Capítulo 27

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Hans era um cretino.

Samuel olhava para ele e não conseguia acreditar que podia existir um cara tão babaca, mas tudo passava a fazer um certo sentido quando ele lembrava-se de que estava no exército. Quando Hans segurou no seu pescoço e disse aquelas barbaridades ele sentiu que finalmente tinha compreendido a essência do exército e de toda sua existência, entendeu que todos os filmes e histórias que já tinham lido eram nada mais que pura ficção, toda sua coleção de tanques e aviões da Segunda Guerra Mundial e as revistas ilustradas sobre guerra com o que sempre gastava toda sua mesada. A verdade sobre o exército é que eram todos babacas ali.

Fazia sentido.

Não importa o quão evoluída seja uma sociedade, ela sempre tem idiotas e indivíduos menos inteligentes que a média, mas que são bons balançando armas e tem físicos invejáveis. O fato é que esses indivíduos não contribuem tanto para a população e não se pode exterminá-los ou isso causaria revolta no restante da sociedade, mas então o que fazer com os inúteis? Samuel não sabia exatamente quando isso havia surgido, mas alguma pessoa muito inteligente tinha levantado o dedo e proposto: “Por que não juntar todos em um único lugar, transformá-los em heróis e depois manda-los para a morte?” E foi assim que nasceu o exército. E as guerras também, as sociedades precisavam de algum meio efetivo para eliminar os idiotas, talvez no fundo elas fossem todas aliadas contribuindo para um mundo melhor sem babacas.

Levantou a mão.

- O que é, Lieppert? – o capitão perguntou.

- Senhor, com quem eu falo para desistir do serviço militar? – disse fitando os orbes azulados de Henry que mostravam uma leve surpresa ao ouvir a pergunta.

- Com alguém da administração. – apontou para o primeiro-tenente. – Se quiser Krieg pode acompanha-lo até lá agora.

- Acho que vou pensar um pouco, senhor, obrigado.

O capitão balançou a cabeça e continuou a explicar alguma coisa, ele não era do tipo que insistia para alguém permanecer no seu batalhão e Samuel jamais esperou que ele fosse dizer alguma coisa, mas resolveu pensar um pouco quando o capitão o fitou. Henry era sua fonte de inspiração, porque de alguma forma ele não era um idiota e assim como ele o capitão também não tinha um estereotipo militar e às vezes não parecia se encaixar no quartel, embora às vezes o lugar não parecesse mais que adequado a ele. Samuel tinha ficado mais que maravilhado no dia em que o capitão repreendeu Krieg e o puniu como se fosse um recruta, queria ter aquele tipo de coragem e poder, mas parecia tão impossível e aparentemente nem ao menos compensava, do que adianta mandar em idiotas?

Samuel não queria mandar e nem obedecer a idiotas como Hans, babacas e cretinos no mesmo nível mereciam morrer, nem ao menos uma chance de lutar por seu país deveria lhes ser dado. Na verdade nem queria coexistir com esse tipo de pessoa, mas se Hans tinha que obedecer à alguém que essa pessoa fosse Samuel, que ele pudesse mandar nele da mesma forma que Henry mandava em todo mundo.

Não acreditava no que o cozinheiro-chefe havia dito, principalmente sobre sua aparência, quer dizer, é verdade que ele não era o maior exemplo de masculinidade, mas ainda tinha 18 anos, ainda iria crescer e engordar e pelo menos ter alguma barba no rosto. Não podia ficar daquele jeito para sempre. Além disso, mesmo que continuasse daquela forma, não havia nada de mal naquilo, há muitas garotas que preferem homens menos selvagens e rudes, Samuel podia muito bem ter sucesso naquela carreira sem ter que abrir as pernas para alguns oficiais superiores. Ridículo, o recruta cerrou o cenho. Como se alguém fosse mesmo se submeter a algo do tipo só para obter sucesso, ou porque realmente não servia para mais nada. Samuel servia sim para alguma coisa, não precisava estar de quatro para ser útil.

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