Voltámos a conversar sobre os sítios que íamos visitar amanhã e os nossos pedidos chegaram entretanto. Fomos comendo e eu olhava discretamente para Harry, vendo a sua expressão enquanto comia. Não há dúvida que Harry é um homem bonito e é quase impossível uma pessoa olhar para ele e não reparar logo. Os seus olhos verdes apanham-me sem que eu tenha tempo de desviar o olhar e sinto-me corar.
"Algo errado?" Pergunta.
"Não, não." Respondo atrapalhada e coloco uma garfada na boca.
"Isto é bom." Elogia e eu olho para ele.
"Eu sabia que ias gostar." Digo e ele coloca uma batata frita na boca. Continuámos a comer e os meus olhos deram uma volta pelo espaço. Sorte ou azar, os meus olhos atingem novamente o grupo de raparigas a olhar para o Harry, o que me faz rolá-los. A sério? Viro-me ligeiramente para elas e dou-lhes um sorriso falso.
"Precisam de alguma coisa?" Pergunto num tom ríspido e elas voltam a olhar umas para as outras como se nada se tivesse passado. Volto a endireitar-me e sinto o olhar de Harry em mim. "O que foi?"
"Outra vez?" Pergunta e olho para ele.
"É desconfortável, ok?" Tento justificar e ele ri-se, continuando a comer.
Afinal até é bom ele ser inocente.
***
Já acabámos o jantar e já saímos do restaurante. Louis deixou o seu número com o Harry e este prometeu ligar-lhe enquanto estivesse na cidade. Estamos a caminhar de volta para casa. O silêncio reina mas é um silêncio confortável. A rua está deserta devido ao frio e também porque já é um pouco tarde e nós ficámos bastante tempo a conversar. Oiço um barulho atrás de mim e paro o meu corpo, olhando lentamente para trás. Os meus olhos alcançam um corpo nem muito alto nem muito baixo, uns cabelos brancos pelos ombros, um sorriso maldoso e dois olhos claros pousados em mim.
O meu coração começa a bater muito depressa e eu sinto a minha respiração prender. Harry continuara a andar mas rapidamente o sinto ao pé de mim, as suas mãos agarram os meus braços e os seus lábios formam o meu nome. Eu não consigo tirar os olhos daquele corpo, que vira costas e desaparece na escuridão da noite. Forço o ar entrar no meu sistema mas este parece não querer. A minha visão começa a ficar distorcida devido às lágrimas que se formam nos meus olhos e estes não se desviam do local onde estava aquele corpo.
Não pode ser ela
"Charlotte!" Harry chama. "Charlotte, o que é que se passa?" Pergunta e sinto os seus braços apertarem o meu corpo contra si. "Tem calma, Charlotte." A sua voz rouca invade os meus sentidos e eu sinto-me acalmar lentamente.
O meu corpo treme um pouco e a minha mente afoga-se na confusão. Se a minha cabeça não me estava a pregar nenhuma partida, o que é que ela faz aqui? Porque é que me olhava daquela forma? Eu pensava que tudo estava acabado, que aqui estava segura. Mas parece que não. As más memórias invadem a minha mente e eu aperto os braços do Harry, sentindo que não consigo respirar. As lágrimas borram a minha visão e eu sou obrigada a fechar os olhos com força, deixando as lágrimas abandonarem os meus olhos.
"Charlotte, olha para mim." Harry pede e eu esforço-me para o fazer mas os meus olhos apenas vêem aquele lugar onde estava a pessoa que eu mais temo e que agora se encontra vazio. "Charlotte, fala comigo!" Ele diz mais alto e agarra o meu rosto entre as suas grandes mãos, olhando-me bem nos olhos.
"Ela vem aí, Harry." Digo e os seus olhos verdes demonstram confusão.
"O quê? Quem é que vem aí?" Pergunta e os seus polegares deslizam pelo meu rosto para apagarem os rastos de lágrimas.
"O meu pior pesadelo." Respondo com o coração aos saltos no meu peito.
"Quem, Charlotte? Diz-me quem!" Ele diz aflito e eu sinto as lágrimas formarem-se e caírem novamente dos meus olhos.
"Não consigo." Digo.
"Não consegues o quê?" Pergunta, as suas mãos fazem-me sempre olhar para ele.
Eu mantenho-me em silêncio, deixando apenas as lágrimas cairem e Harry abraça-me novamente. Não quero contar ao Harry, isso significaria contar tudo e eu não quero. Quantas menos pessoas souberem disto, melhor. Ele afasta-me e coloca as suas mãos novamente uma de cada lado do meu rosto. Os seus olhos encontram os meus e um sorriso carinhoso esboça-se nos seus lábios. O seu rosto aproxima-se do meu e eu fico um pouco nervosa, não sei porquê. Os seus lábios deixam um beijo na ponta do meu nariz e um sorriso rasga os meus lábios.
"Eu compreendo que não queiras dizer nada mas quero que saibas que estou aqui para o que precisares." Diz e eu abraço-o, ficando surpreendida com a minha ação. "Vou estar sempre."
"Obrigada, Harry." Agradeço e separamo-nos do abraço.
Continuámos a andar, Harry nunca me largou, o seu braço esteve sempre à volta do meu tronco, como se tivesse medo que eu de repente me fosse abaixo. Chegámos a casa e eu procurei as chaves na minha mala, depois de as alcançar coloquei a chave na ranhura da fechadura, rodando-a e abrindo-a. Entrámos e eu verifiquei se a porta tinha ficado bem fechada, puxando-a para mim duas vezes. Caminhámos até ao meu apartamento e eu peguei na chave correspondente, colocando-a na ranhura da fechadura e rodando-a para abrir a porta.
Entrámos e eu fechei a porta cuidadosamente, coloquei a chave na mesma e dei duas voltas. Olhei para Harry e este olhava-me preocupado. Ergui a sobrancelha e suspirei, aproximando-me dele.
"Eu estou bem, Harry. Podes ir descansar." Digo e ele sorri, colocando uma madeixa de cabelo atrás da minha orelha.
"Está bem, eu vou. Se precisares de alguma coisa, grita." Diz e eu rio-me.
"Está bem." Aceito e ele cola os seus lábios na minha testa, o que me faz fechar os olhos e sorrir um pouco.
"Até amanhã." Diz e eu sorrio.
"Até amanhã." Digo e ele caminha para o quarto.
Caminho até à cozinha e bebo um copo de água, movendo os meus pés para o quarto, seguida por Ginger. Entro e coloco uma almofada grande no chão para Ginger dormir se preferir ficar no chão. Dispo as minhas roupas e deslizo o meu pijam pelo meu corpo. Caminho para a casa de banho, penteio-me e lavo os dentes, saindo novamente para o quarto. Deito-me por baixo dos lençóis e apago as luzes.
Fecho os olhos e sinto movimento no quarto, é Ginger a decidir-se. Sinto-o perto de mim e a sua língua desliza pelo meu nariz, o que me faz cócegas. Abro os olhos e vejo a sua silhueta no escuro. Estico o meu braço e acaricio o seu focinho. Volto a colocar o meu braço por baixo dos lençóis e sinto Ginger afastar-se. Fecho os olhos novamente e parto para o inconsciente.
Olá! Espero que gostem! Hoje fiz aquele teste do PISA, alguém fez?
Beijinhos!
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Charlotte |H.S|
FanfictionEla é uma rapariga bonita e inteligente. Tem a sua casa e não confia muito nas pessoas, exceto nos seus dois melhores amigos, Zayn e Perrie. Foi abandonada num orfanato pelos pais mas conseguiu sair de lá aos 18 anos. Agora com 22, tem um trabalho...
