Capítulo 76

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Estacionei o carro e desliguei o mesmo, sentindo o meu coração bater contra o meu peito com tanta força que era capaz de jurar que se ouvia. Respirei fundo e saí do carro, trancando-o e caminhando até à entrada da polícia judiciária. Eu fiz este tempo todo de viagem para falar com o Harry, não posso hesitar agora.

Harry merece uma segunda oportunidade de se explicar.

Respirei fundo mais uma vez e entrei, dirigindo-me para o balcão. Apoiei os meus antebraços no mesmo e olhei para o guarda sentado numa cadeira que mexia no computador. Os seus olhos alcançaram os meus e um sorriso simpático enfeitou o seu rosto.

"Posso ajudar?" Pergunta e eu assinto, engolindo o nó que se formou na minha garganta.

"Eu queria fazer uma visita." Respondo e ele assente, mexendo no seu computador.

"Qual é o nome do recluso?" Pergunta e eu sinto a palavra cortar a minha pele profundamente.

"Harry Styles." Informo e ele escreve no computador.

"O meu colega leva-a já à sala das visitas." Anuncia e eu assinto.

"Obrigada." Agradeço e um guarda alto e entroncado aproxima-se de mim.

"Por aqui, por favor." Pede e eu sigo-o pelo corredor, olhando para todos os lados.

Virámos à direita e o guarda abriu uma porta à esquerda. Outro guarda estava no lado de dentro e guiou-me até uma mesa no meio de outras, algumas vazias, algumas ocupadas. Sentei-me na cadeira e cruzei os meus dedos, sentindo-me cada vez mais ansiosa. Olhei para a mesa ao meu lado, onde estava um rapaz e uma rapariga, a conversarem.

O rapaz estendeu os seus braços juntos devido às algemas e acariciou o rosto da rapariga. Esta sorriu e limpou uma lágrima que escorrera pelo seu rosto. Li nos lábios do rapaz um "Amo-te" e sorri levemente. Mas a minha atenção desviou-se para a porta assim que esta abriu. Os meus olhos chocaram com duas esmeraldas tristes.

O meu coração apertou ao vê-lo, naquela farda cor de laranja, com as algemas nos pulsos e com os caracóis cor de chocolate bagunçados. O guarda prisional guiou-o até mim de forma bruta e sentou-o na cadeira à minha frente, deixando-nos. A minha voz escondera-se no fundo do meu ser, a única coisa que fazia era olhar para os seus olhos.

Passaram-se minutos em que estivemos em silêncio. Eu tinha de lhe perguntar, eu tinha de ouvir a sua versão.

"Onde é que estavas naquele dia?" Pergunto num tom baixo mas o que eu vejo nos seus olhos mostra-me que ele ficara chateado com a minha pergunta.

"Não vale a pena contar-te, tu não vais acreditar." Diz de forma bruta e eu vacilo com a sua brutalidade.

"Diz-me." Digo ao fim de segundos.

"Eu disse-te milhões de vezes que não fiz nada, e estou chateado contigo por não teres acreditado em mim." Cospe. "E nem respondeste à minha pergunta na noite antes de ter sido preso injustamente." Acrescentou no mesmo tom e eu sinto uma onda de culpa embater em mim. Tudo o que fiz foi suspirar para com as suas palavras.

"O que é que foste fazer naquela noite?" Repito a pergunta que fiz há cerca de um minuto atrás.

"Tu não disseste que me vinhas buscar se eu fosse preso." Diz, ignorando a minha pergunta e vejo as suas mãos dirigirem-se para o seu pescoço.

"O que é que foste fazer naquela noite?" Pergunto novamente.

"Isso queria dizer que não me vinhas buscar." Ignora novamente e eu sinto as lágrimas formarem-se nos meus olhos, vendo-o agarrar um colar.

"O que é que foste fazer naquela noite?" Pergunto mais uma vez.

"Isto!" Gritou, mostrando o colar que estava a agarrar ainda agora. Este tinha um anel pendurado nele. O anel era simples, dourado e com um pequeno brilhante branco. "Eu fui comprar este anel para ti!" Gritou novamente e não impedi que as lágrimas deslizassem pelo meu rosto. "Tudo para ti!" Uma lágrima desliza pelo seu rosto mas ele limpa-a. "Vai-te embora." Levanta-se e caminha até ao guarda prisional, que estava mais perto de nós devido aos gritos de Harry.

Eu não sabia o que fazer, eu estava estupefacta. Vi-o ir embora, e fiz exatamente a mesma coisa. O guarda acompanhou-me à saída da polícia judiciária e eu destranquei o carro, entrando no mesmo. Fechei a porta e coloquei a mala no banco do pendura. Encostei a testa ao volante e suspirei, deixando as lágrimas deslizarem pelo meu rosto e caírem nas minhas pernas.

Não podia ir para casa da minha avó agora, talvez fosse amanhã. Peguei no meu telemóvel e liguei para casa da minha avó.

"Estou?" A voz da minha mãe soa e eu suspiro. Não me apetecia falar com ela agora, não depois do que disse.

"Sou eu." Informo.

"Sim, está tudo bem?" Pergunta.

"Eu vou ficar aqui esta noite e volto amanhã." Digo.

"Está bem." Aceita. "Estás bem?" Pergunta.

"Vou ficar." Respondo e desligo a chamada, guardando novamente o telemóvel na mala. Coloquei a chave na ignição e liguei o carro, conduzindo em direção à casa de Zayn.

Desde o pequeno incidente que não falávamos e eu nem sequer sabia se ele tinha conhecimento sobre Harry. O caminho foi curto e assim que estacionei, ganhei uma grande vontade de me ir embora. Mas não o fiz, quer Zayn soubesse ou não, eu tinha de falar com ele. Queria saber o que é que ele achava de tudo isto.

Coloquei a mala ao ombro e saí do carro, caminhando reticente até à porta. Pressionei o meu dedo na campainha e esperei pacientemente que me abrissem a porta. Lembrei-me que da última vez, Zayn não me abrira a porta. Ia para me agachar para alcançar a chave escondida quando a porta abriu, revelando um Zayn com uma barba por fazer, cabelos bagunçados, olheiras, com aquele aspeto que grita pela necessidade de um banho.

"Charlotte." Cumprimentou.

"Zayn." Cumprimentei e ele colocou-se de lado, abrindo espaço para eu passar. Assim o fiz.

Olá! Espero que tenham gostado do capítulo!

Beijinhos

Xx

Charlotte |H.S|Histórias para pegar e não largar. Descubra agora