POV. NICOLAS
Everton entra no quarto com a camisa no ombro e uma tiara no cabelo que faz todos os fios irem para trás. Eu estava no meio de um livro sobre abelhas, quando o meu irmão simplesmente se encosta na minha porta, esperando ter atenção para falar seu objetivo.
Pelo menos tem educação, não é como a Gih que entra fazendo barulho e nos obrigando a prestar atenção nela.
— Papai e mamãe voltam apenas mês que vem. — Meus olhos não saem do livro.
— Vamos correr.
Pensei que queria apenas informações do paradeiro dos nossos pais. Faz quanto tempo que não temos um momento de irmãos?
Quatro meses atrás nos separamos porque ele foi acompanhar o nosso pai em uma viagem até a Espanha, enquanto a Gih e eu ficamos na Dinamarca se preparando para enfrentar mais uma escola nova.
Sempre estamos mudando de país ou, no mínimo, de estado, mas somos originalmente da Dinamarca, sempre estamos voltando para lá, onde possui a nossa verdadeira casa. Isso tudo é mais por segurança mesmo, pelo menos até a nossa irmã menor tiver uma idade boa para a compreensão de como as coisas funcionam. Ela ainda é jovem demais, está na fase de querer ter as opiniões ouvidas, dadas como certas, então muita das vezes não entende o que queremos passar como o que é seguro para sua própria vida.
— Agora?
— Sim. As noites aqui são bem frescas.
Fecho o meu livro no mesmo instante, visto a minha roupa de malhar e coloco um pouco de comida para os peixes antes de sair, então ligo os meus fones.
Enquanto corremos, as casas e as ruas tranquilas passam rapidamente ao nosso redor. É uma vizinhança diferente dos outros lugares que já moramos, essa você sente que existem pessoas além de você, não apenas casas vazias. É confortável saber que não está sozinho o tempo inteiro.
— Estou pensando em começar uma faculdade de engenharia. — Meu irmão comenta, e eu preciso abaixar a minha música para escutar direito.
— Sabe que nossos pais te matariam. Você é o mais velho, sabe as obrigações.
Não gosto de conversar correndo, porque cansa mais rápido, por isso me calo como se a conversa tivesse encerrado.
— Pensei que como você é o mais inteligente da família, que não tem planos e não sabe o que fazer da vida, poderia assumir o título da família.
Eu gostaria de herdar a empresa, gostaria de ter sido a fonte principal. Mas não sou eu, então não tem mesmo o que fazer.
Dou uma risada para descontrair.
— Eu? Não... sabe que é o mais velho que assume tudo.
— Isso é um pensamento antigo. Você precisa ser menos um velho conservador.
— Então deixa para a Gih.
— Ela é uma criança.
Ele apenas não quer assumir o peso. Sempre foi de ficar indo em festas, arrastar todas as garotas para o quarto, desligar da família e passar semanas sem aparecer em casa. Mesmo assim, papai e mamãe querem deixar toda a responsabilidade nas mãos dele.
— Assuma as suas obrigações e pare de criar sonhos que você não precisa. Quer fazer faculdade? Escolha administração ou economia.
Volto a aumentar o volume dos meus fones.
O suor já está escorrendo pelas minhas costas e estou sem fôlego. Não era para eu estar assim, meu físico é bom demais para me cansar em apenas cinco minutos de corrida, mas acho que o problema seja conversar enquanto faz isso. Como disse, abrir a boca enquanto corre, faz cansar mais rápido.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Absolutely nothing
Romantik(esse livro começou a ser editado, porém, não foi finalizado a correção) Pérola é livre, quando sua mãe permite, e gosta de viver cada minuto. Vem de uma família comum, semelhante à de quase todo mundo, sempre se metendo em confusões e tentando sair...
