante.

- Sasuke! - Meu coração acelerava em muitas batidas, dei dois passos para trás. – O que está fazendo aqui?!

- A minha mãe disse que você estaria aqui – sua voz era cautelosa, parando a minha frente. Em seguida ergueu um singelo buquê de flores. – Posso? – Ele se referia a lápide. – Trouxe para sua mãe.

Garoto ErradoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora