POV. PÉROLA
Graças ao meu pai que me trouxe para a escola hoje em sua lataria gigante que ele chama de caminhonete, cheguei dez minutos antes do horário. E as minhas duas amigas não esperaram nem mesmo eu me sentar para virem correndo até onde estou, batendo as mãos na mesa e tudo, como se tivessem visto um unicórnio colorido no corredor. Quer dizer, apenas a Ranah está agindo desta forma.
— No que estão pensando?
Elas trocam olhares juntamente com uma transmissão de pensamentos acontecendo, depois apenas uma segue em frente na explicação. Com certeza a Sasha não é uma das maiores apoiadoras dessa conversa.
— O cara que senta ao seu lado, não reparou? Não viu o perfil dele nas redes sociais? — Ela cochicha. — Ele está até no Google!
— No quê?
— Ele é o filho daquela família margarina que faz propaganda para uma das maiores marcas de acessórios do mundo. Eles simplesmente são milionários há gerações devido à venda de diamantes.
Tinha que ter uma causa para ser rico, afinal ninguém consegue ser do nada. Para ter fotos em iates e jatinhos particulares nas redes sociais, devia mesmo cagar dinheiro.
— E o que isso tem a ver comigo?
— Ele além de bonito, é rico. E... você nunca namorou antes, fica apenas se iludindo com casais fictícios. Ao invés de apodrecer na própria fanfic, pode tentar forçar um clichê com o garoto que divide a mesa.
Isso não é fazer a fanfic se tornar real?
— A Pérola não precisa namorar alguém. — A Sasha entra na conversa.
— Claro que precisa. — Bufa, exasperada. — É o nosso último ano, e ela vai ser lembrada apenas por ser a garota atrasada?
Sasha franze o cenho, achando a amiga uma completa idiota. Ela nunca foi boa em esconder suas reações faciais, então quem não a conhece direito, pensa que é só mais uma garota insuportável. Eu pensava isso quando cheguei na escola, até falava mal dela para o meu irmão, contando que havia uma colega ridícula que fazia cara feia para tudo que a irritava. Só que nós estamos tão acostumados a fingir empatia o tempo todo, sorrindo para os idiotas que falam merda, que às vezes julgamos aqueles que são verdadeiros. Claro que em alguns momentos é preciso colocar uma máscara, caso contrario estará sendo apenas um sem educação escroto.
— Então está dizendo que ela deve ser famosa por namorar o cara rico dos diamantes?
— Não foi isso... — Tenta se explicar.
— Por que estão de repente discutindo sobre a minha vida amorosa e ainda por cima na minha frente? — Questiono. — Eu tenho apenas dezessete anos.
— E nunca beijou! — Ranah fala alto demais.
— Quem nunca beijou? — Nicolas pergunta atrás dela.
A Ranah aprendeu a beijar dois meses atrás e já está se achando no direito de obrigar sua única amiga BV a experimentar essa sua nova "mil maravilhas". Eu admito que possuo uma ansiedade para chegar a minha vez logo, mas não vou sair pedindo para qualquer cara me beijar apenas por beijar. Não é assim que funciona no meu ponto de vista. Apenas existem pessoas que são mais rápidas em algumas coisas, e outras que são mais lentas. Umas que colocam importância demais naquilo, outras que apenas veem como diversão ou um nada. E está tudo bem discordarem, porém, Ranah não pensa assim.
O Nicolas puxa a sua cadeira bem ao meu lado, coloca a bolsa pendurada e encara a minha amiga na expectativa de saber da fofoca, só que as duas olham para ele sem emitir qualquer som. Uma está com os olhos arregalados de surpresa, enquanto a outra o observa com indiferença e talvez desinteresse. Já eu, abaixo a cabeça na mesa quase no mesmo instante que o seu olhar cai sobre mim, finjo que estou dormindo descaradamente, como se ele não tivesse me visto agorinha em pé.
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Absolutely nothing
Roman d'amour(esse livro começou a ser editado, porém, não foi finalizado a correção) Pérola é livre, quando sua mãe permite, e gosta de viver cada minuto. Vem de uma família comum, semelhante à de quase todo mundo, sempre se metendo em confusões e tentando sair...
